Viaturas velhas ameaçam segurança
30/01/2012
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) anunciou a entrega de 640 viaturas para todo o estado. O primeiro lote distribui naquarta-feira, dia primeiro, 175 veículos para a Polícia Civil e 325 para a Militar. Outras 140 viaturas, destinadas ao Corpo de Bombeiros Militar, Instituto Geral de Perícias, Detran e SSP, serão entregues ainda no mês de fevereiro em data a ser definida.
Enquanto elas não chegam, o serviço de segurança pública enfrenta dificuldades para operar no Extremo Sul Catarinense. A maior prejudicada é a PM, que possui 63 viaturas para atender 15 municípios e cerca de 80% da frota precisa urgentemente ser renovada. A informação é do sub comandante do 19º Batalhão da Polícia Militar, major Nelson De Carlos. Segundo ele, viaturas com mais de três anos de uso já precisariam de troca, em virtude do grande desgaste que sofrem. No entanto, a realidade é o inverso disso. A maioria dos veículos utilizados pela PM é dos anos de 2005 a 2007. Nenhuma viatura doada pelo Estado é de ano superior a 2009. "Elas são utilizadas praticamente 24h por dia e acabam sofrendo muito desgaste. Depois de três anos é normal o aumento da manutenção e o vai e volta da oficina," explica De Carlos. Segundo ele, não está garantida a destinação de viaturas para a região, o que é preocupante.
Na tarde de terça-feira, apenas duas viaturas rodavam pelo Balneário Arroio do Silva, já que uma terceira teve que ir para o conserto. A Parati ano 2009 já está a quase um mês na oficina e apresenta inúmeras falhas, inclusive grande corrosão por causa da salinidade do mar. Entre toda a frota da PM, há carros apresentando problemas elétricos, com remendos improvisados, danificados pelo tempo, sem ar condicionado, com aquecimento, entre outros empecilhos que atrapalham o trabalho, ocasionados pelo tempo. Uma viatura, por exemplo, roda há quase dez anos. Ela estava sendo usada como reserva no quartel, mas precisou ser deslocada para o município de Maracajá, que acabou ficando sem a sua depois de uma batida provocada por um fugitivo."São carros sem condições alguma de garantir segurança a população. Em uma situação de emergência ou numa perseguição,não há como competir com os automóveis dos bandidos. Já perdemos bandido em perseguição por causa do carro com problemas," lamentou um militar.
O sub comandante major Nelson De Carlos não esconde a preocupação com sua atual frota e torce para receber alguns dos veículos novos. "Infelizmente o que temos é defasado e por isso precisa ser substituída". Depois ele ameniza a situação. "O problema é preocupante, mas não é tão grave assim. Acredito que seremos contemplados com alguns veículos novos," informa. Segundo ele, o gasto com manutenção, que acaba sendo constante, poderia ser destinado a aquisição de veículos novos. O custo de oficina, peças e consertos pequenos no 19º Batalhão da Polícia Militar é de cerca de R$ 8 mil mensais. Quando o serviço é maior, é preciso fazer um empenho para que a Secretaria de Segurança Pública (SSP) pague.
Em Araranguá, são 32 viaturas a disposição dos PMs, a maioria defasada. A prefeitura é quem ajuda através de convênio. Recentemente adquiriu duas Vans e também um Renault que está a disposição do comandante. Um Honda Civic foi adquirido com recursos de multas de trânsito e também esta à disposição dos oficiais. Na Polícia Civil a situação não é diferente. Em Balneário Arroio do Silva, dos três veículos da delegacia, apenas um funciona. O Pálio ano 2004 que por diversas vezes já visitou a oficina, possui 166 mil quilômetros rodados e dificilmente é usado, pois apresenta muitos problemas mecânicos, elétricos e até mesmo na lataria. Em nota enviada a imprensa, a SSP anuncia que está finalizando a documentação das novas viaturas adquiridas no final do ano passado por R$ 30,6 milhões.
De acordo com o secretário César Augusto Grubba, a aquisição destas viaturas representa o início do processo de renovação da frota catarinense, que tem hoje 5.294 veículos. Destes, 1.885 viaturas estão com mais de cinco anos de uso. "O desgaste natural, aliado às atividades operacionais de rotina, acabam prejudicando o rendimento destas viaturas e o atendimento da população", reconhece o secretário na nota. O secretário informa, ainda, que a distribuição destas viaturas obedecerá a critérios técnicos e de necessidades de cada região para uso no policiamento ostensivo e de investigação.
Fonte: Correio do Sul
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