O mais longo assalto de Sombrio numa quinta movimentada
17/02/2012
Um assalto ao Banco do Brasil registrado no início da manhã de ontem provocou tumulto e apreensão entre a população até a metade da tarde. Ao sair da agência, os bandidos deixaram em cima da mesa do gerente um artefato imitando uma bomba e o perímetro em torno do prédio, na avenida Getúlio Vargas, no centro da cidade, foi evacuado e isolado. Por volta das 15 horas, integrantes do esquadrão anti-bomba de Florianópolis chegaram a Sombrio e confirmaram que o objeto era feito de massa de modelar e sem carga explosiva. Só então a avenida foi liberada ao tráfego e o comércio próximo ao BB pode reabrir.
Conforme o delegado, André Luis Mendes da Silveira, a ação dos assaltantes ocorreu por volta das 7h50 min, quando dois funcionários chegaram em seus veículos ao estacionamento do Banco do Brasil. Ali foram rendidos por dois ladrões. Em seguida chegaram mais dois funcionários, também rendidos por uma outra dupla de bandidos. A partir daí, cada bancário que chegava era abordado e orientado a agir como se fosse um dia de trabalho comum. Depois de ter a munição da sua arma retirada, o vigia foi obrigado a ocupar o seu posto como se fosse mais um dia de rotina. Enquanto isso, os reféns eram ameaçados com fotografias que mostravam detalhes de suas vidas, deixando claro que eles estavam sendo monitorados e que suas famílias poderiam sofrer represálias caso não colaborassem.
Depois de pegar o dinheiro, o grupo fugiu em um veículo Polo de cor branca, com placas iniciando por MUN. Além dos quatro homens que estavam na agência, a polícia investiga a participação de um quinto e até de mais pessoas. Ao sair depois de quase uma hora, deixaram a suposta bomba na mesa do gerente e o aviso de que a polícia não fosse chamada antes da fuga, caso contrário, às famílias que eram monitoradas sofreriam consequências. O grupo não usava máscaras, conforme relato das vítimas portava apenas pistolas, e teria levado algo em torno de R$ 600 mil, informação não confirmada pela agência.
O perímetro próximo ao Banco do Brasil foi evacuado, o comércio foi orientado a fechar as portas, e isolado por volta das 10 horas, pegando muita gente de surpresa. Pessoas que tinham estacionado seus veículos naquele trecho ficaram impossibilitadas de retirá-los. Foi o caso de Fabiana Fraga da Silva, da Boa Esperança, em Sombrio, que veio ao centro com a intenção de voltar em poucos minutos. Em casa havia deixado à filha que tem necessidades especiais. Quando voltou para pegar o automóvel, não pode mais ultrapassar o cordão de isolamento feito pelos policiais. Como ela, outras pessoas tiveram o dia tumultuado. Para aumentar a insegurança e o medo, o município sofreu um apagão e por quase uma hora ficou sem energia elétrica e sem telefonia. Chegou-se a falar que os serviços haviam sido desligados por questão de segurança, mas tratou-se apenas de coincidência.
Neste período os assaltantes já não representavam perigo, mas a ameaça de bomba, sim. Ainda pela manhã foi acionado o esquadrão anti-bomba do Bope de Florianópolis. Antes de viajar os especialistas tiveram que aguardar que o helicóptero que usariam passasse por manutenção. A dupla da capital chegou por volta das 14 horas e quase uma hora depois desativava a 'bomba'. Conforme o comandante da Polícia Militar, tenente-coronel Márcio Cabral, a primeira ação foi separar o que seria a carga explosiva da ignição. Foi possível verificar então que não era um dispositivo detonador. O equipamento era uma composição de massa de modelar com um componente de circuito elétrico sem conexão a fiação que estava ligada. Não havia carga explosiva. Para detonar o artefato, os policiais do Bope usaram um cordel detonante em uma garrafa de água, apoiada em um pequeno cavalete montado por eles. Os dois acionaram o cordel e saíram para uma área segura.
Depois do Instituto Geral de Polícia e demais instituições entrarem no banco para averiguação das provas, a área de isolamento foi reduzida apenas para o entorno do banco. De acordo com o delegado Luís Otávio Pohlmann, assim que tomado ciência do crime, foi iniciada a investigação, a fim de identificar quantos e quem são os bandidos que cometeram o assalto. A polícia tomou depoimentos ainda ontem em busca de detalhes com funcionários e clientes para ajudar a esclarecer o assalto. As câmeras de monitoramento que mostram a imagem dos bandidos são um bom passo rumo à identificação do grupo.
Conforme o gerente do BB, que prefere manter seu sigilo e dos funcionários, ele não estava no banco no momento do assalto, mas cerca de 14 funcionários ficaram reféns e depois passaram por avaliação para saber se têm condições de voltar ao trabalho hoje. Ele não falou na quantia levada e no final da tarde os clientes já podiam usar os caixas eletrônicos.
Fonte: Correio do Sul
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