Fazer identidade virou problema no Vale
27/01/2012
A emissão de carteira de identidade passa por mudanças no Extremo Sul e está gerando polêmica. Em Sombrio a situação ficou crítica depois do encerramento do contrato de quem fazia o serviço, que funcionava em uma sala da delegacia, e as férias do profissional que assumiu o ofício. Ou seja, não sobrou ninguém para atender a população.
Conforme o delegado regional Luiz Vanderlei Sala, a confecção e emissão das carteiras de identidade deixaram de ser subordinadas a Polícia Civil há cerca de quatro anos. O Instituto Geral de Perícias (IGP) ficou com a responsabilidade. Mas com poucos avanços estruturais no órgão que passou a ser independente, a Polícia Civil manteve a prestação de serviços para não prejudicar a sociedade. Os delegados inclusive continuaram assinando os documentos. "Passado um bom tempo desde que houve a mudança, resolvemos analisar a situação", explica Sala.
Em dezembro o assunto foi discutido pelos delegados da região, que decidiram não permitir mais que o serviço fosse prestado nas delegacias e não assinarem mais a carteira. Ficou então a cargo do IGP buscar um novo local para disponibilizar o atendimento, assim como pessoa competente para fazer a assinatura. "Ficamos esperando uma organização do IGP que não aconteceu", diz o delegado regional. A decisão então foi suspender de vez a partir de março as atividades. Sala expõe que foi comunicado o fato ao diretor de polícia e ao comando do IGP para que tomem providência. Por enquanto todas as delegacias, com exceção de Sombrio, ainda prestam o serviço, que será encerrado apenas no fim do próximo mês.
Com o encerramento do contrato de trabalho com a prefeitura do estagiário que fazia o serviço na delegacia, o IGP havia destinado um profissional para Sombrio, mas ele pegou férias em janeiro. A partir de então, os sombrienses precisavam ir a Balneário Gaivota para fazer carteira de identidade. Mas ontem foi o último dia desta parceria. A partir de hoje o serviço não estará mais disponível para sombrienses em Gaivota. A justificativa é que cada município precisa atender somente a sua demanda. O delegado regional não sabe que solução o IGP encontrará até a volta do profissional de férias.
O diretor geral do IGP, Rodrigo Tasso, afirma que até ontem a tarde não havia sido informado sobre a questão de Balneário Gaivota não poder atender mais os sombrienses. Pela proximidade entre os dois municípios, era o melhor arranjo para prejudicar a população. Rodrigo afirma que o Extremo Sul é a região do estado em que a situação está mais delicada. "O profissional do IGP que assumiu a emissão em Sombrio tinha direito e saiu em férias e não conseguimos suprir a carência. Estamos buscando novas contratações, mas há a burocracia dos trâmites legais. Não é como uma empresa privada. O posto em Sombrio está fechado devido a esta dificuldade. Mas conversarei com o delegado geral para buscarmos uma solução. Não queremos que a população sofra as consequências".
O diretor diz que respeita a decisão dos delegados da região, mas afirma que ela caberia ao delegado geral de Polícia Civil do estado ou a Secretaria de Segurança Pública. "Vou falar primeiramente com o delegado geral para evitar penalizar a sociedade. Não podemos fazer uma ruptura entre as instituições. Acredito que antes de março o impasse esteja resolvido". Se as pessoas já estavam se sentindo prejudicadas por ter que ir ao município vizinho, distante sete quilômetros de Sombrio, a reclamação será ainda maior se a solução for utilizar o serviço da Delegacia Regional, em Araranguá.
O Grupo Correio do Sul tem debatido o assunto. Na Rádio 93 FM, o prefeito exercício Vitor Luís Schmit Martins, que é policial civil, esclareceu a falta de responsabilidade pelo problema. "Não é um serviço que a administração municipal possa oferecer por conta própria", disse, diante das críticas que as pessoas fazem, algumas delas tendo o prefeito como alvo. No portal do Grupo Correio do Sul (www.grupocorreiodosul.com.br), o assunto também é levantado por ouvintes. "É um verdadeiro descaso com a população sombriense a falta de um funcionário para fazer as carteiras de identidade de nosso munícipio, temos que nos dirigir até a Gaivota", disse um deles. O que ele dirá ao saber que agora nem Gaivota está a disposição.
Fonte: Correio do Sul
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