Famílias tentam salvar creche dona Maria Monteiro
10/02/2012
Mães de crianças que frequentam o Centro Educacional, Cultural e Social Dona Maria Monteiro Tiscoski, no centro de Sombrio, estão preocupadas com a possibilidade de fechamento do local e iniciaram um abaixo-assinado solicitando a sua permanência. O que ameaça a 'creche da dona Libânia', como muita gente conhece, é uma decisão judicial para desocupação do prédio dada pela juíza da comarca de Sombrio,
Alessandra Meneghetti. A desocupação foi solicitada à justiça pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, proprietário da área de 2.684,00m² onde a creche está instalada.
Originalmente o terreno pertencia aos empresários e irmãos Tedson e Valmir Tiscoski, proprietários da empresa Geloko, que faliu. A creche foi criada naquele período e levou o nome da avó dos dois. Mais tarde a Geloko fechou e a creche continuou atendendo, aberta a comunidade, hoje recebendo crianças de vários bairros. Em 2006 o BRDE arrematou o imóvel em um leilão e diz que comunicou a diretoria da creche de que o espaço teria que ser desocupado em três meses, não sendo atendido. O banco então protocolou na justiça pedido de restituição do imóvel e o ressarcimento das perdas e danos provenientes do uso indevido do imóvel a contar da data da notificação. A ação era contra a professora aposentada Libânia Coelho Luchina, que desde o início administra o Centro Educacional. Na contestação ela pediu uso capião do prédio alegando que o Centro o utiliza a mais de 20 anos e o requer o ressarcimento das benfeitorias feitas, avaliadas em R$ 467.350,00. Nenhuma das duas reivindicações foi acatada pela juíza, que alegou ainda na sua sentença que estando a dois anos na comarca nunca ouviu falar do trabalho do Centro Educacional Dona Maria Monteiro Tiscoski. No ano passado, porém, o Centro recebeu recursos do fundo do judiciário para aquisição de brinquedos, doados pelo juiz Luís Paulo Lodetti.
A sentença foi dada no dia 9 de janeiro sem contemplar o pedido de perdas e danos feito pelo BRDE. O banco vendeu o imóvel a um grupo de empresários sombrienses, entre eles o corretor de imóveis Aneron Kozuchovski, e tem pressa na desocupação da parte que é ocupada pela creche.
Na terça-feira, o secretário regional Heriberto Schmidt vai a Florianópolis pedir ao presidente do banco, que é estatal, a doação do prédio a creche. Pelas palavras do gerente jurídico do BRDE, Clênio Silveira, sua missão não é fácil. Segundo ele, não é possível fazer a doação a não ser através de um projeto do governo do estado aprovado pela Assembleia Legislativa. Clênio diz que antes da ação não tinha conhecimento da existência da creche, já que no processo constaria que ela teria servido apenas para receber filhos dos funcionários da Geloko. Se a empresa não existia mais, não haveria porque continuar existindo a creche. Segundo ele, no ano passado um técnico do banco veio a Sombrio e constatou que a Maria Monteiro não atendia mais do que 30 crianças. "Não é impossível doar aquela área, mas é difícil. De qualquer forma, ao pedir que desocupem o local estamos respeitando a decisão da justiça e continuará assim, o que o judiciário decidir acataremos", diz.
Em janeiro, atendendo apelo das mães, o Correio do Sul fez uma reportagem mostrando o trabalho desenvolvido na Maria Monteiro Tiscoski. Elas ainda acreditam que conseguirão reverter a situação. A creche funciona das 6h30 min às 18 horas, recebe crianças de zero a seis anos, que durante o dia fazem cinco refeições.
Fonte: Correio do Sul
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