31/07/2017 12:44

Alissandra Paganini- 31/07/2017


Se alguém tem lembranças vívidas de Sombrio, este alguém é seu Toninho do Correio. Na verdade, o nome do distinto senhor de fala sempre correta é Antônio Bernardino de Oliveira, que aos 86 anos, passa os dias em casa, tranquilo, ciente de que fez muito pela cidade que adotou como sua.

Casado com a mesma mulher que conheceu quando adolescente, dona Ilma Espíndola de Oliveira, com quem teve sete filhos, seu Toninho teve uma movimentada vida social. Era telegrafista, e nos anos que ficou à frente dos Correios, todos os telegramas recebidos passavam por ele. Conhecido pelo carinho no trabalho, seu Toninho foi também juiz de paz, fundou clube de serviço, fez amigos ilustres e esteve presente em momentos históricos do município. É tanta história, que uma coluna fica pequena para tudo. Resumi aqui, as palavras desse cidadão que carrega na própria memória, as grandes notícias que vinham por correspondência para Sombrio.

De Laguna

Sou de Laguna, e lá, aos 8 anos eu já ajudava meu pai entregando cartas. Aí me tornei mensageiro aos 14 anos, para entregar telegrama. Comecei a aprender a telegrafia, e comecei a fazer isso. Aí me casei com uma moça de Araranguá e vim para cá.

Serviço de Correio

Vagou um lugar de telégrafo aqui em Sombrio e eu, com a família, vim para cá. O povo aqui me acolheu muito bem. Eu também entregava as cartas, às vezes, separava num montinho e entregava a alguém que fosse para os lados de Garuva, Retiro da União.

Sem celular

Nossa única comunicação era aquela, só aquele som do Código Morse. Tinha uma fiação que ligava aqui a Araranguá, depois a Tubarão e ia até a capital federal, que na época era Rio de Janeiro. Mas eu não falava direto com a capital, eu falava com Araranguá e dali ia passando pelas linhas. Demorava bastante a chegar lá. Tinha o guarda-fio, uma pessoa que era responsável por cuidar se os cabos não estavam encostando no chão, ou em uma poça de água. Quando a linha tocava no chão, a gente ouvia pelo aparelho e as mensagens não passavam.

Do som ao lápis

No começo era difícil, tinha que transformar os sonzinhos em palavras, mas com o tempo, eu só ouvia e já sabia o que era a mensagem. De ouvido eu já sabia.

Reconhecimento

O progresso vem, e continua vindo, e hoje vimos Sombrio como está. Hoje, nós temos uma cidade apresentável, com recursos, mas devemos olhar para trás, para aqueles prefeitos que tinham vontade de fazer, mas era tudo escasso. Aqueles iam com machado para os matos abrir estradas. Hoje estamos bem, mas temos que lembrar daqueles que trabalhavam sem máquinas.

Padre João Reitz

Eu e padre João nos dávamos como dois irmãos. Nossa amizade era forte, ele confiava muito em mim, e eu nele também.

Clube Lobisomens

O primeiro juiz de direito da Comarca, me pediu para apresentá-lo as pessoas, queria conhecer mais o povo, e eu o levei no clube. Acabou se tornando amigo nosso. Eu gostava muito do clube, era muitas festas… Nós cantávamos também, na praça.


03/07/2017 13:07

Alissandra Paganini- Vida boa como um pastel fresquinho


Já é tradição. Um bom lugar para namorar, celebrar uma data especial, curtir um fim de semana depois da igreja, é no Pimenta Pastéis. Com uma estrutura bonita e um sabor inconfundível, a pastelaria que conquistou Sombrio e região é mantida por um tripé inquebrantável. O casal Ronivon Oliveira Machado e Fabiana Trindade Machado, há 22 anos teve o filho Aleksander, e os três formam o Trio Pimenta. A coluna de hoje não tem só sabor de pastel, tem sabor de união e muito, muito trabalho.

De mudança
Em novembro ou início de dezembro, nosso prédio  próprio ficará pronto, e queremos inaugurar em março. É uma conquista mesmo.

Pastel de quê?
Quando o assunto envereda para o carro-chefe do Pimenta, é Fabiana quem
assume a palavra, com bom humor e alegria. “O negócio do pastel já existia, e nós compramos o do antigo proprietário. Não acreditávamos que o pastel venderia tanto. A massa é a mesma até hoje. Vimos potencial, compramos e vamos sempre inovando,
colocando novos sabores. De 50 sabores foi para 80, sempre colocando mais coisas, as tábuas, porções, equipamentos melhores. Era tudo muito manual”.

Casal jovem
Quando nos conhecemos, eu tinha uns 15 anos, e a Fabiana, uns 12. Quando eu tinha 18, fomos morar juntos. O Aleks nasceu em abril do ano seguinte. Faz 22 anos que
somos casados.

Empregos
Trabalhei de empacotador de mercado e lavador de carros. Tudo que é coisa.
Depois comecei a trabalhar com vendas, fui promovido a supervisor e fiquei nesse
ramo. Comecei a fazer faculdade, mas tive que parar, o Aleks era pequeno ainda. Então fiquei só no trabalho e cuidando da família. Sempre fomos do comércio, trabalhando
em várias coisas, mas no empreendedorismo. Não queríamos trabalhar para ninguém, queríamos ter nosso próprio negócio.

Viagem só de vinda
Em 2007, viemos para Santa Catarina, e aqui começamos praticamente do zero. Abrimos a pastelaria seis meses depois. Quando o Aleks fez 12 anos, começou a ajudar a gente. Assim que ele aprendeu a segurar uma bandeja, colocamos ele para trabalhar também. Durante dois anos ficamos com duas pastelarias, uma aberta na Lagoa de Fora no inverno, e outra na praia, no verão. Depois, em março de 2011, abrimos uma em Sombrio.

Coração do Pimenta
Não tem um segredo. É uma receita que é nossa. Temos dois pasteleiros que trabalham junto. Eu supervisiono, cuido todos os dias, mas somos nós três que fazemos este processo. A cozinha é o coração da pastelaria.

Investimento
Voltando ao assunto da casa nova do Pimenta Pastéis, Roni transparece que é nos detalhes que mora o sucesso. “Nós queremos que a pessoa chegue, coma, mas não saia com cheiro. Por isso investimos muito no novo prédio. Tem que ter aquele aroma gostoso de pastel, não o cheiro de fritura”.

O tripé
Para Ronivon, Fabiana é a companheira desde sempre, em todas as horas.
Aleksander, que já se formou em administração e faz pós-graduação, possui uma personalidade tímida, mas define muito bem o que sente trabalhando com os pais desde cedo. “São dois guerreiros, e uma inspiração”.

Mão na Massa
Roni também se envolve na produção dos pastéis, inclusive, relata como produz mais um dos sucessos do Pimenta. “A gente queria fazer um pastel com linguiça no recheio. Comprei uma linguiça, que era boa, mas no pastel, não gostamos. Então eu mesmo, com uma receita do meu pai, fiz a linguiça, mista. Todos os recheios somos nós que fazemos e testamos”.


05/06/2017 11:53

Alissandra Paganini- Produzindo alimento do corpo e da alma


A coluna desta semana tem gosto de doce, o sabor do sucesso de quem sempre trabalhou no que gosta e que acompanha a continuação de sua história. Silvano Cláudio Pereira, pessoa de temperamento calmo e de vida discreta, cresceu e
formou família, literalmente, com a mão na massa. Cerca de 90% da região de Balneá-
rio Gaivota, Sombrio e Jacinto Machado recebe os pães que só a Padaria Silvana sabe
fazer. O carro chefe são os pães fatiados, de xis e cachorro-quente, que são feitos com o
mesmo carinho de 30 anos atrás. O dono da panificadora hoje tem mais tempo para se dedicar aos seus passatempos, e visita o negócio que criou apenas para prestar consultoria aos filhos. Silvano foi casado durante 32 anos com Neuza Janete, que faleceu em 2002, e vive com Magna Teixeira Bastos, já há 5 anos. No entanto, ele relembra com carinho dos tempos de muito trabalho, e fala do começo de tudo com o
doce sabor da nostalgia.

De berço
Já crescemos no ramo da padaria. Em 1969 meu pai
fundou a Padaria Real, na avenida Nereu Ramos, Centro
de Sombrio. Depois, ele faleceu e em 1985, resolvi sair
da sociedade a abrir uma padaria aqui no bairro Januária.
Nós fornecíamos pães para o restaurante Japonês, e o seu
Ideki Kokitsu, dono do lugar naquela época, pediu que eu
colocasse a panificadora perto do restaurante para não
andar tanto, porque era longe. Foi quando vim para cá.

31 anos de história
Estamos sempre modernizando, agora fazendo instala-
ções novas, sempre trabalhando direitinho, prezando pelo
atendimento, pela qualidade, fazemos reuniões para cuidar
disso. Os filhos vêm no mesmo ritmo que sempre foi, e
graças a Deus, já faz 31 anos que estamos ali na padaria.

Mão na Massa
Falei para o seu Ideki: ‘olha, eu só tenho dinheiro para construir,
para as máquinas não’. Ele respondeu: ‘Pois constrói que eu te dou o
dinheiro das máquinas e tu me paga em mercadoria’. Na época vendi
alguns bens, e não precisei da ajuda dele. Comprei as máquinas
de uma padaria que estava fechando em Araranguá. No início era só
eu e a esposa, depois vieram os filhos, e a gente contratou funcioná-
rios. Até hoje forneço para o restaurante Japonês, assim como outros
shoppings.

Continuação
Os filhos quiseram ficar conosco. O mais
novo se formou em administração e assumiu
essa parte. O José Artur está na produção,
e a Silvana ficou de confeiteira. O Sandro,
meu genro, faz a parte de vendas e entregas.
E de uma época para cá eu só dou apoio,
ajudo nos projetos.

31 anos de história
Estamos sempre modernizando, agora fazendo instala-
ções novas, sempre trabalhando direitinho, prezando pelo
atendimento, pela qualidade, fazemos reuniões para cuidar
disso. Os filhos vêm no mesmo ritmo que sempre foi, e
graças a Deus, já faz 31 anos que estamos ali na padaria.

Um Homem do Bem
Gosto de fazer de tudo um pouco, de estar na padaria, de estar na comunidade, trabalhando com algo
voluntário,canto na igreja e trabalho na Amja (Associação
de Moradores da Januária). Gosto muito do trabalho voluntário, sem ganhar nada em troca.

Devoto
Sou devoto de São Sebastião, Santa Rita de Cássia e
Santa Luzia, que me ajudou muito quando sofri um acidente
e quase perdi a visão de um olho.
Netos
Os netos são tudo, né! Meu xodó, tanto os quatro de sangue, quanto os dois de coração, netos da minha esposa.
E os filhos dela se tornam meus filhos também.


22/05/2017 14:39

Alissandra Paganini- Sucesso bom como café com rosca em família


Uma das qualidades de um bom empreendedor é o pioneirismo, a coragem de fazer algo novo, original. E se um empreendedor pioneiro tem ao seu lado um sócio à altura, é mais um passo vencido rumo ao sucesso.

Foi com coragem, ousadia e uma relação de respeito e confiança que os irmãos José e Jardilo Machado criaram uma marca que tem peso em toda a região e fora dela.

O Polvilho Machado, no mercado desde 1978, surgiu das mãos de quem nunca deixou de trabalhar e de prezar pelo que é mais importante, valorizando suas origens, mas com um olhar promissor para o futuro.

Para esta coluna, conversei com seu Zequinha, o segundo de sete irmãos que cresceram em São João do Sul aprendendo na prática como se fazer um bom polvilho e uma empresa forte.

Com a mão na terra

Começou com meu pai plantando mandioca, fazendo farinha, e levando de carro de boi para vender no Rio Grande do Sul. Foi assim que ele comprou um pedacinho de terra aqui e ali, e fomos tocando a vida. Depois que casei, com aquele problema de pouca terra, passamos da farinha para o polvilho, e conseguimos conquistar uma vida melhor.

Migrantes

Em 1978, eu e meu irmão mais novo, Jardilo, viemos para a Vila São Cristóvão e abrimos um comércio. Aqui não tinha nada. Colocamos uma fecularia, que era minha profissão, e que ainda está funcionando, em parceria sempre com ele. Hoje, claro, os mais jovens tomam conta, meus genros e os filhos do meu irmão.

Companheira de uma vida

Quando solteira, minha esposa, Solange, morava no Barro Preto, em Santa Rosa do Sul, e nos encontramos na Bela Vista, onde tinha um salãozinho de baile. E deu certo. Namoramos dois anos, casamos, e fomos morar nas terras do meu pai, na Nova Fátima. Ficamos lá 10 anos, e depois viemos para São Cristóvão. Ela é minha vida, sempre vivemos um pelo outro. Ela é minha enfermeira, e quando ela precisou, fui o enfermeiro dela. Sempre foi uma mulher trabalhadora, e somos felizes. Estamos quase fazendo 50 anos de casados. O segredo é procurar uma pessoa correta, que goste das mesmas coisas, e pensando em viver sempre em união.

Inovação

O reduto do polvilho era aqui. Antes só se fazia para o gasto, mas começou a dar certo e as pessoas passaram a produzir mais. Trabalhávamos com a fabricação de polvilho, mas nos mercados só vendiam pacotes de meio quilo e vinha de muito longe. Decidimos embalar sacos de um quilo, então, e deu certo. Fornecemos para os mercados grandes, inclusive.

O sucesso

Acho que pela qualidade que a gente sempre prezou, buscando que o cliente ficasse satisfeito com o que comprasse. Até porque, se um produto não tiver qualidade, e não tiver um bom atendimento, não vai adiante.

Jardilo Machado

Minha parceria com Jardilo, meu irmão, sempre teve muito respeito, muita confiança. Hoje entreguei o negócio na mão deles, do Jardilo e dos meus genros e sobrinho.

 

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