Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

11 de agosto de 2017 00:29

Rolando Christian Coelho, 11/08/2017

Se parecer da Comissão da Reforma prevalecer, políticos com maiores votações serão os eleitos a partir de 2018.


Comissão da Reforma aprova Distritão

 

Parlamentares que compõe a Comissão da Reforma Política no Congresso Nacional aprovaram ontem emenda que estabelece o chamado Distritão, a partir do pleito eleitoral de 2018. Por este sistema, seriam eleitos os deputados federais, estaduais e vereadores mais votados a partir de agora. Ainda está em discussão a possibilidade de que a partir de 2020 ou 2022, seja implantado um sistema misto, que mesclasse o Distritão com o voto em Lista Fechada dos partidos, conhecido no Brasil como voto Distrital Misto.

A decisão da Comissão da Reforma não tem força de lei ainda. A proposta precisa ser votada em dois turnos, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. De todo modo é um indicativo de que mudanças significativas serão implementadas no sistema eleitoral brasileiro a partir do ano que vem.

Se o Distritão prevalecer, os partidos perderão muito de sua força enquanto instituições. É que o poder político passaria a ser dos candidatos, e não mais das legendas. Na prática, quem mais fizesse votos é que seria eleito. Este sistema beneficia em muito os políticos já conhecidos, como também as celebridades. Por outro lado, praticamente inviabiliza a eleição de novas lideranças que comecem a construir suas carreiras a partir do zero.

Se o Distritão já estivesse valendo em 2014, o Sul do Estado teria eleito os deputados estaduais Dóia Guglielmi (PSDB), Luiz Fernando Vampiro (PMDB) e Manoel Mota (PMDB), que ficaram entre os 40 mais bem votados de Santa Catarina, mas amargaram suplências, por conta do atual sistema eleitoral. Por sua vez, não teriam sido eleitos os deputados estaduais Rodrigo Minotto (PDT) e Cleiton Salvaro (PSB), que só conquistaram suas cadeiras na Assembleia Legislativa por conta das coligações que seus partidos integraram. No que diz respeito à Câmara Federal, não teriam sido eleitas as deputadas Carmem Zanotto (PPS) e Geovânia de Sá (PSDB). No lugar delas teriam sido eleitos Edson Andrino (PMDB) e Ângela Albino (PCdoB).

Observe que, pela média, os partidos mais tradicionais, como PMDB e PSDB, levam vantagem no Distritão em relação a siglas menores, como PDT, PSB e PPS. Isto se refletirá em todo o país, com o Congresso Nacional, e as Assembleias Legislativas, assim como as milhares de Câmaras de Vereadores, elegendo parlamentares mais alinhados com uma ideologia centrista.

Nas Câmaras Municipais de nossa região, em princípio, os mais prejudicados seriam candidatos ligados a partidos como PT, PTB e PPS, siglas que conquistaram cadeiras legislativas graças a amplas coligações.

 

Menos partidos

Ex-vice-prefeito de Sombrio, Valmir Daminelli (PSD), diz estar torcendo para que a Reforma Política contemple, de vez, a imposição de uma cláusula de barreira para os partidos que disputarem eleições municipais, ou estaduais, daqui para frente. Em princípio, a proposta que tramita no Congresso Nacional dá conta de que, a partir de 2018, os partidos que fizerem menos de 5% dos votos em disputas eleitorais não conseguirão eleger mais ninguém. “A grande maioria dos partidos pequenos só estão no cenário político para negociar cargos em troca de apoio no legislativo. No fim, prefeitos, governadores e a Presidência da República ficam refém de uma eterna chantagem política”, comenta Daminelli. Caso a cláusula de barreira seja de fato aprovada, a expectativa é de que dos atuais 37 partidos registrados no país, somente entre dez e doze consigam efetivamente eleger deputados federais, estaduais ou vereadores.

 

Acesso

Vereador araranguaense Cristiano da Silva Costa, o Tano (PP), quer encampar movimento para que o acesso à barra do Rio Araranguá, via Morro dos Conventos, seja novamente liberado. Neste sentido, o parlamentar apresentou pedido de informações, direcionado a Procuradoria Geral do Município, questionando se é possível reverter decisão judicial que impede tal acesso. Esta lide é antiga, e envolve interesses difusos. De um modo geral, os moradores mais tradicionais de Araranguá querem que o acesso seja liberado, já que isto facilita a ida até a barra do Rio Araranguá, um dos mais belos cartões postais de Santa Catarina. Por outro lado, a liberação fatalmente faria ressurgir as famosas festas raves na orla marítima de Morro dos Conventos, onde a juventude costuma extravasar suas frustrações noite a dentro, regadas a tudo quanto é tipo de porcaria. Afora isto, há as questões ambientais, que pesam contra a liberação do acesso.

 

Renovação

Distanciamento entre o deputado federal Jorge Boeira (PP) e o presidente do PP Estadual, deputado federal Esperidião Amin, tem crescido nos últimos tempos. Candidato natural à reeleição pela presidência do partido, em eleição que acontece no próximo dia 21, Amin não deverá ter o apoio de Boeira, que está apostando suas fichas na renovação, através do apoio a candidatura do vereador Leonardo Martins Machado, o Piruka, um dos principais líderes progressista de Balneário Camboriú. Cristão novo no PP, Jorge Boeira tem dificuldades em transitar livremente com voz e vez na cúpula do partido, que historicamente revesa seus comandantes dentre aqueles que pertencem ao alto clero da sigla. Emplacar Piruka como presidente estadual do PP beira quase a utopia, mas Boeira não parece intimidado pelas circunstâncias. Na sua visão, “o PP precisa se abrir de vez, de modo a ser mais atrativo ao eleitorado catarinense”.

 

Fora do jogo

Quem também estava de olho no comando do PP Estadual era o deputado José Milton Scheffer. O parlamentar vinha articulando para emplacar na vice-presidência da sigla, o que fatalmente o levaria à presidência do partido em uma eleição futura. Zé Milton, no entanto, foi comunicado que, para isto, precisaria deixar a liderança do PP na Assembleia Legislativa. “Preferi ficar na liderança, pois tenho um trabalho construído ao longo dos últimos anos que nos será muito útil para a eleição estadual do ano que vem”, comentou o deputado, ciente de que, mais cedo ou mais tarde, a presidência do PP catarinense lhe será oferecida, já que está justamente no Sul do Estado o maior potencial eleitoral do partido. No que diz respeito à eleição da executiva estadual, marcada para o próximo dia 21, Zé Milton deixa a entender que o deputado estadual Silvio Dreveck é seu nome preferencial para comandar o PP no lugar de Esperidião Amin.

 

FRASE 

“O destino me fez um chefe político, mas só exerço esta função pela consciência da responsabilidade do dever. Por vontade própria gostaria de ser professor, pois considero esta profissão muito mais honrada”.

 

Dom Pedro II (1825/1891) – Imperador do Brasil

 

CHARGE DO DIA

Mais de Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Bolsonaro: “Não leram, ou não entenderam”

Coluna de ontem era favorável a Bolsonaro, mas ainda assim recebeu...

Rolando Christian Coelho

O “perigo” Bolsonaro é mais que real

Bolsonaro é uma espécie de Lula da direita, só que sem medo de...

Rolando Christian Coelho

Afinal, quem comprou quem nesse país?

Advogado de Dilma diz que Eduardo Cunha comprou deputados. Mas qual...

Rolando Christian Coelho

Lula deve enfrentar Alckmin ou Bolsonaro

Maior dúvida, no entanto, é saber se petista poderá ou não...

Mapa de Editorias