Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

20/10/2017 00:09

Rolando Christian Coelho, 20/10/2017

Coluna de ontem era favorável a Bolsonaro, mas ainda assim recebeu críticas de seus seguidores, que devem ter lido meramente a manchete do artigo.


Bolsonaro: “Não leram, ou não entenderam”    – 

 

Ontem escrevi artigo intitulado “O ‘perigo’ Bolsonaro é mais que real”. Em sua essência, o artigo ressaltava as qualidades do deputado fluminense, que é pré-candidato à Presidência, enfatizando, até mesmo, que enganava-se quem imaginava que ele seria uma nova verão do ex-líder do Prona, Enéas Carneiro.

O artigo também ressaltava que o crescimento da popularidade de Bolsonaro tem se dado por conta do aumento da corrupção e da violência no país, que são temas francamente combatidos por ele. Ressaltava, por fim, que Bolsonaro, caso seja eleito presidente, terá dificuldade em governar, justamente porque suas posições contradizem o que já está encastelado em nosso sistema de poder.

Interessante notar que, embora o texto, em sua quase totalidade, faça boas referências ao deputado, ainda assim grande parte de seus seguidores o criticaram. A impressão que me foi passada é que a maioria leu apenas a chamada principal, dando conta de que “O ‘perigo’ Bolsonaro é mais que real”. Para piorar, os mesmos seguidores parecem não ter observado que a palavra ‘perigo’ estava entre aspas, o que significa, na linguagem jornalística, que o perigo está direcionado a quem não o quer na Presidência.

Afora estas questões ligadas diretamente ao texto, tem me chamada cada vez mais a atenção o pragmatismo com que são absorvidas as notícias jornalísticas, o que inclui as colunas políticas. Estou tendo cada vez mais a impressão de que os leitores não leem os conteúdos das informações, e, ainda assim, saem emitindo opiniões a torto, e a direito. Pior ainda são aqueles que leem e não entendem, ou meramente se fazem de desentendidos, apenas para extravasarem suas emoções.

Não à toa o mundo está cada vez mais vazio, e menos cheio de valores. Hoje em dia a maquiagem vale mais que a personalidade da mulher. Os músculos valem mais que a ombridade do homem. Tudo está se resumindo a uma tábua rasa, a uma guerra de pedras e paus, onde o vencedor é aquele que se dispõe a ofender mais.

Neste sentido, na seara política, no que concerne a primeira parte deste artigo, não se escapam nem os defensores de Bolsonaro, nem os contrários a ele. A agressividade é a mesma. Já no que diz respeito aos meus artigos políticos, lastimo que apenas as manchetes estejam sendo atraentes, até porque, me esforço muito para prover bons conteúdos. De repente, no futuro, este seja o destino dos jornalistas: publicar apenas manchetes. Desta forma, cada um poderá contar para si próprio a história que quiser. Será bem mais confortável para o leitor, pois nada o conflitará. Ele também não perderá tempo refletindo. Quem gostará disto são aqueles que estão lá em cima, manipulando as cordinhas das marionetes, até porque, quanto menos se sabe aqui embaixo, mais se ganha lá no alto.

 

Haja cuspe

Na terça-feira Senado Federal anulou decisão do Supremo Tribunal Federal que havia decidido pelo afastamento do senador Aécio Neves (PSDB), e por sua prisão domiciliar noturna, sob a acusação de corrupção e obstrução da justiça. Ontem o Superior Tribunal de Justiça mandou soltar o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que havia sido preso no início do mês, sob acusação de participação direta em um mega esquema de corrupção para comprar votos para que o Brasil se tornasse a sede das Olimpíadas de 2016. Interessante que nem mesmo diante da mais longínqua e profunda crise institucional de nosso país, as autoridades constituídas têm se dado conta de seus desmandos. A não ser que o judiciário e o legislativo nacional estejam irmanados no objetivo colocar o Brasil em estado de insolvência social. Só isto explica tanto cuspe na cara do povo brasileiro.

 

PDT com PSD

Deputado estadual Gelson Merísio, pré-candidato do PSD ao Governo do Estado, tem conversado de forma sistemática com o deputado estadual, e presidente do PDT catarinense, Rodrigo Minotto. O objetivo é o de trazer os brizolistas para dentro da tríplice aliança, já composta previamente por PSD, PP e PSB. As tratativas neste sentido estão bem adiantadas, e é bem possível que o PDT de fato faça parte desta composição. Em 2014 o partido já esteve aliado ao projeto de reeleição do governador Raimundo Colombo (PSD), mas influenciado a isto, em grande parte, pelo PMDB, do então candidato a vice, Eduardo Moreira. O apoio do PDT ao PSD, no entanto, pode bater na trave lá adiante, dependendo das convenções nacionais. Caso o ex-presidente Lula da Silva (PT) fique impedido de concorrer ao Planalto ano que vem, e seu partido convirja para a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PDT), fatalmente o PDT catarinense terá que apoiar o projeto do PT catarinense, que almeja lançar Décio Lima ao governo.

 

Organizando

PP catarinense definiu que cada uma das regiões do Estado terá pelo menos um candidato a deputado estadual. No Sul catarinense estão mapeadas três candidaturas. Uma para nossa região, outra para a região de Criciúma, e uma terceira para a região de Tubarão. Em princípio, o já deputado José Milton Scheffer será o candidato do PP de nossa região. Por sua vez, o também deputado, e atual Secretário de Estado, Valmir Comin, deverá concorrer pela região de Criciúma. Já pela região de Tubarão são ventilados os nomes de Pepe Colaço, Laércio Menegaz e Deka May. “Nas regiões maiores, como na Grande Florianópolis e na região de Joinville, poderão existir duas candidaturas, talvez até uma terceira, mas isto é algo que precisa ser construído. O que convém ressaltar agora é a disposição e organização do PP com vistas à 2018”, ressalta o deputado Zé Milton, um dos articuladores do PP Estadual.

 

Só os bons

Convenções municipais do PMDB, marcadas para este final de semana, estão movimentando o meio político regional. De Florianópolis, vice-governador Eduardo Moreira (PMDB) solicitou aos caciques políticos regionais do partido fiquem atentos quanto a composição das executivas, já que 2018 é ano de eleição estadual. A observação também foi ressaltada pelo deputado estadual Manoel Mota (PMDB), que solicitou a escalação de um time de primeira linha nos comandos municipais. A preocupação é mais do que válida. São os diretórios, e em especial as executivas dos partidos, que movimentam a máquina política nos município. Por conta disto, em véspera de ano eleitoral não há como apenas encher morcilha nos comandos partidários. Em Sombrio, por exemplo, prefeito Zênio Cardoso (PMDB) tem se dedicado pessoalmente a composição do diretório e executiva do partido. Nunca é demais manter um olho no gato e outro no peixe.

FRASE

“Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade do que de máquinas. Mais de bondade e ternura do que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá”.

Charlie Chaplin (1889/1977) – Ator, diretor e empresário inglês

CHARGE


19/10/2017 00:08

Rolando Christian Coelho, 19/10/2017

Bolsonaro é uma espécie de Lula da direita, só que sem medo de enfrentar, de fato, os problemas existentes no país de uma maneira bem prática.


O “perigo” Bolsonaro é mais que real – 

 

Engana-se quem pensa que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), pré-candidato à Presidência da República, é uma nova versão do ex-líder do Prona, Enéas Carneiro, que a partir do final da década de 1980 arrebanhou milhões de votos dos brasileiros, indignados com a política nacional. Enéas tinha ideias utópicas, do ponto de vista da praticidade política. Defendia, por exemplo, a nacionalização de todas as reservas minerais, algo de fato bom para o país, mas irrealizável, em virtude das amarras do sistema. Na mesma linha, Enéas norteava seu discurso por princípios intelectuais, fazendo-se pouco compreensível em sua essência. Por isto mesmo nunca foi compreendido, ou seguido seriamente. Todavia, serviu a milhões de eleitores que queriam protestar de alguma forma.

Bolsonaro está à anos luz de ter a articulação intelectual que Enéas tinha. No entanto, ele fala, e sente, aquilo que boa parte de nossa população também sente e quer ouvir. É uma espécie de Lula da direita, só que sem medo de enfrentar, de fato, os problemas existentes no país de uma maneira bem prática.

Já ouvi vários e vários políticos enfatizarem que Bolsonaro é fogo de palha. Do meu ponto de vista ele não o é, muito pelo contrário. É que Bolsonaro se alimenta da insatisfação popular com o meio político, e com os desmandos de nossa ordem social, que crescem a cada dia que passa. Uma legião de pessoas que não suporta mais os revezes já institucionalizados no país.

Outra vantagem para o deputado é que ele tem seguidores fiéis, pessoas que estão alinhadas integralmente com seu modo de pensar, algo que não se via dentre aqueles que votavam em Enéas. E não se vê, nem mesmo, junto àqueles que votam em Lula, ou em qualquer outro candidato. Lula, por exemplo, tem uma legião de simpatizantes que votam nele meramente para garantir benefícios sociais, mas que nem de longe sabem de fato o que é a ideologia de esquerda. No que diz respeito a Bolsonaro, a relação entre causa e efeito é retilínea, convicta, honesta.

Reverter o crescimento de sua popularidade é algo muito difícil, mesmo porque, o cenário político nacional, o aumento da violência em todas as esferas, e o descaso governamental com as demandas essenciais da sociedade brasileira só tem aumentado. Neste quadro, não há palco mais favorável para colar um discurso real de direita.

É claro que, caso chegue à Presidência da República, Bolsonaro não irá conseguir governar o país de acordo meramente com seus princípios. A não ser que se alinhe de forma umbilical com os militares no execício do poder. Este expediente, que mescla apoio popular com apoio armado, já foi utilizado dezenas de vezes no mundo, e ainda é prática recorrente em muitos países.

 

Abrindo as burras

Governador Raimundo Colombo (PSD) assinou ontem, em Florianópolis, ordem de serviço para a construção de vinte Centros de Referência de Assistência Social, os famosos Cras. No total, o governo irá investir R$ 6,8 milhões nas obras, recursos oriundos do Programa Pacto pela Proteção Social. Em nossa região, os municípios de Sombrio e de Maracajá ganharão cada qual sua própria sede para o Cras. Nos dois casos, os Centros funcionam em prédios alugados. A liberação dos recursos é a primeira de uma série de ações de vulto que serão patrocinadas pelo Governo do Estado a partir de agora. A ideia é abrir aos poucos os cofres do governo estadual, contemplando a quase totalidade dos municípios catarinenses com algum tipo de obra, tendo necessariamente a digital do próprio Colombo. Afora isto, estão previstos, também, convênios na ordem de R$ 700 milhões via Fundam 2 com as prefeituras.

 

Melhorando

Prefeito de Balneário Gaivota, Ronaldo Pereira (PP), já determinou que seja reformada a quadra esportiva da Praia Turimar, para que ela sirva de palco para as competições municipais que antes eram realizadas na Quadra 1, no centro da cidade. No mês passado, a Quadra 1 foi demolida, por ordem judicial, por estar em uma área de preservação permanente. De acordo com Ronaldo, serão investidos cerca de R$ 35 mil na recuperação da quadra da Turimar, que apresenta bastantes problemas estruturais. Também na seara dos investimentos, Ronaldo anunciou a colocação de R$ 500 mil em pedras brita ao longo da estrada que liga a rodovia José Tiscoski a localidade de Anita Garibaldi, como também ao longo da estrada que liga a mesma rodovia a localidade de Palmeira. Os recursos foram conquistados por intermédio do deputado estadual José Milton Scheffer (PP).

 

Tá difícil

Executivos da JBS Alimentos se posicionaram favoravelmente à venda da Unidade da empresa em Morro Grande para terceiros. As negociações com empresas interessadas no negócio já começaram. Vários problemas, no entanto, circundam esta situação. O principal deles são os R$ 60 milhões que estão sendo pedidos pela Unidade, valor considerado muito acima do que ela valeria no mercado. Questões ligadas ao passivo trabalhista dos atuais 750 funcionários, e o futuro dos avicultores que produzem frangos para a JBS de Morro Grande, também constituem um impasse de difícil solução. Em princípio a JBS não quer ficar com derivações destas questões. No meio político os comentários dão conta de que a JBS aceitou vender a Unidade de Morro Grande, para escapar da pressão que vinha sofrendo para que fizesse isto, mas, ao mesmo tempo, está exigindo valores e responsabilidades de terceiros incalculáveis. Ou seja, diz que quer vender, mas no fundo não quer vender coisa nenhuma.

 

Mistério besta

Pavimentação asfáltica da Serra do Faxinal deve ter ido mesmo para o beleléu. Infelizmente não há como passar uma informação assertiva a respeito da obra, simplesmente porque todas, absolutamente todas as autoridades competentes que poderiam informar a comunidade regional, através da imprensa, simplesmente desconversam quando questionadas a respeito do assunto. As informações extra-oficiais dão conta de que os recursos que estariam garantidos para a continuidade da pavimentação simplesmente não existem mais. Isto explicaria, por exemplo, o porquê da Secretaria de Estado da Infraestrutura não ter solicitado renovação da licença ambiental para dar continuidade à pavimentação do Faxinal. O que mais impressiona nesta história não é nem o fato dos recursos terem sido perdidos, ou destinados para outra obra, mas sim a falta de transparência no trato com a coisa pública. A falta de informação oficial passa a nítida impressão que ninguém quer se queimar diante da má notícia.

 

FRASE

“Insano este mundo, onde os loucos falam a verdade e os não loucos a escondem. Por conta disto, para sair de um sanatório, basta se calar e concordar. Já, para entrar nele, basta falarmos o que realmente pensamos sobre o mundo”.

 

Salvador Dali (1904/1989) – Artista plástico espanhol

 CHARGE


18/10/2017 00:06

Rolando Christian Coelho, 18/10/2017

Advogado de Dilma diz que Eduardo Cunha comprou deputados. Mas qual presidente não já não usou deste expediente para se manter no poder?


Afinal, quem comprou quem nesse país?

 

Ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, pretende pedir a anulação da votação na Câmara dos Deputados que levou ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). O pedido, a ser impetrado no Supremo Tribunal Federal, deverá ter como base a delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, que afirmou ter lavado dinheiro de corrupção para que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), comprasse votos de parlamentares para que estes votassem a favor da cassação da petista.

Se a moda pega, vai ser difícil acharmos o fio da meada nessa história de compra de votos. A não ser que alguém acredite que o PT conseguiu se manter na Presidência da República, por três mandatos e meio seguidos, por conta de suas políticas sociais. Aliás, nem o PT, nem nenhum outro partido que já tenha chego a Presidência nesse país conseguiu terminar o mandato sem fazer acertos diretos e indiretos com deputados e senadores.

E nessa história de compra e venda de votos não são muitos aqueles que têm moral para jogar pedras nos corruptos lá de cima. Basta observarmos a parafernalha que são as eleições no Brasil, em todos os níveis, com o título do eleitor sendo um quase mero objeto de troca. Muitas vezes a venda do voto não se dá através de uma transação direta, em que o eleitor recebe um valor determinado para votar em fulano ou beltrano. Mas se dá através de favores, de apadrinhamentos, de benefícios diretos e indiretos, a este ou aquele outro, algo, infelizmente, já intrínseco no nosso sistema eleitoral.

Não há como chamar José Eduardo Cardoso de demagogo, até porque, como excelente advogado que é, está partindo em defesa de sua cliente. No entanto, seus argumentos morais são fracos. Ainda que Dilma não tivesse comprado ninguém no Congresso, o sistema governamental comprou para ela. Não tivesse comprado, provavelmente não teria terminado sequer seu primeiro mandato.

A fonte de todo mal, por óbvio, não é nem Dilma, nem seu advogado, como do mesmo modo não é nenhum dos demais presidentes que concluíram seus mandatos, ou que foram afastados dele por forças ocultas. A fonte é o próprio eleitor brasileiro, que não se custa em trocar o futuro de seus próprios filhos por quinquilharias. No afã do lucro imediato, ou do benefício pessoal a médio e longo prazo, o eleitor acaba transformando seu título eleitoral em um cartão de crédito, cuja conta será paga por ele próprio, só que de forma subliminar. É desta operação que derivam os maus políticos, os calhordas, os corruptos, aqueles que, de forma contraditória aos verdadeiros interesses na nação, comandam nosso país. É mais ou menos como se condenássemos os traficantes, mas consumíssemos as drogas que os mantém no poder.

 

Investimentos

Prefeito de São João do Sul, Moacir Teixeira (PSD), deverá dar início nos próximos dias a construção de uma creche da localidade de Vila Catarina, com capacidade para atender 120 crianças. A obra, orçada previamente em R$ 690 mil, será construída com recursos próprios. Moacir também deverá dar ordem de serviço, em breve, para a pavimentação de mais um quilômetro de asfalto da rodovia municipal que liga a sede do município à localidade de Nova Fátima, passando pelo Santuário de Frei Adercide. Recursos na ordem de R$ 1 milhão foram conquistados junto ao Ministério do Turismo, mais uma vez, por intermédio do senador Valdir Raupp (PMDB/RO). O investimento contemplará, também, a implantação de uma ciclovia ao longo do trecho que será pavimentado. Outros 700 metros já pavimentados recentemente também receberão pista exclusiva para ciclistas.

 

 

Mui amigo

Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deu uma de Amigo da Onça com o senador Aécio Neves (PSDB), e também com o presidente Michel Temer (PMDB), ao determinar que a votação para afastar o tucano do Senado Federal fosse realizada de forma aberta. Temer, que foi quem indicou Moraes para o STF, queria proteger Aécio, já que o senador mineiro é um dos que mais trabalha para que o PSDB se mantenha aliado ao PMDB no Congresso Nacional. Vale lembrar, também, que Alexandre de Moraes era filiado ao PSDB de Aécio Neves, e foi indicado pela cúpula tucana para ser Ministro da Justiça do governo de Michel Temer, com quem já tinha afinidade. A votação aberta, obviamente, jogou a opinião pública contra o Senado Federal, que foi pressionado a manter o afastamento e prisão domiciliar de Aécio, acusado por corrupção e obstrução da justiça. Para sorte de Aécio e Temer, a pressão não surtiu efeito. Pelo menos o PT não teve grandes problemas com seus indicados para o STF, tanto é que Zé Dirceu está em casa, assistindo os últimos capítulos de A Força do Querer.

 

Paz e amor

Presidente do PMDB de Araranguá, Anísio Prêmoli, diz que não será óbice para a eleição do empresário César Antônio Cesa ao comando da sigla, em convenção prevista para ocorrer no próximo dia 22. César deverá ter como seu vice o também empresário Emerson Almeida. De forma velada, Anisio e César protagonizaram disputas internas no PMDB nos últimos tempos, mas, pelo visto, isto faz parte do passado. Pelo menos Anísio tem se esforçado para deixar transparecer isto. “Não vou atrapalhar o projeto de ninguém. Se o César quer ser presidente, tem meu apoio. Eu não vou me dispor a continuar como presidente porque preciso cuidar um pouco mais da minha vida pessoal, da minha família”, comenta o atual presidente, ressaltando que está numa fase “paz e amor”. De acordo com Anísio, “o mais importante é que o PMDB consiga chegar a um denominador comum para disputarmos a eleição de 2020 e vencê-la”.

 

Cara na rua

Araranguá ganhou ontem um out-door que faz alusão a candidatura presidencial do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ). Outros dois já foram fixados no Sul do Estado: um em Criciúma e outro em Tubarão. A promessa dos apoiadores do polêmico deputado, no entanto, é a de que todas as principais cidades catarinenses tenham pelo menos um out-door do parlamentar. O material publicitário enfatiza algumas bandeiras que vêm sendo levantadas por Bolsonaro, como a defesa da redução da maioridade penal, o combate a corrupção e a aplicação de penas mais rígidas para estupradores. Neste item, o deputado é defensor da ideia da castração química dos abusadores. Na tentativa de desvincular Bolsonaro da acusação de estar promovendo propaganda eleitoral intempestiva, seus seguidores têm dito que todo o material publicitário é bancado por doações, sem ligações diretas a seu partido, ou a sua pessoa. Quem despreza o potencial de Bolsonaro se engana. O terreno político no Brasil está mais do que propício para a nacionalização e consolidação de líderes políticos como ele.

 

FRASE

“A humildade e o orgulho são dois irmãos gêmeos. O primeiro habita o Ser daqueles que possuem conhecimento. O segundo habita aqueles que são vazios, e, por conta de sua ignorância, bebem no cálice da igualmente vazia soberba”.

 

Leonardo da Vinci (1452/1519) – Cientista e artista italiano

 

CHARGE


17/10/2017 00:57

Rolando Christian Coelho, 17/10/2017

Maior dúvida, no entanto, é saber se petista poderá ou não concorrer novamente à Presidência da República ano que vem.


Lula deve enfrentar Alckmin ou Bolsonaro

 

Eleição presidencial do ano que vem deverá ser nitidamente fragmentada no Brasil. Pelo menos cinco frentes políticas têm se articulado com este objetivo, três delas com boas chances de chegar ao Palácio do Planalto. Neste sentido, os candidatos mais exponenciais são Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSC), Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT). Atrás deles há um balaio de outras candidaturas, assim como conjecturas, que poderão tirar um ou outro do páreo.

Destes cinco, quem mais corre risco de não ser candidato a presidente é Lula da Silva, que foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão. Se a sentença de Moro for confirmada em segunda instância, até a realização da eleição do ano que vem, Lula poderá ficar fora do páreo, salvo se consiga expediente judicial que lhe assegure a candidatura. É que a condenação em segunda instância joga sobre si a Lei da Ficha Limpa, o impedindo de concorrer.

Num segundo momento, quem corre relativo risco de não ser candidato é Alckmin, que tem o prefeito de São Paulo, João Dória Júnior (PSDB), no seu calcanhar. João Dória já não é mais o prefeito bam-bam-bam do início de seu mandato, e será menos ainda em meados do ano que vem, quando acontecem as convenções para as escolhas dos candidatos a presidente, mas, mesmo assim, não deixa de ser uma ameaça a Alckmin.

Paralelo a este cenário, quem também pode entrar no páreo com chances de eleição é o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, um tecnocrata que até hoje só concorreu uma vez a deputado federal pelo Estado de Goiás, tendo sido eleito com quase 200 mil votos, em 2002. Filiado ao PMDB desde 2014, ele é a aposta do presidente Michel Temer (PMDB) para o ano que vem. O mais provável, no entanto, é que Meirelles acabe compondo como vice de Alckmin na briga pelo Planalto. Tudo dependerá, por óbvio, da retomada do crescimento econômico do país, prevista para engrenar a partir do segundo trimestre do ano que vem.

Nenhum destes candidatos mais evidenciados têm cacife eleitoral para conquistar a Presidência já no primeiro turno. No que diz respeito a segunda etapa da eleição, teoricamente, Lula é quem tem mais chances de garantir sua presença nela, por conta dos seus já consolidados 30% de adesão popular. Percentual que não baixa, apesar de todos os pesares. É praticamente impossível que outros dois candidatos consigam percentuais iguais ou superior a este, o que tiraria o petista do segundo turno. Também é difícil acreditar que Ciro Gomes consiga mais votos que Alckmin, Bolsonaro ou Marina Silva, o que já o deixa de fora da briga pela presidência.

A grande questão é saber quem iria com Lula para a segunda etapa da eleição. Numa análise meramente técnica, dá para afirmar que Marina Silva está fora do jogo. Seu tempo passou. A grande questão seria saber quem seria identificado como o verdadeiro candidato anti-petista: se Alckmin, ou Bolsonaro. Quem for mais convincente terá mais chances de enfrentar Lula, e, de cara, mais chances de ser o novo presidente do Brasil.

 

Vai fechar

Ninguém está conseguindo convencer a JBS Alimentos a vender sua unidade de Morro Grande. A empresa deve fechar mesmo no próximo dia 31, demitindo cerca de 700 funcionários, e colocando centenas de avicultores de nossa região em bancarrota. Vale lembrar que a JBS saiu comprando tudo quanto é frigorífico e abatedouro no país, nos últimos 14 anos, graças a uma política de empréstimos adotada pelo BNDES, nos governos Lula e Dilma, que até pouco tempo ninguém entendia qual seu real significado. No fim das contas, quebrou os pequenos e médios, gerando desemprego, e agora quebra a si própria, desempregando mais ainda. Por óbvio também não vai pagar a contento seus empréstimos, gerando ainda mais prejuízos aos cofres públicos. Se alguém imaginava que dar dinheiro para a JBS iria ajudar a diminuir o desemprego no país, se enganou redondamente. O interessante é que até um estudante de primeiro semestre de Economia já sabia que isto não daria certo.

 

Três em um

PSDB catarinense está querendo dar um nó na cabeça dos demais partidos no Estado. Senador Paulo Bauer (PSDB) não se cansa de dar declarações enfatizando que será candidato ao governo novamente. Por sua vez, vice-governador Eduardo Moreira (PMDB) teve como convidados de honra de seu casamento membros da cúpula tucana do Estado e do país, o que incluiu o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Para completar a confusão, no final de semana o senador Dalírio Beber (PSDB) e os deputados estaduais Leonel Pavan (PSDB), que é secretário de Estado, e Marcos Vieira, presidente do PSDB Estadual, andaram para cima e para baixo, na Oktoberfest, em Blumenau, com membros da cúpula do PSD e do PP catarinense, a exemplo de Gelson Merísio (PSD) e Esperidião Amin (PP). Vai chegar o ponto que nem mesmo o PSDB saberá se irá querer disputar com chapa pura, se aliar ao PMDB ou à dupla PSD/PP ano que vem, no que diz respeito a disputa pelo Governo do Estado.

 

No Orçamento

Deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB) atendeu solicitação e participou, ontem, de uma reunião na sede da Aciva, a Associação Empresarial de Araranguá e Extremo Sul Catarinense. Na ocasião, empresários, políticos e a imprensa foram colocados a par das últimas tratativas, em Brasília, relativas aos esforços que vêm sendo feitos para que sejam alocados recursos para as obras de pavimentação asfáltica da Serra da Rocinha, entre Timbé do Sul e a divisa com o Rio Grande do Sul. De acordo com Benedet, já estão assegurados recursos na ordem de R$ 40 milhões no Orçamento da União, que serão destinados à Rocinha em 2018. O valor é suficiente para que a pavimentação não cesse ao longo do ano que vem, mas insuficiente para que ela seja concluída. A ideia é fazer com que no final de 2018 outros R$ 20 milhões, em valores atuais, sejam inclusos no Orçamento da União de 2019, de modo a finalizar a obra naquele ano.

 

Saco cheio

Centro de Pesquisas Pew, com sede nos Estados Unidos, que monitora as opiniões políticas de diversos países do mundo, divulgou levantamento dando conta de que 62% dos brasileiros gostariam que o país tivesse um governo mais tecnocrata, e até mesmo militarizado, o que contradiz os princípios da democracia. Destes 62%, nada menos que 23% disseram ser favoráveis à implantação de uma ditadura no Brasil, a exemplo da que tivemos entre 1964 e 1985. Na mesma linha, nada menos do que 33% dos entrevistados disseram que o regime democrático é ruim para o país, e apenas 8% consideram esta forma de governo a ideial para o Brasil. Por óbvio que estes percentuais antidemocráticos estão ligados diretamente a decepção com o meio político, que há dez anos deixou de ser aguda para se tornar crônica, com nítido prognóstico de impossibilidade de reversão de seu quadro em um curto espaço de tempo. A grande verdade é que o eleitor encheu o saco de tanto ladrão no poder, e está desistindo de tentar acertar seu voto por conta própria.

 

FRASE

“Não interessa se em uma batalha o seu exército perderá dez homens e o exército adversário apenas um. O que interessa é que no final da luta você tenha vencido. É a vitória que ficará registrada na história, não suas perdas”.

 

Ho Chí Minh (1890/1969) – Ex-presidente do Vietnan

 

Charge

 

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