Polícia     18 de abril de 2017 08:43
Autor: Gislaine Fontoura
Araranguá

Presídio Regional de Araranguá, uma bomba prestes a explodir

Risco iminente de fuga e incidência de doenças são alguns dos problemas do PRA


Em julho de 2014, o Presídio Regional de Araranguá (PRA) foi interditado pelo Poder Judiciário de Araranguá, que determinou a capacidade máxima de presos em 200. Na época a unidade tinha capacidade para atender 128 detentos e chegou a abrigar 495. A situação da superlotação vinha se arrastando há alguns anos e apesar da promessa do Governo do Estado em construir uma nova unidade prisional em Araranguá, com capacidade para 300 internos até o segundo semestre de 2015, até então, o novo prédio do PRA continua no campo das promessas.
Com a interdição do presídio, o problema de superlotação foi transferido para a cela da Central de Polícia de Araranguá, que em março e abril de 2016 chegou a abrigar 13 presos, sendo que a capacidade na delegacia é para três, na época, o delegado responsável afirmou que a situação das celas superlotadas durou cerca de um mês. Uma mobilização foi feita e os presos foram transferidos para a cela de triagem do PRA.
Preocupado com a situação do presídio, uma pessoa que trabalha dentro da unidade e pediu para não ser identificada, com medo de sofrer represálias, conversou com a reportagem e contou que o problema da superlotação está muito sério. Atualmente o PRA aloja cerca de 340 presos e celas com capacidade para alojar três detentos, abrigam nove ou dez. A cela de triagem, onde os presos deveriam ficar apenas até que o Departamento de Administração Prisional (Deap) conseguisse vaga para os detentos em outras unidades prisionais do Estado, abrigam os presos por dez dias. Segundo o funcionário do PRA, a cela de triagem é escura, sem ventilação e os presos ficam nela, sem banho, por dez dias e depois vão para as galerias, nas celas superlotadas. Para a higiene, na cela de triagem, existe apenas uma latrina no chão e uma torneira com água.
A suspeita de tuberculose também assusta o funcionário. “O clima está muito tenso, os presos estão amontoados. Muitos deles estão cuspindo sangue, com suspeita de tuberculose, por falta de arejamento”, contou. Segundo o denunciante, o presídio é muito velho e não tem estrutura para segurar uma rebelião. “As grades estão podres, as vigas, colunas e paredes estão se desmanchando, até a passarela, onde os vigilantes caminham, de uma guarita para outra, para observar os pátios das galerias, corre o risco de cair”, asseverou. Conforme o funcionário, até dezembro, o Deap ainda transferia os detentos para outras unidades prisionais do Estado, mas este ano as transferências cessaram. O número de funcionários que trabalha no PRA não será relatado nesta reportagem, para segurança dos mesmos, porém a falta de efetivo também foi denunciada pelo funcionário e é um problema muito grave dentro de uma unidade prisional.
Novos alojamentos dentro do PRA também afligem o denunciante, segundo ele, medidas tomadas no ano passado, como a construção de alojamentos para o regime semi-aberto, acabaram deixando a unidade mais insegura, porque os presos ficam espalhados por diversos lugares e não existe efetivo para garantir a segurança em todas as áreas. “Agora parece que querem construir umas casinhas para abrigar presos no local onde fica a horta, vai ser uma fuga atrás de outra, porque não tem efetivo para cuidar, as casas que querem construir são para 80 presos. Tem um alojamento que foi feito para 20 presos e que já está com 60, eles praticamente não tem pátio de sol e lá a incidência de doenças é muito grande. Fica bem ao lado da estrada e o risco de fuga é iminente”, afirmou.
O funcionário ainda fez o último apelo. “Se o Governo Estadual não começar logo a construir uma nova unidade, no terreno que já foi adquirido, corremos o risco da cadeia virar a qualquer momento”, alertou.

Três fugas
Em fevereiro deste ano, um detento que prestava serviço interno no PRA, conseguiu fugir sem ser percebido. Everaldo Santos Trajano, morador de São João do Sul estava recluso na unidade prisional desde 2015 pelo crime de furto, ele tem inúmeras passagens policiais. Everaldo continua foragido.
Já no fim da tarde deste domingo, por volta de 18h15min, quando os agentes foram levar para a cela dois detentos do regime fechado que trabalhavam em serviços internos na unidade, cuidando da estação de tratamento de esgoto e da manutenção interna predial do PRA, perceberam que eles haviam fugido do presídio. Eles também não foram recapturados até o dia de hoje.
Os foragidos são Alessandro da Trindade, de 35 anos, de Jacinto Machado, interno no PRA desde 10 de dezembro de 2016, condenado a uma pena de 14 anos, em regime fechado, pelo crime de homicídio e Maikon Bez Constante, de 32 anos, de Balneário Gaivota, interno no PRA desde 23 de julho de 2016, condenado a uma pena de 16 anos, em regime fechado, pelo crime de estupro de vulnerável. A progressão de pena de Alessandro, para o regime semi-aberto estava prevista para julho de 2022, ele trabalhava dentro do PRA desde janeiro deste ano, já a progressão de pena de Maikon, para o regime semi-aberto estava prevista para dezembro de 2022, ele trabalhava dentro do PRA desde setembro de 2016.
De acordo com a gerência do PRA, os presos antes de obterem a regalia do labor dentro da unidade, passam por avaliação psicológica e são inseridos no trabalho de acordo com a aptidão de cada um. Bárbara Santos de Souza, atual diretora do PRA, não acredita que as recentes fugas tenham relação com a questão da superlotação. “Na verdade o presídio já comportou 495 internos, hoje estamos funcionando acima da capacidade, mas não considero tão alarmante. As fugas aconteceram com presos que estavam trabalhando e isto nos preocupa”, ponderou. De acordo com a diretora do PRA, caso sejam recapturados, os presos provavelmente serão transferidos para outras unidades.

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