Água imprópria ameaça famílias em área rural
03/02/2012
A comunidade rural de Fundo Grande, uma das mais antigas de Araranguá e localizada a pouco mais de quatro quilômetros da cidade, ainda sofre com um problema primário, o abastecimento de água. O problema foi descoberto em 2009, quando análises feitas na água consumida por aproximadamente 25 família detectaram uma alta concentração de manganês, ferro, zinco e outros metais pesados. Portanto, imprópria para consumo.
De lá para cá, muitas reuniões com vereadores, Samae e prefeitura foram realizadas, sem que a situação fosse resolvida, afirmam os moradores que agora estão ainda mais assustados. O motivo que tem gerado tanta preocupação é que parte da população local começou a adoecer. Cerca de dez pessoas já precisaram realizar consultas médicas e outras cinco estão em tratamento de saúde por conta, segundo dizem, de doenças provocadas pelo consumo da água.
Ontem pela manhã a reportagem do Correio do Sul acompanhou a visita do vereador Lourival João, o Cabo Loro (PMDB), à comunidade. A agricultora Rosimeri Pereira Borges,34 anos, diz estar apavorada. "Incrível como ninguém dá atenção ao nosso problema por mais que a gente peça e implore. Enquanto isso, temos um número grande de crianças consumindo esta água e ficando doentes," reclama.
A última analise feita na semana passada revelou uma situação ainda pior que a divulgada em 2009, quando foi feita a primeira coleta. O resultado é visível no copo e na boca, pela coloração amarelada e o gosto de ferro. "Essa é a água que bebemos. Não temos alternativa e por isso estamos ficando doentes. Minha cunhada já consultou e o médico disse que ela tem alumínio no sangue por causa da água. O tratamento é caro e a prefeitura não paga," desabafa Rosimere. "É inadmissível que em pleno século 21 nossa cidade enfrente problemas primários como esse. Solicitei através de requerimento que o Samae esclareça em sessão na câmara o motivo pelo qual isso está acontecendo ainda e não foi apresentada nenhuma solução", disse o vereador.
Na residência de dona Olandina Prudêncio e de seu João Júlio de Souza, ambos com 72 anos, a água não serve mais nem para lavar roupa. E não foi por falta de tentativa. Ele conta que já fez cinco ponteiras, mas a água que brota da terra é sempre a mesma. "Tem cheiro forte e com cor escura. O gosto é de ferro," descreve o aposentado que reside no Fundo Grande há mais de 50 anos. Ele também tem a explicação para a causa do problema. "Não tenho dúvidas de que essa enorme quantidade de lixões que foram colocando aqui gerou tudo isso. Antes a água era boa, até que de uns anos pra cá foi ficando assim. Aterraram todos esses lixos aqui perto e a agua ficou poluída," acredita.
Depois de tanto reclamar, os moradores receberam uma sugestão do Samae. Agora eles terão que andar mais de seis quilômetros para buscar de trator a água tratada para beber. Além disso, terão que improvisar ou adquirir reservatórios para depositar a água que será cedida pelo órgão.
Horas depois da visita do Correio do Sul a comunidade, o diretor do Samae também esteve no local para conversar com os moradores. Ernani Palma Ribeiro Filho deu explicações e anunciou data para resolver definitivamente o problema. Reconheceu a necessidade e a péssima qualidade da água consumida pela comunidade e afirmou que o processo de licitação para a instalação da rede do Samae está em fase de finalização e nos próximos 20 dias deve estar concluído. Segundo Ernani, também as localidades de Campo Verde e o bairro Polícia Rodoviária Federal serão beneficiados. "Após concluir a licitação, estaremos iniciando as obras que devem durar cerca de 90 dias para enfim todos terem ter água potável," salienta. O projeto deve beneficiar mais de cinco mil pessoas no total e custará aos cofres públicos cerca de R$350mil.
Fonte: Correio do Sul
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