Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

11 de setembro de 2017 00:14

Rolando Christian Coelho, 11/09/2017

Mesmo sabendo que Geddel era mais sujo que pau de galinheiro, três presidentes o nomearam para cargos importantes no Governo Federal.


Eu e os R$ 51 milhões do Geddel

 

Em 2001 estive em Portugal para fazer filmagens de um documentário que estava produzindo. No retorno para o Brasil o voo atrasou, fazendo com que os passageiros tomassem um chá de banco por horas a fio. Do nada, comecei a conversar com uma senhora de meia idade. Ela era brasileira e havia ido passar férias na Europa. Conversa, vai, conversa vem, e acabei falando que era jornalista político. Ela, por sua vez, se disse surpresa com a coincidência, já que havia atuado vários anos como assessora de políticos em Brasília. Ressaltou, no entanto, que havia mudado de atividade profissional, porque não aguentava mais ver tantos ladrões “como Geddel Vieira”. Disse isto me dando detalhes sobre a atuação do mesmo.

Na ocasião o nome de Geddel Vieira me soou distante. Era apenas mais um dentre tantos que já havia ouvido. No ano seguinte, em 2002, aconteceram as eleições estaduais e nacional. Na ocasião, nossa região elegeu Jorge Boeira, então no PT, e Leodegar Tiscoski (PP), deputados federais. Por conta disto fui à posse dos deputados em fevereiro de 2003. Na sala de imprensa da Câmara Federal comecei a conversar com outros jornalistas e, do nada, me veio o nome de Geddel Vieira na cabeça. Relatei a conversa que havia tido com a tal senhora em Portugal. Ali me foi reafirmado que o tal Geddel Vieira era mais sujo que pau de galinheiro. Os detalhes que me haviam sido ditos pela senhora foram confirmados na íntegra pelos colegas de imprensa. Não me contive e perguntei o porquê de Geddel não estar preso, diante de tantos fatos que o colocavam como um dos maiores ladrões do país. Os jornalistas, por sua vez, disseram que Geddel era blindado. Que mandava e desmandava no executivo, legislativo e judiciário, e que, por conta disto, ninguém o pegava.

Quase 15 anos depois Geddel se ferrou. Foi preso por corrupção, etc e tal, e acabou indo para casa cumprir prisão domiciliar, com direito a não usar tornozeleira eletrônica, o que acabou corroborando com as afirmações de que ele, de fato, mandava e desmandava em Brasília. Provavelmente dentro de um ano ou dois estaria pegando sol nas praias da Bahia, não fossem os R$ 51 milhões descobertos pela Polícia Federal no apartamento de seu amigo. Recursos que provavelmente eram usados justamente para que ele pudesse mandar e desmandar no centro do poder.

Desde que a história me foi contada pela primeira vez, se passaram 15 anos. Levando em conta que ele foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1990, é provável que, pelo menos nos últimos 27 anos, Geddel já colaborasse para deixar nosso país na situação em que está. Vale lembrar que nesse período ele foi Ministro da Integração Nacional do governo Lula, vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal do governo Dilma e Ministro-Chefe da Secretaria de Governo de Michel Temer. Ou seja, oportunidade para roubar é o que não faltou.

Vale lembrar que Geddel ocupou todas estas funções mais importantes depois de 2002, quando sua fama já era espraiada na Capital Federal. E não me venham dizer que Lula, Dilma e Temer não sabiam que Geddel era ladrão, pois até eu, aqui no fim do mundo, já tinha a ficha corrida do meliante.

 

Diplomatas

Citados de forma natural como pré-candidatos a prefeito de Araranguá em 2020, presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Daniel Viriato Afonso, e o presidente do Samae, José Hilson Sasso, têm agido de forma diplomática diante das especulações a este respeito. Ninguém sabe ainda qual será o texto final da Lei Eleitoral daqui a três anos, e, por conta disto, não há nem como saber se o atual prefeito, Mariano Mazzuco Neto (PP), concorrerá ou não à reeleição. Não obstante a isto, Daniel e Sasso têm sido interpelados sobre a possibilidade da disputa ao executivo no próximo pleito municipal. Daniel se porta de forma mais comedida. Sasso não esconde o desejo de deixar seu nome à disposição do PP para o embate. Em que pese os interesses pessoais, um não alfineta o outro, o que é relativamente incomum nesses casos. Questão agora é saber até quando a diplomacia irá imperar.

 

Haja polêmica

Professores de Sombrio com quem tenho conversado têm se mostrando francamente contrários ao projeto de lei do vereador Vilmar Daminelli (PP), que pede para que seja retirado do Plano Municipal de Educação temas como a ideia de gênero sexual, e o debate sobre sexualidade em cursos de formação continuada para docentes. De um modo geral, os professores têm dito que o projeto se constitui em um grande atraso para a formação dos alunos, que convivem, no seu dia a dia, de forma rotineira com estes assuntos. De acordo com os professores, não há “como escapar” dos naturais questionamentos feitos pelos alunos concernentes a sexualidade. Sendo assim, muito melhor que o Plano Municipal de Educação contemple estes temas, preparando os professores para a abordagem, do que a municipalidade fazer uma opção pela negligência. É muito provável que mesmo que acabe sendo aprovado pela Câmara, o projeto seja vetado pelo prefeito Zênio Cardoso (PMDB).

 

Afastado

Presidente o PMDB de Sombrio, empresário Carlo Alano, tem se afastado do centro das decisões da política municipal. Figura até então presente nos principais debates que norteavam o executivo, o empresário tem mantido certa distância tanto no que diz respeito às tratativas da prefeitura quanto da Câmara de Vereadores. Considerado sucessor natural do prefeito Zênio Cardoso (PMDB) no pleito de 2020, Carlo Alano parece dar a entender de que está fora do páreo. Num primeiro momento disse isto de forma textual, ressaltando de que não tinha interesse algum em qualquer candidatura própria. Como ninguém acreditou, passou a jogar na defensiva, saindo dos holofotes. Neste contexto, passam a se ressaltar para a cabeça de chapa majoritária pela situação, nomes como o da vice-prefeita Gislaine Dias da Cunha (PR), o do presidente do PSB, Omir Stuart, e o do presidente da Câmara Municipal, Nego Gomes (PMDB).

 

Duas opiniões

Obra de pavimentação asfáltica da Serra da Rocinha, entre Timbé do Sul e São José dos Ausentes (RS), parece sofrer de uma dualidade crônica. Quando os políticos são interpelados a respeito dela, todos afirmam que os recursos necessários para sua conclusão já estão assegurados, e que constarão no Orçamento da União de 2018. Quando os questionamentos neste sentido são direcionados aos técnicos da obra, assim como ao pessoal do Dnit, a conversa é totalmente outra, sendo ressaltando de que os esforços são grandes, mas que nada está garantido, até porque o Orçamento de 2018 nem entrou em discussão ainda no Congresso Nacional. Este cenário, aliás, só reafirma o quanto é desorganizado nosso país. O Governo Federal da início a uma obra de R$ 100 milhões sem nenhuma garantia de que terá dinheiro para terminá-la. De repente, do nada, tudo pode ficar lá jogado, a exemplo de outras 436 obras Brasil afora que estão paradas por falta de recursos.

 

FRASE

“Vencer os adversários não diz muito sobre nós. Esta vitória pode ter sido facilitada pelas circunstâncias, ou ter acontecido por um lance de sorte. A única vitória verdadeiramente real é aquela em que vencemos a nós mesmos”.

Xavier Maistre (1763/1852) – Escritor e cronista francês

 

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