Mulher é morta na frente dos filhos em Jacinto Machado
17/02/2012
O primeiro homicídio do ano na região foi registrado na noite de quarta-feira, na localidade de Dois Irmãos, interior de Jacinto Machado. A presença dos filhos da vítima, de 11 e três anos, no momento de sua morte, aumenta ainda mais a comoção.
De acordo com a Polícia Militar de Turvo, Valcir Silveira, 40, deu um tiro de espingarda no lado direito da cabeça da mulher, Solene Marques Silveira, 25. Quando a polícia e bombeiros chegaram ao local, ela já estava sem vida. Segundo a PM, Valcir foi até a casa de um irmão e contou o que havia acontecido. O irmão retirou a arma de suas mãos, mas ele pegou uma faca e correu para o mato nas proximidades dizendo que iria cometer suicídio. Os pais de Solene receberam a má notícia por volta de uma hora da manhã. Antônio Paulino Marques e Elza Marques vieram do Paraná em busca de uma vida melhor em Santa Catarina. Logo se encantaram com a nova terra, mas não imaginavam nela perder por assassinato uma das três filhas. O casal possui também dois filhos.
Elza conta que começou a sentir um aperto no peito por volta das 21 horas de quarta-feira. Depois lembrou que a filha certa vez lhe disse que se acontecesse algo de ruim com ela pediria a Deus para avisar a mãe. Com o pressentimento ruim, o casal estranhou quando o chefe de Antônio apareceu de madrugada.
Durante algum tempo Solene viveu com os pais na localidade de Morro Azul, em Timbé do Sul. Depois ela e os irmãos foram trabalhar e morar em Dois Irmãos. Solene e uma irmã casaram com dois irmãos. Ela tinha apenas 14 anos e Valcir 28 quando foram morar juntos e mais tarde oficializaram a união. Os pais lembram que quando a moça completou 18 anos sua vida com o marido começou a sofrer transtornos devidos ao ciúme dele. Mas foi a cerca de seis meses que a situação piorou, com ela inclusive pedindo ajuda a família e aparecendo com hematomas por ter sido agredida por ele. Com o incentivo dos pais ela manteve o casamento, preocupada com as duas crianças que possuía. Ninguém imaginava que o destino seria tão cruel.
Elza recorda da filha risonha, que nunca via tristeza em nada. Bastante alegre, chamava atenção por não desanimar diante das dificuldades. Vaidosa, se cuidava e passou a trabalhar na Tramonto Alimentos para ajudar no orçamento familiar, sendo uma mãe amorosa e tia adorada pelos sobrinhos.
Para os pais a maior dor é saber que a filha foi assassinada ao lado dos netos Leandro, de 11 anos, e Taila, de três. O menino conta que ouviu o pai chegar e indagar a esposa sobre um amante. Ela respondeu que não tinha, mas que isso era algo que não podia provar. Quando parou de se defender das acusações ela ouviu mais ameaças e ele saiu. Quando retornou estava com a arma. O jantar foi interrompido quando Solene estava sentada ao lado do filho e foi atingida por um tiro. Valcir fugiu e Leandro foi em busca de ajuda. Antes pediu a irmã para ficar ao lado do corpo da mãe. Quando os avós chegaram o garoto disse que queria morar com eles e estava bastante abalado. Disse também que o pai cheirava a álcool. Já a menina contava a quem chegava que a mãe havia morrido.
Antonio e Elza esperam que as duas crianças fiquem juntas. O menino pediu para ficar com eles e a madrinha da menina se dispõem a criá-la. Deve ser a justiça a determinar o futuro dos irmãos que ontem ficaram na casa da avó paterna, que é viúva. A última vez que os pais viram Solene foi há cerca de 15 dias, quando ela foi com as crianças até Timbé do Sul. Na semana passada Antônio a viu em Morro Grande. Elza comenta que na segunda-feira, o genro teria passado na mãe, quando levava uma carga de banana, como caminhoneiro, e disse que era para cuidar das crianças caso acontecesse algo e ela pediu para parar com bobagens. Na sua opinião, o genro premeditou o crime motivado por ciúme.
Solene e Valcir moravam próximos a sogra e cunhados dela, na antiga escola da comunidade. O irmão dele, Valdecir Silveira, tão logo foi informado da fatalidade foi a comunidade. A mãe dele, bastante abalada, sente pela tragédia e teme pelo filho que se encontrava desaparecido. Valdecir e um sobrinho chegaram a se embrenhar nas matas com lanternas durante a madrugada, mas até ontem o assassino não tinha siso encontrado e ninguém sabia se ele estava vivo ou teria cometido suicídio. Solene foi velada no salão comunitário de Dois Irmãos e enterrada no cemitério municipal de Jacinto Machado.
Fonte: Correio do Sul
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