Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

11 de outubro de 2017 00:56

Rolando Christian Coelho, 11/10/2017

Mesmo com uma adesão menor do que em 2016, consultada popular demonstrou amplamente que população dos três Estados do Sul quer sua independência em relação ao Brasil.


Movimento O Sul é Meu País ganha força

 

Ainda que na consultada popular do último sábado, o movimento O Sul é Meu País tenha recebido menos adesão do que na consulta de 2016, nitidamente ele se mostrou mais forte em sua organização. No ano passado mais de 600 mil pessoas compareceram às urnas para votar maciçamente a favor da independência dos três Estados do Sul em relação ao resto do país. Neste ano foram 328 mil. Dois fatores foram prejudiciais para a queda da participação: o mau tempo, que se abateu sobre Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná durante o final de semana, e também a coleta de dados para o ingresso de um projeto de lei de iniciativa popular, junto aos legislativos estaduais dos três Estado sulistas, pregando, por óbvio, o movimento de independência. Para protocolar um projeto desta envergadura em uma Assembleia Legislativa é necessário que todos que o assinem preencham dados pessoais, incluindo até mesmo o número do título de eleitor. A morosidade deste trabalho acabou afastando muitos separatistas das urnas, principalmente nas cidades maiores, onde, por vezes, era necessário esperar duas ou três horas para votar.

Não obstante a isto, no entanto, o fato é que O Sul é Meu País parece, de fato, ter ressurgido das cinzas, e está muito mais maduro do que no início da década de 1990, quando carecia de uma base teórica mais sólida para prosperar. A popularização do movimento também é nitidamente maior, parte por conta da total desilusão em relação ao cenário político nacional, parte por conta da facilidade de comunicação que temos hoje, em especial via redes sociais. Por consequência disto, não é nada difícil defender uma ideia surgida nos idos de 1830, que acabou culminando com a Revolução Farroupilha, cujos desdobramentos atingiram em cheio o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Tivesse sido levada aquela ideia adiante, provavelmente hoje teríamos um dos países com melhor qualidade de vida de todo continente americano, provavelmente somente atrás dos Estados Unidos e do Canadá.

A grande questão é saber se aquele tempo já passou, ou se ele está ainda mais presente. Um dos principais problemas para a criação de um país englobando os três Estados do Sul está na manutenção da máquina pública, assim como no passivo trabalhista a ser herdado do Brasil. De cara, isto consumiria mais de 50% dos nossos recursos. Proclamada no passado, a própria história já teria dado um jeito de ter colocado “nosso país” nos eixos. Proclamada agora, sabe-se lá por quantas poucas e boas teríamos que passar até nos aprumarmos.

Nada disto, no entanto, deve servir de desalento para aquelas almas que sonham com os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Todavia, a discussão dos temas controversos é fundamental para que o próprio movimento se solidifique, se construindo até mesmo através de suas contradições. Este sempre foi o caminho trilhado por todos os países criados no mundo.

 

Duas medidas

Supremo Tribunal Federal rejeitou denúncia contra Renan Calheiros (PMDB/AL) na Lava Jato. Ele era acusado pela Procuradoria Geral da República por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os ministros do STF, integrantes da Turma que julgou o processo, consideraram que Renan não poderia ser acusado apenas por conta de delações premiadas. De quebra, o senador também foi absolvido da acusação de obstrução da justiça em um outro processo. Interessante que presídio da Papuda, em Brasília, está cheio de gente que entrou lá somente por conta de delações. Nenhum deles, por óbvio, era Renan Calheiros, que manda no Senado Federal, mesma Casa que tem poderes para promover o impeachment de qualquer um dos ministros do STF, tendo como base o artigo 52 da Constituição Federal.

 

Preparando

Presidente do PMDB de Sombrio, Carlo Alano, convocou reunião do diretório municipal do partido para hoje à noite, na Câmara de Vereadores, objetivando iniciar as discussões que culminarão com a eleição da nova executiva da sigla, no dia 21. Carlo tem relutado em permanecer à frente do partido, por conta de seus compromissos empresariais, mas é grande a pressão para que ele continue timonando a sigla, que venceu as duas últimas eleições municipais. O empresário, no entanto, tem sido explícito, ressaltando que sua contribuição já foi dada, e que está na hora de outro nome se dispor a levar os trabalhos do PMDB adiante. Um dos problemas é que a saída de Carlo Alano da presidência poderá desencadear uma divisão interna no partido. Vale lembrar que o próximo presidente terá muitos poderes, já que conduzirá o PMDB rumo à sucessão do prefeito Zênio Cardoso (PMDB), que, em tendo sido reeleito, não poderá concorrer novamente ao executivo em 2020.

 

Desordenado

Numeração das residências e comércios do bairro Januária, em Sombrio, carece de uma revisão urgente. Em boa parte de suas ruas e avenidas a numeração não apresenta lógica sequencial. A rua Aires de Medeiros, por exemplo, que é um dos principais acessos ao bairro, está com a numeração das residências totalmente desordenada, a exemplo da Santos Coelho e de tantas outras. De forma ilustrativa, o cidadão está no número 500, e ao lado está o 600, e daqui a pouco já é o número 200! Sabe-se lá quem começou esta moda, mas ela só é boa para quem quer fugir de intimação judicial. No que diz respeito a organização urbana é o que poderia ser de pior, já que passa a impressão de ser um bairro desleixado, contribuindo, até mesmo, para sua desvalorização patrimonial. Bem que a Câmara de Vereadores poderia alavancar essa discussão.

 

Pressão total

Prefeitos de todos os municípios do Extremo Sul, além de vários vice-prefeito e vereadores, estiveram ontem em Florianópolis, ocasião em que se reuniram com o secretário de Estado da Casa Civil, Nelson Serpa, para discutir a situação que envolve o anúncio do fechamento da Unidade da JBS Alimentos de Morro Grande. Os líderes políticos de nossa região foram solicitar que o Governo do Estado nutra esforços para que a JBS não feche, ou que aceite negociar sua venda, o que, em princípio, não estaria em seus planos, apesar das altas dívidas com agentes financiadores. Serpa, que representou o governador Raimundo Colombo (PSD) no encontro, disse que todos os esforços serão feitos visando buscar uma solução para o problema, que atingirá, também, de forma direta, os cofres do próprio governo. Há de se ressaltar que a JBS é uma das maiores pagadoras de ICMS para o Estado e seu fechamento significará perdas substanciais para os cofres públicos. O fechamento está marcado para dia 31 próximo.

 

FRASE

“A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos. Quem se dedica meramente ao acúmulo da riqueza é porque já perdeu muito do verdadeiro prazer que a vida proporciona”.

Arthur Schopenhauer (1788/1860) – Filósofo alemão

 

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