Música     8 de maio de 2016 00:00
Autor: site Uol
País

Belas, pilhadas e empresárias: Simone e Simaria e o sucesso no sertanejo

"Nosso sonho, por incrível que pareça, era ter um banheiro confortável", diz a dupla


Belas, sem dúvida, mas de “recatadas e do lar” Simone e Simaria, nova sensação da música sertaneja, não têm nada. Após 40 dias na estrada sem descanso, a dupla desembarcou em Goiânia com o astral lá em cima para gravar o novo DVD na última semana de abril mostrando que o melhor termo para defini-las seria “pilhadas e batalhadoras”. “Quando estamos no palco somos cinderelas, mas saímos dele e já voltamos a ser gatas borralheiras porque tem casa para cuidar, família, a parte burocrática toda da banda”, brinca Simaria.

Simone e Simaria no palco após meses de preparação para o DVD

Há mais ou menos seis meses, as “coleguinhas”, como são conhecidas, viram a agenda de shows explodir, o cachê aumentar e a fama vir a galope após o sucesso da música “Meu Violão e o Nosso Cachorro”, gravado no DVD “Bar das Coleguinhas” em 2014. “Não tive tempo para pensar, levo tudo na naturalidade, às vezes dá um tilt e eu paro, mas não fico pensando muito nisso porque senão sobe para a cabeça”, explica Simaria.

Tempo, aliás, é o que a irmã mais velha da dupla, de 33 anos, tenta esticar como mágica para dar conta da rotina. Além de estar sempre bela com roupas ousadas no palco, ela é a empresária da banda e responsável por composições, produção e toda a parte burocrática que envolve a marca delas.

Muito trabalho, zero glamour

Com convidados famosos como Bruno e Marrone e Fernando e Sorocaba para a noite da gravação do DVD, Simaria ainda vestia jeans e chapéu, uma hora antes do início do show, enquanto analisava cada detalhe do som e do palco grandioso montado para o espetáculo.

“Estou de detetive aqui e não saio enquanto tudo não estiver do jeito que eu quero. Só estou escutando dois violões nesta música e sei que tem três, arruma isso, por favor”, dizia com uma voz alegre, mas demonstrando muita seriedade.

As irmãs na adolescência sempre juntas

Dentro do camarim, a mais nova, Simone, de 31 anos, já estava com bobes no cabelo e dois profissionais cuidando de sua beleza.

“Posso dizer que a Simaria cuida de tudo, tudo tem que ter o dedo dela, eu fico só com a parte de cantar um pouco mais, pegar o dinheiro e dividir igualzinho”, explicou rindo. “Ela contrata uma equipe toda, mas é ela quem diz como tem que ser feito o trabalho. Se ela contrata o melhor mixador, ela tem que entrar dentro do estúdio com ele para falar o que quer.”

Se Simaria é energética e gosta de tudo perfeitamente pronto para ontem, Simone, com seu jeitinho visualmente mais calmo, faz o papel do equilíbrio, “domando” a irmã, acalmando e apoiando em tudo que ela precisa.

“Ela me escuta, às vezes quer colocar moral por ser mais velha, mas quando estou certa é quando eu pego, dou uma chacoalhada e ela me escuta. Apesar de ela ser assim, às vezes ela também tem medo de tomar alguma atitude, então é a hora que eu dou um empurrãozinho”, diz com os olhos brilhando.

Voz para as mulheres

A parceria artística começou ainda na infância, entre o interior da Bahia e o Mato Grosso. “Tanto meu pai, quanto minha mãe eram grandes incentivadores, eles sonhavam em ver a gente cantando. Meu pai era garimpeiro, sonhava em achar um diamante e mudar a vida da nossa família, mas era muito ingênuo e sempre era passado para trás. A gente dormia em barraca de lona, no chão, em redes, foi uma infância muito sofrida”, relembra Simone com a voz emocionada. “Ele morreu quanto eu tinha oito anos, mas minha mãe está conseguindo aproveitar esse nosso momento com a gente, trocamos o carro dela e ela ficou radiante.”

Simone e Simaria nos tempos da banda Forró Muído

Após sete anos como backing vocals de Frank Aguiar e, posteriormente virarem sucesso no Nordeste com a banda de forró eletrônico Forro do Muído, Simone e Simara despontaram para a própria carreira. Com fama e dinheiro entrando, elas também realizaram um dos grandes sonhos que tinham na infância. “Nosso sonho, por incrível que pareça, era ter um banheiro confortável, arrumadinho, porque não tínhamos isso na infância. Lembro que a gente tomava banho de bacia, de canequinha , mas hoje conseguimos realizar isso.”

Simone estava quase pronta quando Simaria entrou agitada no camarim para começar sua produção. Do lado de fora, fãs encaravam o frio, não tão comum na cidade, numa grande fila para cantar os sucessos das coleguinhas e uma curiosidade chama bastante a atenção nos shows das meninas, pelo menos 70% da plateia é formada por mulheres.

“Essa mulherada é alucinada, desesperadas, descabelam, desmaiam. É uma loucura esse amor. Gravamos tanto para homem como para mulher, mas como somos meninas, fazemos canções pensando nelas. Ás vezes uma fã chega contando uma história que está vivendo, algo que vemos na TV, tudo vira música, e acaba que atinge esse lado feminino porque gostamos de agradá-las. A gente ama porque mulher quando não gosta da outra você pode ser a santa, mas vira a periguete”, explicou Simone, soltando uma gargalhada.

“Quero sempre passar para elas que a gente tem que se amar, se valorizar, parar de sofrer por quem não gosta da gente, se não deu certo com um tem gente melhor por aí, um dia acontece a pessoa certa. Na vida a gente tem sempre que pensar positivo, porque aí tudo flui. Se essas misérias colocarem chifre, troca eles e vão ser felizes”, completou Simaria.

As Kardashian brasileiras?

Com a assessora de imprensa pedindo para encerrar a entrevista, Simaria caiu na gargalhada ao ser questionada sobre uma possível semelhança com a americana Kim e sua família Kardashian.

“Só se for a Kim Carpaccio, né? (risos). Olha, quando a gente está produzida até vejo uma semelhança, a maquiagem ajuda bastante, mas eu sou só a simples Simaria Mendes” , pontuou. “A gente fica feliz, porque a Kim é um fenômeno, né? Ser comparada com uma beleza daquela é tudo”, finalizou Simone.

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