Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

9 de outubro de 2017 00:44

Rolando Christian Coelho, 09/10/2017

Desdobramentos de operações ligadas ao combate a corrupção é que acabarão por definir quem de fato será candidato ou não em nosso Estado.


Cenário em SC nas mãos de Sérgio Moro

 

Falta menos de um ano para a eleição de 2018 em Santa Catarina. O cenário político já está bem mais claro do que há seis meses, mas mesmo assim ainda paira uma série de dúvidas sobre quais candidaturas ao Governo do Estado estarão postas, como também, quem as orbitará.

O foco, por óbvio, são as candidaturas governamentais, pois delas irão derivar as composições majoritárias, a exemplo das proporcionais. Por conta disto, até mesmo a discussão de uma candidatura a deputado estadual por um pequeno partido aqui em nossa região acaba ficando prejudicada, já que é preciso primeiro saber com qual sigla este estará coligado.

Em princípio, o que temos é a pré-disposição de cinco partidos de disputar o pleito do ano que vem com candidatos ao governo. PSD, PMDB, PSDB, PT e PR. O PSD convergido francamente para a candidatura de Gelson Merísio. O PMDB, aparentemente, sintonizado com Mauro Mariani. O PSDB disposto a bancar mais uma vez Paulo Bauer. O PT buscando construir o nome de Décio Lima e o PR tentando semear a candidatura de Jorginho Mello. Além destas, como já é tradição, pelo menos mais três ou quadro candidaturas acabarão surgindo, patrocinadas por siglas como PCB, Psol, PSTU, PPL, ou agremiações do gênero.

O fato é que a concretização do que de fato deverá acontecer em nosso Estado está muito mais nas mãos do juiz federal Sérgio Moro, e também da Procuradoria Geral da República, do que de nossos próprios políticos. É que, como é sabido, nos últimos dez anos, em especial, a política brasileira foi marcada por um franco esquema de corrupção envolvendo empresas privadas, estatais, poder público e políticos. O problema é que ninguém sabe ainda o que virá pela frente. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, por exemplo, donos da JBS Alimentos, estão presos e prestes a serem sentenciados a nada menos que dois mil anos de prisão. Pessoas como eles, nesta situação, colocam até a própria mãe na guilhotina e ainda puxam a alavanca.

Gelson Merísio, por exemplo, já foi citado nas delações da JBS, assim como o próprio governador Raimundo Colombo (PSD). Sabe-se lá quantas outras situações virão. Do mesmo modo, o PMDB permanece apreensivo, já que, por ora, o partido em Santa Catarina está incólume. Mas será que o PMDB é de fato tão inocente assim? E o que se dirá do PR de Jorginho Mello, partido que era um dos principais sustentáculos do governo de Lula e Dilma. Vale lembrar que Décio Lima também já foi citado como beneficiário de caixa 2, assim como outros políticos do PSDB catarinense, sigla de Paulo Bauer.

É justamente dos desdobramentos futuros das operações anticorrupção que vêm sendo desencadeadas no Brasil que dependerá os próximos passos da política catarinense. Desdobramentos que poderão fazer surgir no cenário novos nomes e novas situações de composição. É provável que em outros Estados, como os do Norte e do Nordeste, a Lava Jato vá interferir de forma muito superficial nas articulações que vêm sendo construídas até agora. Já em Santa Catarina, considerado o Estado mais conservador de toda a federação, uma pedrada na água é um tsunami. Um tsunami, então, é o fim da humanidade. Que o diga o ex-deputado progressista João Pizzolatti, que teve que se mudar de mala e cuia para os confins de Roraima depois de ser pego com a boca na botija.

 

Apenas dois

Para variar, na calada da noite, Câmara dos Deputados aprovou projeto que tratava da criação do Fundo Partidário, que, com dinheiro público, bancará a sustentação da grande maioria dos partidos no país. Dos 16 deputados catarinenses, apenas Pedro Uczai (PT) e Décio Lima (PT) votaram pela criação do Fundo, que destinará para os partidos, todos os anos, R$ 1,7 bilhão. Em nível nacional, PT e PCdoB foram os únicos partidos que tiveram todos os seus deputados votando de forma favorável a criação do Fundo Partidário. Deputados do PMDB e do PSDB, a exemplo de outros considerados de centro, não chegaram a um consenso em relação à votação, com parte dos parlamentares votando a favor e parte contra. Já os de direita votaram em sua maioria contra a criação. A única exceção foi o DEM, que mesmo sendo de direita, teve 80% dos deputados votando a favor do Fundo. A explicação é bem simples: quem votou contra é porque sabe onde buscar os recursos para as campanhas na iniciativa privada. Quem votou a favor é porque não tem as portas abertas junto ao empresariado, como os petistas e os comunistas.

 

Mais energia

Está sendo finalizado, pela Celesc, projeto que irá implantar uma linha de transmissão de energia entre Ermo e a divisa com Jacinto Machado, numa extensão de dez quilômetros. A empresa que implantará a linha venceu a licitação com um orçamento de R$ 1,4 milhão, 30% a menos do que estava previsto inicialmente. Caberá a Cejama implantar a linha entre a divisa dos dois municípios e o centro de Jacinto. De acordo com o presidente da cooperativa, Valdomiro Recco, a expectativa é que a partir de 2018 a qualidade da energia oferecida aos consumidores de seu município seja substancialmente superior, o que beneficiará, principalmente, o setor industrial. Neste mesmo seguimento, também está em fase de implantação a linha de transmissão entre Sombrio e São João do Sul, com vistas a atender os municípios que têm distribuição de energia pela Ceprag. A empresa vencedora da licitação para esta segunda implantação teve problemas de ordem administrativa-financeira, o que fez com que os serviços sofressem atraso em seu cronograma. Aparentemente esta situação já foi resolvida. Implantadas as duas linhas, vários municípios da região passarão a ser um atrativo e tanto para o setor industrial.

 

Eleitor corrupto

Vereador sombriense Edson Martins da Rosa, o Som da Garuva (PMDB), popular por emitir opiniões contundentes na tribuna da Câmara Municipal, diz estranhar o porquê da população reclamar tanto dos políticos. De acordo com ele, boa parte dos que mais reclamam são aqueles que mais vivem correndo atrás de políticos pedindo uma coisa e outra. “Quando chega um deputado, então, o pessoal enlouquece e é uma puxação de saco que não para mais. Todo mundo querendo alguma coisa”, alfineta o parlamentar. Em linhas gerais, diga-se de passagem, esta é a mesma opinião que a grande maioria dos políticos têm dos eleitores, só que ela não é manifestada publicamente. Do ponto de vista dos políticos, o grande corrupto do sistema eleitoral é o próprio eleitor, que cobra, de forma direta ou indireta, pelo voto. A somatória destas pequenas cobranças, em uma esfera nacional, acabaria por dar origem aos grandes casos de corrupção do país. Os R$ 100 milhões roubados lá em cima, acabariam virando cem mil pares de óculos ou dentaduras cá embaixo.

 

O Sul é Meu País

Movimento O Sul é o Meu País realizou no sábado mais uma votação, simbólica, para saber se a população de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná quer sua independência em relação ao resto do Brasil. Até o fechamento desta edição cerca de 80% das urnas já haviam sido escrutinadas, e o resultado parcial dava conta de que 96,5% dos votantes se manifestaram de forma favorável a independência. Em 2016 já havia acontecido uma votação similar a esta, com 95% dos votantes tendo se manifestado no mesmo sentido. O aumento do percentual, por óbvio, cresce na medida em que cresce também os desmandos vindos de Brasília. Interessante lembrar que O Sul é Meu País nasceu, no início da década de 1990, através da iniciativa do ex-deputado estadual gaúcho, e também ex-prefeito de Laguna, Adilcio Cadorin, que hoje é advogado na terra de Anita Garibaldi. Naquela época o movimento era bastante forte no Rio Grande do Sul e depois em Santa Catarina, com o Paraná sendo quase um mero observador. Desta feita, os paranaenses estão em pé de igualdade em relação a organização dos demais, por certo, por influência dos desdobramentos da Lava Jato, sediada em Curitiba.

FRASE

“Um dos problemas da política é que há muita hipocrisia nela. Os políticos falam apenas o que os outros querem ouvir, e não o que eles realmente pensam. Eu, pelo menos, não minto. Se as pessoas gostam, ou não, é uma outra história”.

Donald Trump (1946) – Presidente dos Estados Unidos da América

 

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