Geral     18 de maio de 2017 13:37
Autor: Gislaine Fontoura
Araranguá

Comoção e revolta em velório de jovem morta a facadas por ladrão

Familiares vieram de outras cidades do Estado para o sepultamento de Francine da Silva Peres, brutalmente assassinada na noite de terça-feira, em Arroio do Silva. Velório e sepultamento foram realizados em Araranguá


O velório e sepultamento de Francine da Silva Peres, de 21 anos, brutalmente assassinada no início da noite de terça-feira, em Arroio do Silva, aconteceu na capela mortuária do cemitério Cruz das Almas, em Araranguá. Familiares, amigos e colegas de trabalho e de faculdade aproveitaram para se despedir da jovem em clima de muita tristeza, mas também de união para juntar os pedaços de uma família que foi destroçada. Percebia-se ainda um sentimento de impunidade, apesar da prisão do assassino.

Um tio de Francine, Avelino Silva, de 54 anos, que mora em Florianópolis, fez um desabafo indignado. “Uma menina de 21 anos, que estudava para se formar em Fisioterapia daqui um ano, trabalhava por um Brasil melhor e teve sua vida ceifada por um ser bestial destes, que desferiu duas facadas nela para roubar um celular e um relógio e foi embora. Este ser bestial vai estar hoje nas penitenciárias, gastando nosso dinheiro, esta é a verdade. O Brasil hoje tem uma cultura em que o bandido é o coitadinho e a vítima muitas vezes é renegada. Nós estamos aqui no velório e até agora não apareceu ninguém de direitos humanos para perguntar se a minha irmã vai conseguir viver a vida dela. Se põe no lugar de uma mãe que perdeu a filha para um ser bestial, que o nosso imposto vai sustentar, é difícil, é muito difícil para nós, como família, conseguir conviver com uma situação destas”, disse Avelino, com os olhos cheios de água.

Francine era filha única, morava com a mãe de 63 anos e com um filho de dois anos, que ficou com uma tia, durante o velório e enterro, sem saber que a mãe havia morrido. “Nós estamos poupando o menino, porque seria muito triste para ele”, ponderou o tio. Já a mãe de Francine ficou ao lado do caixão da filha, inconsolável e visivelmente abalada. “Minha irmã está arrasada, pergunte para uma mãe o que é sobreviver a um filho?”, lamentou Avelino.

Indignação

Uma tia, Jane Cruz da Silva, de 51 anos, falou que tinha Francine como filha e espera por justiça. “Eu trabalho no Samu e estava trabalhando quando recebi a notícia, no momento não acreditei, a gente é acostumada a socorrer os outros e nunca pensa que vai acontecer com um familiar. Larguei meu plantão e vim dar apoio para a mãe dela. Francine era uma menina que não matava uma mosca sequer, todo mundo gostava dela. Agora só podemos esperar que ele pague pelos crimes que cometeu, ele desmoronou uma família, deixou uma criança sem mãe’, asseverou.

Outro tio, Jorge da Silva, de 59 anos, foi quem contou para a avó materna de Francine,de 85 anos, a atrocidade que aconteceu com a neta.“Procurei trazer ela para nosso sentimento, fazendo com que ela, como sendo matriarca da família, consiga ser esteio neste momento, em que a filha, que é mãe da menina, precisa do apoio dela, com isto ela compreendeu e está sendo forte neste momento, está reagindo bem, é uma situação muito traumática para a família toda, é impossível conceber um ato desta natureza”, ponderou.

Gabriela Silva Mendonça e Bianca de Matos Scandolara, colegas de Francine, na faculdade de Fisioterapia da Unesc, contaram que ela era muito batalhadora. “Como mãe também sempre mostrou para a gente muita responsabilidade, era uma pessoa muito tranquila”, disse Gabriela. As duas receberam a notícia por WhatsApp, de uma colega que também mora em Arroio do Silva e ficaram arrasadas. “Recebemos a notícia com muita dor, de uma forma muito cruel, eles levaram a Fran embora”, lamentou Gabriela.

A família materna de Francine é bastante grande, sete irmãos da mãe vieram para o velório, missa de corpo presente e enterro da sobrinha, muitos de outras cidades do estado.

O crime

Terezinha Teixeira Peres, de 55 anos, tia de Francine e Fernanda Peres Conser,20, foram as primeiras a encontrar a jovem sem vida. Francine morava no bairro Areias Brancas e tomava banho todo dia na casa da tia, no bairro Erechim, próximo de seu trabalho, para ir a faculdade. Terezinha e Fernanda, que está grávida, ficaram reféns do mesmo marginal que matou Francine e acreditam que só se salvaram, porque dois rapazes passaram na frente da casa e o bandido se assustou e fugiu. “Minha sobrinha tem a chave para entrar, ela entrou, talvez deixou a porta encostada, a gente tinha saído para dar umas voltas, quando chegamos, ele já estava dentro de casa, saindo do quarto, berrando e mandando a gente calar a boca, com a faca na mão e ameaçando. Ele botou nós duas para dentro e viu dois moços passando na rua, talvez por isto não nos matou”, relatou a tia.

O assassino roubou alguns pertences da família, colocou debaixo do braço e saiu correndo. “A gente entrou e fechou a porta, quando ele saiu, entramos no quarto, estava tudo bagunçado, eu pensei na Francine e saí gritando o nome dela, em direção ao banheiro, quando abri a porta ela já estava morta, em uma poça muito grande de sangue, eu não queria nem que minha filha visse, porque ela está grávida, mas ela acabou vendo um pouco da cena também. Saímos na rua e começamos a gritar, entramos em uma casa e chamaram a polícia”, relatou a tia.

As primas eram muito amigas. “Ela todo dia levava o filho para a creche, para ir trabalhar, estudava para dar um futuro melhor para o menino. Não dá para entender acontecer um negócio destes com ela”, revelou a prima. A tia ainda disse que a imagem da sobrinha morta não sai de sua cabeça.

Francine foi assassinada por Márcio dos Santos Salgado, de 34 anos, preso logo após o crime, com a roupa ensanguentada e a faca que usou para matar a jovem. Na delegacia, o bandido confessou outro homicídio, praticado dias antes, também em Arroio do Silva, e mostrou onde estava o corpo. Márcio é natural de Santo Antônio das Missões/RS e morava no Arroio há dois meses. Na tarde de quarta-feira foi encaminhado ao Presídio Regional de Araranguá.

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