Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

13 de julho de 2017 00:08

Rolando Christian Coelho, 13/07/2017

Por mais contraditório que possa parecer, o mais provável que é que o episódio só sirva para fomentar ainda mais o nome de Lula com vistas a eleição de 2018.


A ‘prisão’ de Lula diante de 2018

 

Decisão do juiz federal Sérgio Moro de condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a nove anos e seis meses de prisão caiu como uma bomba no cenário político nacional. Como a pena é superior a oito anos, Lula só escapou do carcere privado por conta de um entendimento do Supremo Tribunal Federal, que obriga um julgamento em segunda instância que confirme a sentença proferida por Moro, em casos como o que envolve a figura de um ex-presidente.

O julgamento em segunda instância será no Tribunal Federal Regional da 4ª Região, de Porto Alegre. Além do risco de que a sentença seja confirmada, o que levaria Lula para a cadeia, há também a possibilidade de que o ex-presidente fique inelegível em 2018. É que ao ser condenado em segunda instância ele cairia na Lei da Ficha Limpa, ficando fora da próxima disputa presidencial, e também da de 2022.

A favor de Lula pesa o fato de que o Tribunal Federal de Porto Alegre tem levado cerca de dezoito meses para julgar novamente os processos de Sérgio Moro. Isto levaria, possivelmente, a decisão do caso do ex-presidente para o final de 2018, ou início de 2019, depois da eleição presidencial do ano que vem. Ou seja, em tese, Lula tem grandes chances de concorrer ao Palácio do Planalto, valendo-se, depois, do mandato presidencial para se escapar deste imbróglio.

A base para a sentença de Moro é o famoso triplex do Guarujá, supostamente comprado e reformado pela empresa OAS, e doado a Lula com dinheiro de corrupção, amealhado junto a Petrobrás. Pela acusação, Lula teria facilitado a contratação da OAS para realizar obras na estatal. Como uma forma de comissão, Lula teria recebido o apartamento e a sua reforma. A negociação total teria envolvido R$ 3,7 milhões. Como se sabe, Lula nega de forma veemente ser dono do tal triplex.

Na seara política os reflexos da condenação de Lula em primeira instância ainda são um mistério. Num primeiro momento, o que é natural, a tendência é a de que ele aumente sua rejeição junto a população. Todavia, são grandes as chances de que o ex-presidente ressurja das cinzas, ganhando ainda mais força para a disputa presidencial ano que vem. Por mais contraditório que possa parecer, o mais provável que é que o episódio só sirva para fomentar ainda mais o nome de Lula com vistas a eleição de 2018. Esta tendência só deve ser revertida se o Tribunal Regional de Porto Alegre determinar a prisão do ex-presidente até o primeiro semestre do ano que vem. Esta possibilidade, no entanto, é quase nula.

 

Prato feito

Começa a ganhar sentido Projeto de Lei do deputado estadual Dóia Guglielmi (PSDB) que prevê a extinção das Agências de Desenvolvimento Regional por parte do Governo do Estado. Agora, quem entrou na briga pela extinção das ADR´s é o também deputado estadual Gelson Merísio (PSD), candidato de Raimundo Colombo (PSD) ao governo catarinense. Em contundente pronunciamento da Assembleia Legislativa, ontem, Merísio ressaltou que as ADR´s perderam seu sentido de ser. No embalo, defendeu de forma veemente o projeto de Dóia, e também fez menção a outro projeto da deputada Ana Paula Lima (PT), no mesmo sentido. Por óbvio que Dóia, Merísio e Colombo estão orquestrados, construindo o clima para que as ADR´s sejam derrubadas na Assembleia. Do ponto de vista técnico, a iniciativa pode ser encarada como uma declaração de guerra ao PMDB, que defende a manutenção das Agências com unhas e dentes.

 

Preparando

Empresário araranguaense César Cesa (PMDB) parece francamente disposto a construir um novo projeto de eleição municipal para 2020. Candidato em 2012, ele acabou perdendo a eleição para Sandro Maciel (PT) por uma pequena margem de votos, em grande parte pela falta de uma coligação mais robusta, como a que foi construída pelo vencedor. Exímio articulador, César já está se dedicando montagem de uma aliança, que, de acordo com ele, “possibilitará ao PMDB de Araranguá enfrentar a próxima eleição para prefeito como franco favorito”. O empresário, no entanto, de esquiva assumir uma candidatura pessoal à prefeitura. “O projeto não passa por nomes, mas pela construção de uma ampla aliança política. Dentre os partidos desta aliança, aquele que estiver mais preparado e que deve ser o candidato”, enfatiza.

 

Tiro no pé

Líder do PSD na Assembleia Legislativa, deputado estadual Milton Hobus deu um tiro no pé de seu partido ontem. O parlamentar comemorou a condenação do ex-presidente Lula da Silva (PT) pelo juiz Sérgio Moro. Talvez ninguém tenha avisado ao deputado que há uma articulação desencadeada dentro do PT catarinense visando levar o partido a apoiar a candidatura de Gelson Merísio (PSD) ao Governo do Estado. Oficialmente, o PT tem tentado se aglutinar em torno da candidatura do deputado federal Décio Lima (PT) ao governo. A oposição interna a Lima, no entanto, é tão grande quanto sua vontade de disputar o governo. Outros líderes do PSD tentaram abafar as declarações de Hobus, ressaltando que se trata de uma posição isolada. Diga-se de passagem, nestes novos tempos da política, onde cavalo cruza com sapo, nunca esteve tão em voga o velho adágio popular dando conta de que boca fechada não entra mosca.

 

Trocando

Cúpula do PMDB de Araranguá tem articulado a entrada de dois ex-vereadores progressistas no partido. Arilton Costa – que disputou em 2012 pelo DEM – e Edir Gomes Batista, o Tico, estão com um pé no ninho peemedebista. Ano passado ambos voltaram a disputar o legislativo, mas acabaram amargando suplências. Sem espaço na Câmara de Vereadores, e também sem a possibilidade de serem aproveitados no executivo, Arilton e Tico têm conversado de perto com o comando do PMDB, dando franco aceno de que poderão entrar no partido, o que seria uma perda significativa para o PP. Quem também pode entrar para o PMDB araranguaense é o ex-vereador Antônio Pereira, o Toninho da Roça, que era do partido mas disputou o pleito de 2012 pelo PDT. Forte liderança ligada ao setor rural do município, o retorno de Toninho ao PMDB é bastante aguardada.

 

FRASE:

“É muito difícil calcular o que a Operação Lava Jato ainda nos revelará. Tudo começou com uma investigação de lavagem de dinheiro em um porto de gasolina. Agora já estamos na Petrobrás. Sabe-se lá o que mais há pela frente”.

Sérgio Moro (1972) – Juiz Federal

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