Geral     18 de maio de 2017 14:00
Autor: Aline Bauer
Sombrio

Marcas que o tempo não apaga


A infância é o período de fantasia e aprendizado e tudo o que acontece nessa fase
pode ter impacto por toda a vida. Está comprovado que muitos medos e distúrbios psicológicos em pessoas adultas, começaram nessa época que deveria ser apenas para brincadeiras e boas lembranças. Uma sombra, porém, paira sobre crianças e adolescentes: o abuso e a exploração sexual. Os dados de uma pesquisa do Ipea(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), revelam números assustadores sobre o assunto, inclusive que 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes. O problema é tão grave, que 18 de maio é Dia Nacional de Combate ao
Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Para falar sobre o tema em
nível regional, o Correio do Sul conversou com a psicóloga do Creas de Sombrio, Maria
Madalena Martins da Silva, que atua na área há cinco anos. Confira a entrevista na íntegra.

O que, na sua visão, provoca o abuso sexual infantil?
Percebemos muita negligência. Muitos pais estão preocupados mais com consumismo do que em cuidar dos seus filhos, deixando-os com vizinhos e parentes, é nessa hora que as crianças são abusadas. Esse crime é silencioso e acarreta em outras coisas
também, como o abuso psicológico, porque a vítima precisa guardar segredo sobre
aquilo.

É possível perceber que uma criança está sendo abusada?
Toda criança abusada apresenta sinais. Começa a se fechar, deixa de comer, não
quer ir à escola, se isola, tem medo, pânico. É uma série de sinais que muitas vezes a
família não se alerta.

Há diferença de números de casos pelo gênero das vítimas de abuso?
Antes eram 90% meninas e 10% meninos, hoje já não é mais assim, é quase igual.
Sombrio é um dos municípios onde mais ocorre violência sexual. E até a questão cultural influencia também.

Quais as consequências do abuso para a vítima?
É muito difícil para a criança, mas nós trabalhamos para que ela consiga retomar a
sua vida, conversamos com a família após o crime, tentamos a reaproximação, a reconstrução do vínculo familiar, além de trabalhar com os pais, para preservar a criança também. Obviamente que o trauma fica, e isso pode um dia vir à tona,
afinal, houve um luto, uma infância foi perdida. Já atendemos mulheres que foram recebidas aqui quando crianças, e que hoje sofrem no casamento por conta desse trauma. O abuso sexual é uma das coisas que mais ficam na pessoa. A dimensão é incalculável.

Como você vê a internet nessa questão da exploração? É uma forma a mais de o criminoso se aproximar?
As redes sociais são um perigo, sim. Ali, o abusador é quem ele quiser. Não dá só
para limitar o computador de casa para certos conteúdos. É preciso trabalhar a criança
para ter consciência sobre os riscos.

Você percebe, aqui, um aumento dos índices de abuso?
Hoje é mais denunciado, pois trabalhamos bastante a prevenção. Mas não dá para
dizer, já que há muitos abusos que não aparecem. São números que não se pode acreditar.

Como se denuncia um abuso ou exploração sexual?
Quando chega até nós, no Creas, o abuso já foi comprovado. As denúncias podem ser feitas através do Disque 100, do Conselho Tutelar, e da polícia.

 

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