Cultura     30 de outubro de 2018 15:48
Autor: Marivânia Farias
Sombrio

Os livros que nós devemos ler traz “Contando Coisas Sobre Coisas”

Os livros que nós devemos ler


Nossa região é pródiga em escritores, ou em ser objeto de escritos. Muitas obras são desconhecidas do público, e o Correio do Sul está, em suas edições, apresentando alguns destes livros, muitos deles bastante antigos, nem por isso menos importantes, outros talvez com pequena repercussão, mas ainda assim merecedores de atenção, como todos os livros, pois quem escreve um livro é porque tem algo a dizer.

Quem tem alguma obra e quer vê-la comentada no jornal, pode encaminhar um resumo ou o próprio livro, se preferir. Muitos, muitos deles ficarão de fora, pois em princípio trataremos daqueles que possuímos em nosso arquivo, mas abertos a ampliar essa publicação.

 

Fechando o Outubro Rosa

Em 2007, a professora Lucir Vefago Goulart lançou o livro Contando Coisas Sobre Coisas, com seus poemas. Na última página, a primeira frase das Considerações Finais é: “É muito bom estar viva, poder partilhar com todos a conclusão deste livro”. Ela morreu em 7 de setembro de 2009, vítima de um câncer de mama.

No início do livro, Lucir escreveu (…) “resolvi abrir meus olhos e acordar para a vida, pois percebi que o hoje é precioso presente de Deus, e que devemos aproveitá-lo na sua amplitude”. A professora também fez um auto-retrato, em que contou a sua história, do nascimento, na localidade de Morro do Cipó, em Sombrio, em 1964, até o enfrentamento da doença. Aos 11 anos, para continuar os estudos a menina precisava ir até o centro de Sombrio, e o pai não gostava da ideia. A mãe, em compensação, ficou ao lado da filha, que já era inquieta e questionadora. “Vendi muita bergamota para o seu Catarina, que tinha uma quitanda próxima a antiga rodoviária. Com os trocados que fazia, comprava os materiais e algumas roupas. Ah, não posso esquecer que comprei um par de Congas azul (marca de antigo tênis)”.

Lucir continuou estudando, virou professora na mesma escolinha onde estudou quando criança, mais tarde casou e teve dois filhos. A vida era sempre com dificuldade financeira, mas também com muito trabalho e determinação. No seu auto-retrato, corajosamente ela conta que enfrentou um longo período, foram seis anos, de depressão.

A vida segue até que em 2006, já com quatro filhos e 41 anos, Lucir recebe o diagnóstico de câncer de mama. “O mundo parecia vir abaixo. Mas Deus não me queria assim. Ele quer seus filhos fortes, alegres, lutando sempre”, escreveu.

A autora passou por uma cirurgia, sessões de rádio e quimioterapia. “Havia dias em que eu pensava: agora não dá mais! Mas eu olhava para os meus filhos, em especial os menores, e refletia: – tenho que lutar por eles, eu quero vê-los crescerem”.

 

Um dos poemas do livro Contando Coisas Sobre Coisas

 

Felicidade

Felicidade, palavra completa

Que nos faz repensar

Por que sempre queremos

Felicidade encontrar

 

 

Será que ela está longe

Longe de nós, bem distante

Que nada! Ela está perto

Bem perto de nosso semblante.

 

 

Ser feliz todo momento

Não é possível! É utopia

Por isso devemos viver bem

Os melhores momentos do dia

 

Ao ver o filho sorrindo

Andando comendo, pulando

Olhe bem pra ele agora

É a felicidade que por aí vai passando

 

Maior felicidade não existe

Do que ao raiar do sol acordar

Ver todos com saúde

E um novo dia começar.

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