Curioso

23/04/2017 18:00

‘O vovô está dormindo’: o povo que vive com parentes mortos em casa


Pouca gente gosta de falar ou pensar sobre a morte, mas em uma região da Indonésia, os mortos participam do dia a dia da população.

Um cheiro forte de café inebria o ar dentro de uma sala de estar repleta de painéis de madeira. Vozes ecoam dentro do espaço, que não tem móveis e possui apenas alguns quadros pendurados na parede. Veja o vídeo.

Trata-se de um ambiente intimista e acolhedor.

“Como vai seu pai?”, pergunta um dos convidados. O humor muda rapidamente. Todos olham para um pequeno quarto no canto, onde um homem idoso está deitado em uma cama colorida.

Família ainda acha que Paulo Cirinda está vivo (Foto: BBC)Família ainda acha que Paulo Cirinda está vivo (Foto: BBC)

Família ainda acha que Paulo Cirinda está vivo (Foto: BBC)

“Ele ainda está doente”, responde calmamente a filha dele, Mamak Lisa.

Sorrindo, ela se levanta e caminha em direção ao idoso, e o balança gentilmente.

“Pai, temos alguns visitantes para você. Espero que você não fique zangado ou se sinta desconfortável”, acrescenta ela.

Então, ela me convida para entrar no quarto e conhecer Paulo Cirinda.

Os meus olhos estão fixados na cama. Paulo Cirinda está completamente imóvel – nem pisca – embora eu dificilmente possa ver seus olhos através de seus óculos empoeirados.

A pele dele tem um aspecto áspero e cinzento, perfurada por inúmeros buracos, como se tivesse sido comida por insetos. O resto do corpo está coberto por várias camadas de roupas.

 De repente, os netos dele começam a brincar dentro do quarto e me forçar a encarar a realidade.

“Por que o vovô está sempre dormindo?”, um deles me pergunta com uma risada insolente. “Vovô, acorde e vamos comer”, outro grita.

Nas várias cavernas da montanhosa região, são encontrados todos os tipos de ossos e esqueletos  (Foto: BBC)Nas várias cavernas da montanhosa região, são encontrados todos os tipos de ossos e esqueletos  (Foto: BBC)

Nas várias cavernas da montanhosa região, são encontrados todos os tipos de ossos e esqueletos (Foto: BBC)

“Shhh…parem de importunar o vovô; ele está dormindo”, Mamak Lisa agarra os dois. “Vocês vão deixá-lo zangado”.

Ocorre que Paulo Cirinda morreu há 12 anos – mas sua família ainda acha que ele está vivo.

Para quem vê de fora, a ideia de manter o corpo de um homem morto em casa parece grotesco.

Cadáver preservado

Mas para mais de 1 milhão de pessoas que vivem nessa parte do mundo – a região de Tana Toraja, na ilha de Sulawesi, na Indonésia – a tradição data de séculos atrás.

Aqui, os mortos estão muito presentes na vida dos vivos.

Depois que alguém morre, passam-se meses, anos, até que o funeral ocorra. Nesse ínterim, as famílias guardam os corpos em casa e cuidam deles como se estivessem apenas doentes.

Isso inclui levar comida, bebidas e cigarros duas vezes por dia para eles.

Os corpos são limpos e suas roupas trocadas regularmente.

Os mortos têm até um recipiente no canto do quarto para fazer “suas necessidades”.

Além disso, nunca são deixados sozinhos e as luzes permanecem acesas quando anoitece.

As famílias temem que, se não cuidarem dos corpos de forma correta, os espíritos podem voltar para assombrá-las.

Tradicionalmente, folhas e ervas especiais são esfregadas no corpo dos mortos para preservá-los. Mas, hoje em dia, muitos usam formol.

O líquido deixa um odor forte no quarto.

Acariciando carinhosamente as maçãs do rosto de seu pai, Mamak Lisa diz que ainda sente uma forte ligação emocional com ele.

“Embora sejamos todos cristãos”, explica ela, com a mão sobre o peito, “nossos parentes normalmente vem visitá-lo ou me telefonam para saber como ele está, porque acreditamos que ele pode nos ouvir e ainda está ao redor de nós”, acrescenta.

Diferentemente do que eu imaginaria, não me sinto desconfortável com a presença do morto.

Meu próprio pai faleceu há alguns anos, e foi enterrado quase que imediatamente – antes de eu ter tempo de digerir a notícia do que havia acontecido. Ainda não consegui lidar com o meu sofrimento.

Para a minha surpresa, Lisa me diz que ter o pai dela em casa a ajudou a superar o luto.

Funeral nababesco

Durante suas vidas, os Torajans trabalham duro para acumular riqueza. Mas, em vez de viver uma vida luxuosa, eles economizam para uma partida gloriosa. Cirinda vai permanecer ali até que sua família esteja pronta para se despedir dele – emocionalmente e financeiramente.

Seu corpo deixará finalmente a casa da família em meio a um funeral suntuoso, em uma grande procissão em torno do vilarejo.

Segundo a crença dos Torajans, os funerais são eventos nos quais a alma finalmente deixa a Terra e começa sua longa e difícil jornada para a Pooya.

A Pooya consiste no estágio final da vida após a morte. É ali que a alma reencarna. Os búfalos carregariam as almas para esse local e esse é o motivo pelo qual as famílias sacrificam o maior número possível desses animais, para facilitar a jornada para os mortos.

Outra tradição da região são os tau taus, imagens de homens e mulheres que morreram cuidadosamente esculpidas na madeira e decoradas com objetos pessoais  (Foto: BBC)Outra tradição da região são os tau taus, imagens de homens e mulheres que morreram cuidadosamente esculpidas na madeira e decoradas com objetos pessoais  (Foto: BBC)

Outra tradição da região são os tau taus, imagens de homens e mulheres que morreram cuidadosamente esculpidas na madeira e decoradas com objetos pessoais (Foto: BBC)

Poupança

Os Torajans passam a maior parte das vidas economizando dinheiro para esses rituais.

Com uma poupança gorda, eles convidam amigos e parentes. Quanto mais rico o morto tiver sido em vida, maior e mais elaboradas serão essas cerimônias.

O funeral de que participei era de um homem chamado Dengen, que morreu há mais de um ano. Dengen era um homem rico e poderoso. Seu funeral durou mais de quatro dias, durante os quais 24 búfalos e centenas de porcos foram sacrificados.

Em seguida, sua carne foi distribuída entre os convidados, enquanto eles comemoravam a vida de Dengen e sua reencarnação. O filho dele me contou que o funeral custou cerca de US$ 50 mil (R$ 155,6 mil) – ou mais de dez vezes o salário médio anual de um morador da região.

Não conseguia parar de comparar esse funeral a céu aberto, barulhento e cheio de opulência e cor – repleto de dança, música, risos e, claro, sangue ─ ao do meu pai.

Para o meu pai, organizamos uma pequena cerimônia intimista com a família em um local pequeno, silencioso e escuro.

Tenho uma recordação muito triste daquele dia – provavelmente diferente da que a família de Dengen terá.

Depois do funeral, é hora de enterrar o morto.

Enterro

Os Torajans são raramente enterrados debaixo da terra. Em vez disso, eles são enterrados em túmulos da família ou colocados dentro ou fora de cavernas – como a região é montanhosa, há muitas delas.

Esses locais abrigam vários corpos e caixões. Não raro, é possível se deparar com esqueletos e ossos ao relento. Amigos e família trazem presentes para os mortos – frequentemente dinheiro e cigarros.

Em uma tradição anterior ao surgimento da fotografia, as imagens de homens e mulheres nobres são cuidadosamente esculpidas na madeira.

Conhecidas como tau tau, essas esculturas usam roupas, joias e até cabelo dos mortos. Em média, custam cerca de US$ 1 mil (R$ 3,1 mil) para serem produzidas.

Ritual do ma'nene consiste em desenterrar corpos a cada dois anos  (Foto: BBC)Ritual do ma'nene consiste em desenterrar corpos a cada dois anos  (Foto: BBC)

Ritual do ma’nene consiste em desenterrar corpos a cada dois anos (Foto: BBC)

Ma’nene

Mas esse enterro não significa um adeus. A relação física entre os mortos e os vivos continua por muito tempo, por meio de um ritual conhecido como ma’nene, ou “purificação dos corpos”. A cada dois anos, os caixões são retirados dos túmulos e abertos para um grande encontro com os mortos.

Nas cerimônias de ma’nene, amigos e família oferecem comida e cigarros aos mortos, que são enfeitados e limpos. No final, posam com eles para retratos de família.

O professor de sociologia Andy Tandi Lolo descreve esse ritual como uma forma de manter “a interação social entre os vivos e os mortos”.

Depois das orações dominicais, acompanhei de perto um cortejo que partiu de uma igreja e seguiu para um pequeno edifício quadrado sem janelas e com azulejos laranja. Trata-se do túmulo da família. Os cânticos e os choros das mulheres criam uma atmosfera surreal. Todo mundo está aqui para o ma’neme de Maria Solo, que morreu há três anos – ela teria 93 anos agora – e foi enterrada há apenas um ano. Agora chegou a hora de seu regresso “ao mundo dos vivos”.

Os homens retiram um caixão cilíndrico vermelho decorado com figuras geométricas em ouro e prata. Por cima dele, os parentes mais próximos dispõem oferendas a Maria – folhas de coca, cigarros, nozes e orelhas de búfalo. Mas há outro ritual que precisa ser realizado antes de se abrir o caixão: o sacrifício do búfalo.

Eles finalmente abrem o caixão e, mais uma vez, o forte odor de almíscar e formol invade o ar. O corpo de uma idosa permanece imóvel dentro dali. O cabelo branco dela está cuidadosamente amarrado para trás de seu rosto, revelando seu rosto magro. Sua boca e seus olhos estão meio abertos e sua pele acinzentada lhe faz parecer mais uma estátua de pedra do que uma mulher morta.

Torajans são raramente enterrados debaixo da terra  (Foto: BBC)Torajans são raramente enterrados debaixo da terra  (Foto: BBC)

Torajans são raramente enterrados debaixo da terra (Foto: BBC)

Como os filhos dela se sentem, vendo sua mãe dessa maneira? Seu primogênito, um empresário que agora vive na capital da Indonésia, Jacarta, aparenta serenidade. Ele me diz que o ritual não o aborrece – pelo contrário, faz lembrá-lo sobre como paciente sua mãe “é e quanto ela me ama”.

Exatamente como a família de Cirinda, os parentes de Maria Solo ainda se referem a ela no presente, como se ela não tivesse morrido.

Uma vez que o corpo é exposto, os sinais de luto e tensão desaparecem. Até eu deixo de ficar nervosa. Outro convidado – próximo a Maria Solo – é Estersobon, sua nora. Ela me diz que o ritual alivia o peso de sua dor e a ajuda a relembrar as memórias dos entes queridos.

Eu digo a Estersobon que quero me lembrar do meu pai da forma como ele era quando vivo – e que eu ficaria aflita se eu o visse novamente morto.

Confesso que teria medo de mudar a imagem que guardo dele na minha mente. Mas Estersobon reforça que isso não faz diferença.

Depois de todo mundo ter passado algum tempo com Maria e tirar fotos com ela, chegou a hora de envolvê-la em um lençol branco. Em muitos vilarejos, eles mudam a roupa do morto e transportam o cadáver para uma peregrinação ao redor da aldeia.

Búfalos são sacrificados como parte do ritual de enterro dos mortos; eles seriam responsáveis pela jornada das almas do mundo físico ao espiritual  (Foto: BBC)Búfalos são sacrificados como parte do ritual de enterro dos mortos; eles seriam responsáveis pela jornada das almas do mundo físico ao espiritual  (Foto: BBC)

Búfalos são sacrificados como parte do ritual de enterro dos mortos; eles seriam responsáveis pela jornada das almas do mundo físico ao espiritual (Foto: BBC)

Cristianismo

Mas esses rituais estão desaparecendo lentamente, já que mais de 80% dos Torajans deixaram ser aluk to dolo (a religião dos Torajans) para se tornarem cristãos. Pouco a pouco, as tradições estão mudando.

No entanto, as duas religiões sempre coexistiram.

Andy Tandi Tolo diz que quando os missionários holandeses chegaram à Indonésia, cerca de um século atrás, tentaram proibir todo tipo de religião animista (crença de que não há separação entre o mundo espiritual e o material).

Nos anos 50, contudo, os colonizadores perceberam que, se quisessem que os Torajans aceitassem o cristianismo, teriam de ser mais flexíveis, e permitir que eles continuassem com seus rituais.

No resto do mundo, essas práticas parecem bizarras. Mas talvez os princípios por trás delas não sejam muito diferentes daqueles de outras culturas.

Por todo o mundo, costumamos nos lembrar de nossos mortos. Mas para os Torajans trata-se de algo especial.


23/04/2017 00:00

‘A alameda dos icebergs’: fenômeno atrai turistas a cidadezinha no Canadá

Gigante de gelo desceu do Ártico e encalhou na costa, oferecendo oportunidade de fotos e atraindo dezenas de equipes de TV.


Uma pequena cidade do Canadá tornou-se um destino turístico graças a um novo visitante: o primeiro iceberg da temporada.

Uma estrada de Ferryland, no leste do país, ficou entupida de tráfego e fotógrafos – profissionais e amadores -, segundo a emissora CBS News. Todos em busca do clique perfeito do gigante gelado.

A região costeira da província de Newfoundland e Labrador é conhecida popularmente como “alameda dos icebergs” por conta do grande número de blocos de gelo que passam por ali vindos da região ártica toda primavera.

 Turistas visitam Ferryland para ver de perto um iceberg  (Foto: Greg Locke/Reuters)

Turistas visitam Ferryland para ver de perto um iceberg (Foto: Greg Locke/Reuters)

O prefeito, Adrian Kavanagh, disse a uma emissora local que esse iceberg específico, abaixo e acima, parece ter encalhado e pode ficar na região por algum tempo.

Por ser bem grande e estar próximo da costa, ele serve como um fundo bastante atraente para boas fotos.

A maior parte de um iceberg fica submersa. Apenas sua ponta fica visível acima da linha da água. Isso significa que, ao se aproximar de regiões mais rasas, ele pode encalhar.

Isso é uma boa notícia para agências de turismo, disse o dono de uma dessas empresas à rádio CBC, porque os icebergs ficam parados em uma área que pode ser alcançada de barco.

Esta tem sido uma temporada movimentada na “alameda dos icebergs”, com centenas de icebergs já avistados no Atlântico e em número acima do normal para essa época do ano na região costeira.

 Icebergs encalhados são uma ótima notícia para agências de turismo  (Foto: Jody Martin/Reuters) Icebergs encalhados são uma ótima notícia para agências de turismo  (Foto: Jody Martin/Reuters)

Icebergs encalhados são uma ótima notícia para agências de turismo (Foto: Jody Martin/Reuters)


02/04/2017 00:00

As trilhas mais perigosas do mundo

Elevadas altitudes e grande risco de morte são fatores em comum entre as trilhas mais perigosas do mundo


Para homens apaixonados por adrenalina, passar por uma situação de perigo pode ser apenas o meio para a sensação de bem estar. No entanto, as trilhas mais perigosas do mundo assustam qualquer um. Até porque, não respeitar o risco que se corre nessas travessias pode resultar em acidente fatal. Bem que o velho ditado já dizia, “o medo é o que nos mantém vivos”.
Altitudes elevadas e risco de morte são os fatores em comum entre as trilhas mais perigosas do mundo. Caso o aventureiro queira chegar ao fim do percurso, estar com o preparo físico em dia e ficar atento a todo o momento é necessário. Conheça as cinco trilhas mais perigosas do mundo.
Monte Huashan
Só o fato de o Monte Huashan ser considerado uma das cinco montanhas sagradas da China já dá ao lugar um clima especial. O Monte possui cinco picos que proporcionam vistas deslumbrantes. O mais alto é o Pico do Sul. Ele possui 2.160 metros de altitude e chegar lá não é nada fácil.
A trilha começa em um gigantesco caminho de escadas esculpidas sobre rocha. Em alguns trechos é possível se segurar no corrimão de correntes, já em outros é melhor torcer para não ser traído pelo hipotálamo. Depois de subir a Escada Para o Céu, a sensação é que você chegou ao inferno, porque eis que chega a parte mais perigosa da trilha: um caminho de tábuas de 30 centímetros de largura preso à parede vertical da montanha. Para sua segurança, você pode se agarrar às correntes, também presas à montanha. Depois de o coração ir a mil, quando se chega ao topo da montanha é possível relaxar na casa de chá que fica localizada no topo da montanha.
Caso esteja pensando em visitar o Monte Huashan com sua namorada que tem medo de altura, relaxe. Para ir aos picos das montanhas também é possível pegar um teleférico. Estima-se que 100 aventureiros morrem anualmente nesse trajeto.

Vulcão Pacaya
Já que estamos falando de trilhas assustadoras, por que não subir um vulcão em atividade? Pode parecer loucura, mas essa trilha existe.
Localizado próximo à capital da Guatemala, o vulcão Pacaya tem 2.552 metros de altura. O percurso é rápido. Dura cerca de uma hora e meia e não é tão desgastante. Porém, o perigo está sempre por perto. Além de ter que passar por pedras quentes e afiadas – o que pode provocar pequenos cortes –, em alguns pontos a lava do vulcão passa bem perto. Se arriscar demais pode causar queimaduras fatais.
Outro fato que deixa essa trilha ainda mais apavorante é que nunca se sabe ao certo o quando o vulcão Papaya entrará em erupção novamente. A última vez que isso aconteceu foi em 2010 e resultou na morte de um jornalista.
Drakensberg Amphitheatre
Que tal fazer uma trilha pela maior montanha da África do Sul? O trajeto é longo, e percorre-lo dura cerca de três dias, dependendo do ritmo. Durante a noite, dorme-se em tendas ou em cabanas. O percurso é bem cansativo, mas as belezas colossais das montanhas sul-africanas compensam qualquer esforço.
Além de paisagens de tirar o fôlego, no trajeto é possível encontrar vários animais selvagens. Uma das partes mais encantadoras da trilha é o encontro com a cachoeira Tugella Falls, que possui 947 metros de altura e é considerada uma das maiores do mundo.
Entretanto, todo bônus tem seu ônus. Como todo o percurso é feito sobre montanhas, é melhor o trilheiro estar com as pernas fortes. Desníveis de relevo têm de na Cordilheira do Drakensberg. As partes mais assustadoras da trilha são as íngremes travessias sobre pedras soltas e as longas descidas pelas escadas suspensas. Em pouquíssimo tempo a região pode sofrer brutas mudanças de clima, e isso pode atrapalhar (e muito). No inverno, há trechos com neve.
Huayna Picchu
Quer ter uma vista panorâmica de toda Machu Picchu? Isso é possível, se você conseguir subir a Huayna Picchu, que fica a 2.700 metros do mar.
Pelo fato de Machu Picchu ser um dos mais importantes pontos turísticos do mundo, muitas pessoas querem fazer a trilha mais desafiadora da região. Entretanto, somente 400 pessoas podem fazê-la por dia. Antes de a trilha começar é necessário assinar um livro e o mesmo deve ser feito após o percurso ser concluído. Não pense que isso é feito para que você tenha seu nome gravado entre os desafiadores da Huayna Picchu. Fazer com que os turistas assinem o livro é apenas  uma forma dos guias terem certeza de que você não morreu no caminho.
A subida é cansativa e muitos degraus estão à espera dos aventureiros. Trechos estreitos e descidas perigosas estão em várias partes dessa trilha. O desbravador terá que conviver com o abismo em várias situações.
Caminito del Rey
O Caminito del Rey fica em Andaluzia, na Espanha. Sua rota possui mais de 100 anos e foi construída para que os trabalhadores pudessem chegar ao Rio Guadalhorse, onde estava sendo feita uma hidrelétrica. No dia da inauguração da represa, o então rei da Espanha, Afonso XIII, teve que passar por esse caminho, daí veio o nome da trilha.
Obviamente, hoje o caminho não se encontra tão tranquilo e favorável quanto o enfrentado pelo monarca espanhol. Em 2001 a trilha chegou a ser fechada devido a cinco mortes acontecidas entre 1999 e 2000. Porém, recentemente ela voltou a ser aberta após passar por reformas. Mas, nem pense que encarar o Caminito del Rey será uma tarefa fácil.
Quem resolver fazer o percurso atravessará o caminho de três quilômetros recheados de insegurança. Barras de ferro e pisos deteriorados são desafios a serem encarados para chegar ao fim da trilha. Enfim, esse caminho um dia já foi um lugar de fácil travessia, mas a falta de manutenção constante e a grande possibilidade de uma queda fizeram do Caminito del Rey uma das trilhas mais perigosas do mundo.
E o que você ganha atravessando o Caminito del Rey? Dessa vez, nenhuma xícara de chá estará esperando o aventureiro. Mas, as rochas do Vale da Laranja e o rio Gualdahorse embelezam todo o percurso. Só tome cuidado para não apreciar demais a paisagem e não prestar atenção no seu próximo passo.

 


19/03/2017 12:00

O advogado-robô que dá apoio jurídico a refugiados


Uma tecnologia criada para ajudar motoristas a apelar contra multas de trânsito está sendo usada nos EUA e no Canadá como uma ferramenta de auxílio legal para imigrantes em busca de asilo. Criado pelo britânico Joshua Browder, o serviço DoNotPay foi apelidado de “primeiro advogado-robô do mundo”. Trata-se de um chatbot, um programa de computador que conduz diálogos por intermédio de texto ou comandos de voz, que usa o Facebook Messenger para coletar informações sobre um caso de multa de trânsito antes de produzir recomendações e documentos legais.

Browder, que tem apenas 20 anos e hoje vive nos EUA, onde estuda na Universidade Stanford, adaptou o software para ajudar imigrantes a preencher a documentação para pedidos de asilo e para obter ajuda dos órgãos públicos.

A inspiração veio da história familiar: sua avó paterna foi uma refugiada judia austríaca durante o Holocausto.

Sistema faz perguntas sobre o tipo de apuros ou discriminação sofridos no país de origem
Sistema faz perguntas sobre o tipo de apuros ou discriminação sofridos no país de origem

Foto: Joshua Browder / BBCBrasil.com

Consultoria jurídica

O chatbot foi desenvolvido com o auxílio de advogados.

“Uma série de perguntas determina se um refugiado é elegível para proteção legal, de acordo com a legislação internacional. Por exemplo: ‘Você tem medo de se torturado em seu país?'”, explica Browder ao BBC Trending.

“Uma vez que um usuário saiba que pode pedir asilo, o programa coleta centenas de informações sobre ele e automaticamente preenche um formulário de imigração. Todas as perguntas feitas pelo bot são em inglês simples, e há feedback de inteligência artificial durante a conversa.”

O bot sugere maneiras para o interessado responder às perguntas de forma a aumentar as chances de ter o pedido aceito – um exemplo é a dica para descrever as violações de direitos humanos sofridas no país de origem.

Além de preencher formulários, o programa presta informações sobre documentos necessários para o processo e mesmo locais de entrega dos pedidos.

Por enquanto, o advogado-robô está disponível no Facebook Messenger, que pode ser usado também em telefones com sistema Android ou iOS, mas Browder quer expandir o serviço para mais línguas e outros aplicativos, como o WhatsApp.

Será que vai funcionar?

O DoNotPay got foi lançado em março do ano passado e, segundo seu criador, centenas de milhares de pessoas usaram o serviço para questionar multas por estacionamento proibido.

“Quando comecei a dirigir, aos 18 anos, comecei a receber um grande número de multas, e aí criei o serviço. Mas jamais imaginei que, em apenas um ano, ele seria usado para que mais de 250 mil multas fossem canceladas.”

Em agosto, o programa foi expandido para ajudar pessoas a encontrar acomodação de emergência.

Browder diz que a inspiração veio da experiência de sua avó, refugiada durante o Holocausto
Browder diz que a inspiração veio da experiência de sua avó, refugiada durante o Holocausto

Foto: Joshua Browder / BBCBrasil.com

Mas analistas da indústria de tecnologia creem que a invenção de Browder pode não ter o mesmo sucesso entre pessoas em busca de asilo.

“O chatbot de Browder é um grande exemplo de tecnologia que pode ajudar as pessoas”, diz Oliver Smith, jornalista do site especializado em notícias do segmento The Memo .

“Porém, refugiados estão entre os grupos menos conectados da sociedade. Um chatbot pode não ser a melhor maneira de ajudá-los. As pessoas que fugiram de seus países de origem frequentemente sofrem para ter acesso à internet quando estão viajando ou estão em campos de refugiados.”

Segundo um estudo da ONU, que considera a conectividade “tão vital para refugiados como comida, água e abrigo”, apenas 39% deles têm acesso à internet via celular.

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