Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

17 de julho de 2017 00:09

Rolando Christian Coelho, 17/07/2017

Cláusula de barreira, lista fechada de votação e o fim das coligações são ações mais do que necessárias para que Brasil comece a se alinhar com a civilidade política.


As reformas necessárias na política

 

Não há no mundo nenhum país com estabilidade política e econômica que mantenha um sistema político eleitoral similar ao do Brasil. Os chamados ‘sistemas cristalizados’, passam longe do que conhecemos como política. Na verdade, no Brasil mantemos um sistema eleitoral que é justamente o contrário daquilo que vigora em países como os Estados Unidos, Canadá, e na maioria dos que estão no continente europeu, com destaque para Inglaterra, Alemanha, França e Espanha, que possuem sociedades populosas e, portanto, complexas de se administrar.

A primeira grande diferença entre estes países e o Brasil, no que diz repeito ao sistema eleitoral, está relacionado a quantidade de partidos. É que, ao contrário deles, no Brasil não há a chamada cláusula de barreira. A Inglaterra, por exemplo, possui mais de 200 partidos, mas no máximo cinco ou seis conseguem eleger vereadores ou deputados, pois os demais não conseguem atingir, no mínimo, 5% do eleitorado nas eleições. A cláusula de barreira é o primeiro passo para que um parlamento não fique retalhado em vinte, trinta forças políticas, que só buscam, cada qual, manter seus interesses, em detrimento do interesse da coletividade. Instituir a cláusula de barreira na política brasileira é, sem dúvidas, o primeiro passo para começarmos a acabar com as siglas de aluguel e com as negociatas nos parlamentos do país.

Outra medida controversa, mas necessária do ponto de vista da Ciência Política, é a necessidade de se promover eleições proporcionais através de listas fechadas. É preciso que o eleitor escolha um partido para votar, e que este partido diga quais, dentre os seus, devem ser os primeiros a serem eleitos. Esta é a única maneira de se acabar, aos poucos, com o personalismo que reina na política brasileira, pois tirará o poder dos políticos, transferindo este poder aos partidos, enquanto instituições. A lista fechada é amplamente utilizada nas grandes democracias do mundo.

O fim das coligações é outro passo fundamental para que a política nacional seja passada a limpo. Aqui mesmo, em Santa Catarina, já tivemos uma coligação estadual que contava com siglas como o Partido dos Trabalhadores e o Partido Liberal, como se sabe, ideologicamente antagônicos. Na prática, os votos dos pestistas ajudaram a eleger políticos do PL, e vice-versa, embora seus discursos fossem totalmente contraditórios.

Ao se proibir as coligações, fatalmente se diminuirá o número de partidos dentro das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e do Congresso Nacional, fazendo com que o entendimento nos parlamentos seja facilitado, o que facilita também a relação com o poder executivo.

Estes são pontos essenciais para começarmos a trilhar por um caminho menos tortuoso na política nacional. Sem a implantação deles, no entanto, será muito difícil rompermos com o que está ai posto, libertanto o Brasil, definitivamente, do coronelismo e do personalismo político.

 

PP com PSD

Presidente da Assembleia Legislativa, deputado Silvio Dreveck (PP) tem engrossado o coro dentro de seu partido a favor de uma aliança com o PSD, mesma tese defendida pelo deputado estadual José Milton Scheffer (PP) e pelo ex-deputado federal Leodegar Tiscoski (PP). De acordo com Dreveck, o PP precisa estreitar seus laços com o PSD e começar a manifestar apoio ao projeto do deputado estadual Gelson Merísio (PSD), que pretende ser candidato ao Governo do Estado ano que vem. Para o presidente do parlamento catarinense, o PP não tem espaço para postular uma candidatura ao governo com chances de eleição. Na sua visão, buscar uma união com o PSD de Merísio e Raimundo Colombo, e com o PSB da família Bornhausen, é o caminho natural dos progressistas, com vistas a retomada do poder no Estado. Silvio Dreveck também nutre esperanças de que o PSDB possa compor com o grupo, numa espécie de ‘todos contra o PMDB’.

 

Nome forte

É crescente, na região, especulação quanto a possibilidade do vereador sombriense, Marcello Areão (PT), concorrer à Assembleia Legislativa ano que vem. Eleito em 2012 e reeleito em 2016, Marcello é um dos poucos ‘sobreviventes’ do PT aqui no Extremo Sul depois do tsunami causado pela Lava Jato a sua sigla. O partido deixou de comandar as prefeituras de Araranguá e Jacinto Machado, e também perdeu a vice-prefeitura de Maracajá. A maioria das cadeiras que a sigla ocupava nas Câmaras de Vereadores de nossa região também foram perdidas, ou renovadas por outras lideranças mais moderadas do partido. De quebra, o coordenador regional do PT, ex-prefeito de São João do Sul, Alex Biachin, deixou o partido. Diante dos fatos, Marcello acabou se fortalecendo e vigorando, de forma natural, como uma das melhores opções do PT do Extremo Sul para concorrer como candidato a deputado estadual ano que vem.

 

Fortalecendo

PSD aqui do Extremo Sul começou um trabalho de fortalecimento do partido em nível regional. Em reunião realizada no sábado, em Jacinto Machado, a sigla, que tem o vice-prefeito Aldo Brognoli, recebeu 50 novos filiados. De acordo com a coordenadora regional do PSD, Gisela Scaini, este tipo de iniciativa deverá ser reproduzida em todos os municípios da região, “mas tudo a seu tempo”. Conforme ela, é preciso, antes de tudo, respeitar a realidade de cada município. Em linhas gerais, o PSD do Extremo Sul pretende, num primeiro momento, buscar mais filiações naqueles municípios onde o partido tem diretório e executiva consolidados, com representantes eleitos, e, num segundo momento, ir buscando o crescimento do partido naqueles municípios onde a estrutura não é tão grande assim. “Vamos respeitar estas realidades sempre incentivando que as filiações sejam feitas de maneira contínua”, comenta a coordenadora.

 

Emenda Lula

A tal da Emenda Lula, do deputado federal Vicente Cândido (PT/SP), é de assustar o vivente. Se a iniciativa do parlamentar for aprovada, qualquer pessoa que quiser ser candidata numa eleição vindoura, não poderá ser presa oito meses antes do dia do pleito, salvo flagrante delito. Fico imaginando um traficante se filiando a um partido e dizendo que será candidato na eleição seguinte. Oito meses antes da eleição ele não poderia ser preso. Não precisa nem dizer que não faltaria partido para vender vaga de candidato para tudo quanto é tipo de vagabundo. Para aumentar a piada, nada garante que o tal filiado disputará a eleição, já que as convenções para a escolha de candidatos só acontece três meses antes do pleito. Ou seja, o cidadão poderia ficar cinco meses protegido contra prisão, sem nem sequer ser candidato de verdade. Dizem as más línguas que a iniciativa visa proteger Lula quanto a possibilidade de prisão, mas isto é pura maldade da oposição.

 

FRASE

“Impedir a continuidade de nosso governo é um retrocesso para o país. Em trinta meses vamos produzir mudanças no Brasil que já eram necessárias há mais de trinta anos”.

Michel Temer (1940) – Presidente da República

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