Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharel em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

12 de novembro de 2018 00:15

Rolando Christian Coelho, 12/11/2018


Legislativo e judiciário não entenderam a voz das urnas / /

Não à toa o povo brasileiro é tido como um dos menos aptos do mundo quando o assunto é interpretação de texto. A professora escreve que ‘João roubou a laranja’ e pergunta ao aluno quem é o sujeito. Metade diz que o sujeito é a laranja. A dificuldade que os brasileiros têm em interpretar a realidade é, de fato, algo que chega a ser grotesco.
Na semana passada o Senado Federal, instigado pelo Supremo Tribunal Federal, aumentou de R$ 33,7 mil, para R$ 39,3 mil, o salário dos Ministros do STF, o que causará um impacto de R$ 4 bilhões nas contas do Governo Federal, já que o reajuste se espraiará para uma legião de outros cargos públicos. Interessante que esta votação aconteceu dez dias depois dos brasileiros terem ido às urnas ratificarem seu total desprezo em relação a atitudes como esta. Ainda assim, legislativo e judiciário deram a entender que não compreenderam o texto que vem sendo escrito há tempos pela população de nosso país.
De quebra, o presidente do STF, Dias Toffoli, vem a público dizer que atacar o judiciário é atacar a democracia. Em princípio, salvo ledo engano, quem tem atacado a democracia, com atitudes como a que propiciou o aumento descabido, definitivamente, não são os brasileiros.
Mas, sem dúvidas, o que mais indigna é saber que um número considerável daqueles que votaram pelo aumento são políticos investigados em esquemas de corrupção, que, mais cedo ou mais tarde, serão julgados pelo próprio Supremo. Pelo que se percebe, apesar das pedradas recebidas, as velhas raposas continuam dentro do galinheiro.

Notas

No final de semana, durante realização do 21º Teleton, apresentador Silvio Santos lançou presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) à reeleição, e já emendou dizendo que juiz Sérgio Moro deveria ficar outros oito anos no poder, para que o país tomasse jeito. Participando ao vivo do programa por telefone, Bolsonaro deu corda para Silvio, dando a entender que o futuro Ministro da Justiça de fato é alguém digno da confiança dos brasileiros.

Partidos que manifestaram, de forma branca, apoio à eleição de Carlos Moisés da Silva (PSL) ao Governo do Estado, no segundo turno, ainda estão desorientados em relação a que caminho seguir. Expectativa específica do MDB, enquanto partido, de ser convidado para as tratativas da transição governamental, não estão se confirmando. Em Florianópolis, especulações dão conta de que, por ora, Moisés só fala com o PSL, mas, mesmo assim, só da ouvidos a uma parte de seu próprio partido.

Depois de dois adiamentos, expectativa é de que seja julgado nesta semana, no Supremo Tribunal Federal, recurso do deputado federal João Rodrigues (PSD), que solicita a prescrição do processo que o condenou a cinco anos de prisão, e a consequente inelegibilidade. Caso o recurso de Rodrigues seja acatado, na próxima legislatura ele tomará o lugar do deputado federal eleito Ricardo Guidi (PSD) na Câmara dos Deputados. Isto seria péssimo para o Sul do Estado, que perderia um deputado.

Por ironia do destino, grande parte das obras que vem sendo realizadas pelas prefeituras de nossa região, neste momento, só foram viabilizadas por conta de emendas parlamentares, ou ações junto a Ministérios, intermediadas pelo deputado federal Ronaldo Benedet (MDB). O emedebista, no entanto, amargou a quarta suplência de sua coligação no pleito deste ano e dificilmente voltará para a Câmara Federal no próximo mandato.

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