Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

4 de dezembro de 2017 00:04

Rolando Christian Coelho, 04/12/2017

Esquerda e direita começar a bipolarizar a disputa presidencial, mas têm a sombra do tucano Geraldo Alckmin, que se coloca com alternativa ao centro.


Lula e Bolsonaro se isolam na liderança

Ex-presidente Lula da Silva (PT) e o deputado federal fluminense Jair Bolsonaro (PSC) estão totalmente desprendidos dos demais pré-candidatos à Presidência da República, de acordo com pesquisa Data Folha, divulgada durante o final de semana. Em todos os cenários onde os dois constam juntos como candidatos, os demais postulantes ao Palácio do Planalto ficam bem atrás.

No cenário mais provável, com todos os principais nomes da política nacional disputando a Presidência, Lula aparece com 34% das intenções de voto, e Bolsonaro com 17%. A terceira colocação cabe a Marina Silva (Rede) com 9%, seguida de Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), com 6% cada. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (S/P) tem 5% e Álvaro Dias (Podemos) 3%. Outras candidaturas nanicas, somadas aos votos brancos, nulos e indecisos completam os cem por cento dos entrevistados.

Em um outro cenário sem Joaquim Barbosa, Lula vai a 36% e Bolsonaro cai para 16%. Marina Silva fica com 10% e Alckmin e Ciro Gomes com 7% cada. Já Álvaro Dias emplaca 4%. O ex-presidente lidera em todas as situações em que é colocado como candidato. Com ele fora da disputa, esta liderança recai automaticamente sobre Jair Bolsonaro. Isto pode acontecer caso a segunda instância da Justiça Federal julgue procedente a sentença dada pelo juiz Sérgio Moro, que condenou Lula à nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá. Neste caso ele seria pego pela Lei da Ficha Limpa, fincando inelegível por oito anos.

Do ponto de vista da geopolítica, Lula e Bolsonaro não são uma ameaça um ao outro. Quem de fato pode atrapalhar os planos de ambos é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que deverá se consolidar como o principal candidato de centro do pleito presidencial do ano que vem. Consolidada a candidatura de Lula, ele estará facilmente no segundo turno, pois possui um eleitorado cativo composto por nunca menos que 30% dos brasileiros. Todavia, se o segundo turno for disputado com Alckmin, seus planos de voltar à presidência ficam bastante comprometidos, pois muito provavelmente o PMDB estará aliado ao tucano já no primeiro turno, e não mais ao PT.

Perigo maior ainda sofre Bolsonaro, que fica diretamente ameaçado de sequer chegar ao segundo turno, justamente pela provável aliança entre PSDB e PMDB, que daria uma acentuada capilaridade à candidatura tucana, representada pela chamada base de sustentação partidária. Base esta que Bolsonaro não possui, por não estar filiado a um partido forte. Iniciada a campanha, Alckmin é um candidato que chega facilmente aos 20% das intenções de voto, o que já deixaria Bolsonaro fora da segunda etapa da eleição caso ele não aumente seu percentual de forma significativa nos próximos meses. Com Bolsonaro fora do segundo turno, seus votos tendem a migrar de forma espontânea para Alckmin, já que os chamados bolsonaristas são anti-petistas natos, o que faz do tucano o principal rival de Lula, mesmo estando hoje com percentuais na casa dos seis, sete por cento.

Todas as demais candidaturas não ameaçaram nem Lula, nem Bolsonaro, pois são representadas meramente por projetos ideológicos, e não por estrutura partidária. Neste sentido, Marina Silva, Ciro Gomes, Joaquim Barbosa, Álvaro Dias e outro rosário de candidatos que deverão surgir, serão meramente figuras decorativas no processo eleitoral do ano que vem. A pesquisa Data Folha foi realizada nos dias 29 e 20 de novembro, entrevistando 2765 eleitores em 68 municípios brasileiros. A margem de erro é de 2% e o nível de confiança de 95%.

 

Mais vaga

Possibilidade do deputado federal Jorge Boeira (PP) concorrer como candidato a vice-governador Paulo Bauer (PSDB), abrindo a vaga à Câmara Federal para o deputado estadual José Milton Scheffer (PP), cria outro fato novo no Sul do Estado. É que caso Zé Milton concorra a federal no lugar de Boeira, a candidatura do PP à Assembleia Legislativa, pelo Extremo Sul do Estado, fica aberta. Vaga que é histórica, e que já teve representantes como Afonso Guizo e Leodegar Tiscoski. Em princípio o contingente eleitoral de nossa região seria absorvido pela candidatura à reeleição do deputado estadual Valmir Comin (PP). De todo modo, é só um líder progressista de expressão aqui do Extremo Sul bater o pé que sua candidatura à Assembleia Legislativa estaria garantida. Ótima oportunidade para que o próprio Leodegar Tiscoski volte ao cenário político eleitoral. Com esta geografia política, teria uma eleição para lá de garantida.

Júlio vice

Corre à boca miúda nos bastidores da política catarinense que ex-deputado estadual Júlio Garcia tem pretensões bem maiores do que a de disputar novamente a Assembleia Legislativa. Sua incursão pelo Estado com o deputado federal João Rodrigues (PSD) teria a verdadeira intenção de solidificar seu próprio nome para uma composição majoritária em 2018. Muito bem relacionado com o PMDB, Júlio Garcia estaria, de fato, almejando a vaga de candidato a vice-governador numa chapa encabeçada por um peemedebista. Ele seria uma espécie de ponto de equilíbrio entre as pretensas candidaturas de Gelson Merísio (PSD) e João Rodrigues à majoritária. Seu nome pretensamente apaziguaria os ânimos dentro do PSD, que supostamente comporia como vice do PMDB, caso, de fato, PSDB e PP fechem dobradinha, com Paulo Bauer ao governo e Jorge Boeira a vice. Vale lembrar que Merísio e João Rodrigues têm se degladiado dentro do PSD pelo comando da majoritária do partido ano que vem, o que é péssimo para os planos do governador Raimundo Colombo (PSD) de chegar ao Senado Federal. Júlio pode ser, de fato, a solução, caso o caminho seja o PMDB.

 

César Cesa

Presidente do PMDB de Araranguá, César Antônio Cesa, diz que não pretende, “de forma alguma”, forçar uma candidatura sua à prefeitura da Cidade das Avenidas em 2020. De acordo com ele, o desafio de disputar novamente o executivo será aceito, “desde que haja consenso dentro do partido neste sentido”. Conforme César, se um outro nome de expressão da sigla tiver a intenção da disputa o próximo pleito municipal executivo, terá seu total apoio, “como já teve Anísio Prêmoli no ano passado”. De acordo com o presidente peemedebista, seu partido tem reais chances de retomar o comando do executivo araranguaense, “desde que esteja unido e faça uma boa coligação”. No resumo da ópera, César Cesa quer começar a deixar claro, desde já, que está disposto a concorrer à prefeitura, como fez em 2012, desde que a lógica e a razão sejam maiores que as forças ocultas que têm norteado o PMDB ao longo dos últimos vinte anos.

 

Céu e inferno

Situação civil do ex-presidente Lula da Silva (PT) chega a ser hilária. Liderando todas as pesquisas de intenção de votos, ele tem grandes chances de retornar ao cenário político nacional por cima da carne seca, podendo, até mesmo, voltar a presidir o país. Por outro lado, se o Tribunal Regional Federal de Porto Alegre confirmar a sentença de primeira instância proferida pelo juiz Sérgio Moro, que condenou Lula à nove anos e meio de cadeia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, o ex-presidente irá para atrás das grades, a exemplo de diversos de seus companheiros, como Zé Dirceu, José Genoíno e João Vaccari Neto. Em princípio, o julgamento do processo de Lula em segunda instância deverá acontecer em fevereiro. Todos os indícios, de fato, levam a crer que ele ganhou o tal triplex de presente da Construtora OAS, em troca de favores recebidos pela empresa dentro do Governo Federal durante sua gestão. O problema é que falta a tal prova cabal, que possibilite o sentenciamento inconteste. No fim das contas, será um julgamento meramente político, que poderá ser contrário, ou a seu favor, de acordo com o humor do momento.

FRASE

“Nossa vida é meramente uma questão de perspectiva do mundo. Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas”

Machado de Assis (1839/1908) – Escritor brasileiro

CHARGE 

 

 

Mais de Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Eleição sem Lula não seria justa

Presença do ex-presidente petista no pleito de 2018 é fundamental...

Rolando Christian Coelho

2018 está sorrindo para Mota e Zé Milton

Os dois deputados estaduais de nossa região têm tudo para emplacar...

Rolando Christian Coelho

Tem candidato saindo pela culatra

Lista de pré-candidatos ao Senador Federal em nosso Estado já é...

Rolando Christian Coelho

PP de nossa região está ultra valorizado

Jorge Boeira, José Milton Scheffer e Leodegar Tiscoski poderão...

Mapa de Editorias