Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

10 de outubro de 2017 00:27

Rolando Christian Coelho, 10/10/2017

Fracionamento das posições ideológicas estão se prestado, cada vez mais, a dissolver o entendimento nacional, trazendo mais prejuízos do que benefícios ao país.


O pragmatismo está nos afundando a todos

 

O mundo nunca esteve tão pragmático como nos últimos tempos. As conquistas democráticas acabaram jogando a todos em uma tábua rasa, no que diz respeito aos posicionamentos ideológicos, fazendo com que ignorantes e gênios pontuem em igual escala diante dos debates enfrentados pela humanidade. Nestes sentido, “todos são iguais perante o mundo”, ainda que uns tenham a capacidade de equacionar problemas de trigonometria de cabeça, e outros não saibam sequer a tabuada do dois.

Este é o preço que se paga pelo relativo equilíbrio social, afinal de contas, não há como manter em ordem uma população mundial de sete bilhões de pessoas, com dez por cento opinando e noventa por cento apenas concordando com o que lhe foi dito. Sendo assim, todos opinam, empoderando-se do seu Eu, ainda que o consenso seja cada vez mais difícil.

Da falta de consenso social surgem as divisões, que estão cada vez maiores, e explicitamente manifestas no meio político. Se antes tínhamos partidos de direita, de centro e de esquerda, hoje temos uma dezena de tendências ideológicas, muitas das quais derivadas de derivações. Um partido, por exemplo, da Mulher Brasileira, que parte do pressuposto que o país gira prioritariamente em torno das demandas femininas. Ou um Partido Verde, que despreza tudo o que não for, supostamente, ecologicamente correto. No fim das contas, a fragmentação, que deveria servir para contemplar as mais diversas nuances da sociedade, dando a estas vez e voz, têm se prestado a jogar grupos sociais uns contra os outros.

Fato é, que nos últimos tempos, no Brasil, todos se acham os verdadeiros donos da verdade. Todos dizem ter a solução para o país, como se a solução para qualquer problema pudesse ser alcançada por decreto, de cima para baixo, sem o chamado processo de construção social. Observe que a mera expressão “processo de construção social” já remete metade dos leitores a imaginar que este artigo tem uma tendência de centro-esquerda, ainda que sociólogos de todo o mundo, das mais diversas tendências ideológicas, utilizem este termo para se referir a solidificação dos alicerces de uma sociedade.

O que se tem observado nos últimos anos é que este pragmatismo tem levado a sociedade brasileira cada vez mais para o fundo do poço. Tem, ao contrário do que se poderia supor, criado cada vez mais divisões, servindo apenas como palco de discursos fanfarrões. Muitos destes discursos proferidos por quem não sabe nem a tabuada do dois, mas que é aplaudido como se soubesse resolver uma equação de trigonometria de cabeça.

 

Fora da disputa

Ex-deputado federal Leodegar Tiscoski (PP), que responde pela Secretaria Executiva de Habitação do Estado, voltou a dizer que está totalmente fora da disputa eleitoral do ano que vem. Um dos caciques dos progressistas em nível estadual e nacional, onde responde pela tesouraria do partido, Leodegar diz que “daqui para frete” sua missão é apenas a de ajudar o PP nas articulações e nas campanhas eleitorais. “Me sinto dessintonizado com a atual maneira de fazer política”, comenta o ex-parlamentar, referindo-se, por óbvio, a verdadeira carnificina em que se transformaram as atuais disputas eleitorais. No que diz respeito à 2018, Leodegar ressalta que “está tudo bem encaminhado para que o PP componha como vice do PSD, tendo como aliados diretos partidos como o PSB, PRB, Pros, dentre outros”. Sobre as peças para a composição, o ex-deputado ressalta que “isto ainda é um mistério”.

 

Apertando o cerco

Nada menos do que 35 partidos estão registrados oficialmente no país, junto ao Tribunal Superior Eleitoral. O primeiro a ser registrado, dos que estão na ativa, foi o PMDB, em junho de 1981. O último foi o PMB, Partido da Mulher Brasileira, em 29 de setembro de 2015. O TSE considera como data de registro a última alteração estatutária que mudou a nomeclatura da sigla, ou oficializou fusões. O PP, por exemplo, consta como fundado em 16 de novembro de 1995, ainda que ele derive do PDS, criado em janeiro de 1980. Afora estes, outras 68 siglas esperam para serem oficializadas. A vida dos que estão na fila, no entanto, tende a ser cada vez mais dificultada. Recentemente, por exemplo, o TSE barrou a criação do Muda Brasil, partido que há anos postula seu registro. Em princípio a sigla não teria apresentado, no ato da solicitação de criação, em 2015, mas só depois, a quantidade mínima de 500 mil assinaturas necessárias para que seu processo tramitasse na Justiça Eleitoral federal. TSE poderia ter aliviado, mas não o fez.

 

Na contramão

Buscando fazer contraponto a liderança do vice-governador Eduardo Moreira (PMDB) em Criciúma, prefeito do município, Clésio Salvaro (PSDB), tem buscado, cada vez mais, se aproximar do PSD e do PP do Estado. Neste sentido, não esconde seu desejo de ter os tucanos aliados com o projeto timonado pelo governador Raimundo Colombo (PSD), que almeja lançar o deputado estadual Gelson Merísio a sua sucessão. Na semana passada, Salvaro teve uma conversa de pé de orelha com o prefeito de Araranguá, Mariano Mazzuco Neto (PP), com o de Tubarão, Joares Ponticelli (PP) e com o de Lages, Antônio Ceron (PSD), sobre esta possível aliança. A iniciativa do prefeito criciumense fere diretamente os interesses do senador Paulo Bauer (PSDB), que almeja disputar o Governo do Estado ano que vem. Neste sentido, aposta numa candidatura autônoma, ou na conquista do apoio do PMDB para o projeto.

 

Contrários

Deputados federais Jorge Boeira (PP), Ronaldo Benedet (PMDB) e Geovânia de Sá (PSDB), que representam o Sul do Estado na Câmara dos Deputados, deram declarações similares sobre o fato de terem votado contrários a criação de um Fundo Partidário que irá destinar R$ 1,7 bilhão todos os anos para que os partidos políticos do país se mantenham e façam campanha através destes recursos. De acordo com Boeira, “o Fundo é uma vergonha para o Brasil, que carece de recursos para investimentos em todas as áreas”. Para Benedet, “não há nenhum sentido em se discutir moralidade pública e ao mesmo tempo se criar um Fundo que destinará quase R$ 2 bilhões para a realização de campanhas eleitorais com dinheiro da população”. Já Geovânia de Sá enfatizou sua total discordância com a criação do Fundo, que, de acordo com ela, retira dos cofres públicos recursos generosos que poderiam ser utilizados no fomento ao desenvolvimento do país.

 

FRASE

“Ser inteiramente honesto consigo mesmo é um bom exercício. Sendo assim, antes de diagnosticar a sim mesmo como sendo depressivo ou com baixa autoestima, primeiro tenha certeza de que você não está, de fato, cercado por idiotas”.

Sigmundo Freud (1856/1939) – Médico e psicanalista da República Tcheca

CHARGE

 

 

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