Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

8 de setembro de 2017 00:23

Rolando Christian Coelho, 08/09/2017

Anulação da delação de Joesley Batista poderá levar o empresário a fazer outro acordo, podendo atirar, desta vez, para todos os lados, tentando escapar da cadeia.


O Efeito Janot no PSD de Merísio

 

Nesta semana o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, conseguiu estremecer do cenário político catarinense. Ao declarar que a delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS Alimentos, deverá ser anulada, Janot colocou mil pulgas atrás das orelhas da cúpula política de nosso Estado, mas, mais especialmente, atrás das orelhas da cúpula do PSD.

Tudo isto porque, do nada, entre as provas que investigam os atos de corrupção envolvendo empresários e políticos no país, apareceu uma gravação de quase quatro horas onde Joesley e o executivo Ricardo Saud conversam sobre temas diversos, dentre eles, o acordo de delação premiada que viria a ser firmado no primeiro semestre deste ano com a Justiça. Na gravação, Joesley e Ricardo dão a entender que irão manipular a delação, falando sobre alguns fatos, mas omitindo outros, para não prejudicar pessoas que eles estimavam, dentre os quais donos de supermercados e “quatro ou cinco governadores”. Quase no final da conversa gravada, Saud comenta: “A questão mal é que vamos ter que jogar esses amigos tudo no fogo (…). Beto Richa… (atual governador do Paraná)… pegou tudo em dinheiro no Angeloni. Foi eu e aquele do Angeloni entregar pro Beto Richa. O Colombo… fomos eu e o … entregar pro Gavazzoni lá no Rio. Eu fui lá umas quatro vezes…”.

A bem da verdade, estas informações pontuais sobre o governador Raimundo Colombo (PSD) e o ex-secretário do Estado da Fazenda, Antônio Gavazzoni, já haviam aparecido na delação feita por Joesley Batista. O grande problema é que a anulação da delação do empresário pode fazer com que ele faça um novo acordo com a Justiça para escapar da cadeia, entregando todos e mais um pouco.

Consiste justamente ai o grande perigo do PSD, já que na delação de Joesley que chegou a ser homologa, o empresário entregou planilhas dando conta de que o deputado estadual Gelson Merísio havia recebido recursos ilícitos para sua campanha eleitoral em 2014. Diante dos fatos, uma nova delação poderá fazer com que tudo isto volte à tona, e que até mesmo novas informações temerárias possam ser trazidas a público, compromentendo tanto a viabilidade da candidatura de Merísio ao governo, como o próprio projeto do PSD de se manter no poder. Nunca é demais lembrar que o eleitorado catarinense é extremamente puritano, e pouco afeito a políticos que participam de negociatas, o que pode ser fatal para o PSD no caso em voga.

Mas nem só de PSD vivem as delações do pessoal da JBS. Corre a boa miúda, em Brasília, que o PMDB catarinense havia escapado praticamente ileso das falas e planilhas do Joesley Batista em sua delação premiada. Uma nova delação poderia mudar a sorte do partido, jogando os dois principais adversários de 2018 na vala comum da política catarinense.

 

Rodoviária

Prefeito de Sombrio, Zênio Cardoso (PMDB), estuda a possibilidade de lançar concurso para a realização do projeto de engenharia do espaço sócio-cultural que deverá ser implantado onde hoje está localizada a rodoviária do município. A concessão da rodoviária, que era de 30 anos, vence neste ano. A ideia de Zênio é viabilizar sua construção em um outro local, destinando o atual espaço para a implantação de um projeto que se integre com as obras viárias, e de urbanização, já realizadas no centro da cidade em sua primeira gestão. O formato do possível concurso ainda não foi definido. Há também a possibilidade de que seja feito um convênio, com uma universidade de expressão, para que a mesma, através de seus quadros de engenharia e arquitetura, possa desenvolver o projeto que vem sendo idealizado pelo executivo.

 

Retumbante

Se a carreira política do ex-presidente Lula da Silva (PT) não for sepultada de vez, depois do depoimento do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ao juiz Sérgio Moro, na última quarta-feira, nada mais acabará com o petista. Na prática, Palocci, que era quem cuidava dos interesses financeiros do Governo Federal e por tabela do PT, nos mandatos de Lula, entregou o ex-chefe de cabo a rabo, confirmando tudo aquilo que vinha sendo ventilado, supostamente sem provas concretas, sobre atos de corrupção praticados pelo ex-presidente. O sítio de Atibaia, o terreno da Fundação Lula doado pela Odebrecht, o dinheiro de corrupção doado para o PT fazer política, e muito mais, fizeram parte, de acordo com Palocci, de um grande esquema que tinha a conivência e o aval de Lula. Basicamente, Palocci repetiu o que Marcelo Odebrecht e o ex-senador Delcídio do Amaral já haviam afirmado. A diferença é que, agora, o delator era o braço direito e esquerdo de Lula.

 

Inversão

Maioria das prefeituras da região padecem pela falta de maquinário para manutenção de estradas de interior. Fato inusitado, no entanto, acontece em Turvo. O município possui três patrolas, mas na maior parte do tempo elas ficam paradas. É que o ex-prefeito Ronaldo Carlessi (PMDB), que em seu segundo mandato tinha como vice o atual prefeito Tiago Zilli (PMDB), asfaltou mais de 50 quilômetros de estradas ao longo de duas gestões, dentre estas as que dão acesso a localidades como Ponte Alta e também Morro Chato, que possuem grandes extensões viárias. Com o passar do tempo o constante patrolamento, para manter as estradas em dia, foram diminuindo, até se chegar ao ponto atual, onde pelo menos uma patrola já é totalmente dispensável. Por conta disto já se fala até mesmo em leilão de máquinas, que só estão criando poeira.

 

Especulações

Feriadão de 7 de Setembro tem ensejado as especulações sobre 2018 na capital catarinense. No que diz respeito à aliança previamente composta por PSD, PP e PSB, tudo parece caminhar para que a majoritária seja preenchida por Gelson Merísio (PSD) ao governo, Silvio Dreveck (PP) a vice, e Raimundo Colombo (PSD) e Paulinho Bornhausen (PSB) ao Senado. No outro lado da moeda, as tratativas neste sentido ainda são vazias, já que ninguém saber se PMDB e PSDB estarão unidos no primeiro turno da eleição estadual. Se convergir para isto, as apostas mais sinceras dão conta de que o prefeito de Joinville, Udo Döhler (PMDB) concorreria ao governo, com Clésio Salvaro (PSDB) disputando como seu vice. As vagas ao Senado seriam disputadas por Eduardo Moreira (PMDB) e Paulo Bauer (PSDB). Só falta avisar, e principalmente convencer, Mauro Mariani (PMDB) quanto a sua exclusão da disputa majoritária do ano que vem.

 

FRASE

“Os que ignoram o poder do afeto erram de forma estrondosa no objetivo de atingir suas metas. É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta de uma espada”.

 

William Shakespeare (1564/1616) – Escritor e dramaturgo inglês

 

CHARGE

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