Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

22/06/2017 00:12

Rolando Christian Coelho, 22/06/2017

Alianças que estão sendo compostas lá em cima afrontam diretamente coligações feitas ano passado aqui embaixo.


Partidos perderam sintonia com as bases

 

Política é feita de momentos, e o momento de hoje pode ser que não seja o de amanhã. De todo modo, os cochichos percebidos nos corredores da Assembleia Legislativa de Santa Catarina parecem ser um prenúncio do que deverá acontecer na política catarinense no ano que vem. De um lado, deputados do PSD e o PP conversando ao pé de orelha. Do outro lado, o mesmo é observado em relação aos deputados do PMDB e do PSDB. Já os do PT, nitidamente perdidos em meio a tudo o que está acontecendo, conversam com todos e mais um pouco.

Este alinhavo, que vem sendo feito pelas cúpulas das principais siglas de nosso Estado, é muito interessante, já que, nitidamente, ele não vem levando em consideração o anseio das bases dos partidos. Aqui em nossa região, por exemplo, na maioria dos municípios o PSDB não fecha com o PMDB. Em Praia Grande e em Maracajá, os prefeitos eleitos pelo PSDB derrotaram justamente os candidatos do PMDB. Os tucanos são adversários dos peemedebistas na ampla maioria dos municípios. Já PSD e PP não se bicam em pelo menos metade de nossa região.

Por conta disto, fica até difícil de se imaginar situação peculiares, como a de Praia Grande, por exemplo. Se o PSDB compor como vice do PMDB no Estado, o prefeito do município, Henrique Maciel (PSDB), teria que subir no palanque de seus principais adversários, deixando de lado aliados como o PSD e o PP, que lhe deram a eleição. Já em Jacinto Machado, o vice-prefeito Aldo Brognolli (PSD), que é aliado de primeira linha do prefeito João Batista Mezzari (PMDB), teria que pedir votos junto com os progressistas. Neste caso específico, foi justamente o rompimento do PSD com o PP que garantiu a eleição do PMDB ano passado. Não precisa nem dizer que o clima político entre pessedistas e progressistas ainda inspira cuidados.

Neste sentido, os exemplos se seguem e são de toda ordem. O exagerado pluripartidarismo nacional, aliado a falta de alinhamento ideológico nas coligações, acabou criando um verdadeiro balaio de gatos. Um desentendimento tão grande que não será incomum um prefeito do partido “a” apoiar um candidato a governador do partido “b” e um candidato a presidente da República do partido “c”, podendo estes três partidos serem adversários entre si em todos os níveis.

Não à toa o eleitor comum entende cada vez menos como se processa o sistema político nacional. Não à toa, também, este sistema propicia cada vez mais abertura a corrupção, pois nem mesmo os próprios políticos conseguem se achar em seu tempo e espaço. Sem programas e objetivos específicos, a política acabou virando um mero “toma-lá-da-cá”, com um “da-cá” cada vez maior.

 

Pela Vida

Secretarias Municipais de Saúde e de Educação de Sombrio irão lançar hoje, às 18h, na Câmara de Vereadores, a campanha “Viver Vale a Pena”. Ainda que o nome da campanha não seja muito sugestivo, ela se destina a valorizar a vida, afinal, “Viver é Bom Demais”. O crescente número de suicídios registrados em Sombrio nos últimos meses acabou despertando as autoridades competentes para a necessidade de ações que visem ampliar os horizontes dos suicidas em potencial. Ela também visa orientar a comunidade sobre como agir diante dos sintomas manifestados por aquelas pessoas que intentam tirar a própria vida. Só nos últimos 60 dias cinco pessoas se suicidaram no município ou adjacência, o que incluiu um funcionário da própria Prefeitura de Sombrio. Nesta semana, mais um jovem sombriense também tirou a própria vida.

 

Impasse

Mesmo com a aparente falta de entendimento no plenário da Assembleia Legislativa, Governo do Estado conseguiu aprovar na Comissão de Constituição e Justiça do parlamento catarinense projeto que visa a aprovação do Fundam 2. Na prática, governador Raimundo Colombo (PSD) quer que os deputados o autorizem o Estado a contrair um empréstimo de R$ 1,5 bilhão, que seria destinado para obras e ações nos 295 municípios catarinenses. Ainda que tenha passado pela CCJ, há muita resistência por parte dos deputados do PMDB ao projeto. Os peemedebistas entendem que o dinheiro servirá para Colombo ‘fazer política’ com vistas à 2018, o que contraria os interesses do PMDB, que tem tudo para romper com o governador diante do pleito estadual que se aproxima. Os prefeitos do PMDB, no entanto, não estão nem ai para 2018. O que eles querem mesmo é dinheiro para fazer obras em 2017.

 

Na pressão

Em principio está tudo certo para que os 15 prefeitos e 15 vice-prefeitos de nossa região participem de uma reunião no próximo dia 27, em Florianópolis, como pessoal do governo, para pressionar por medidas que levem a conclusão da pavimentação da Serra do Faxinal e ao início das obras da Barragem do Rio do Salto. Do outro lado da moeda, técnicos da Secretaria de Infraestrutura do Estado têm feito um minucioso levantamento a respeito destas reivindicações, de modo a dar um posicionamento efetivo aos chefes dos executivos aqui do Extremo Sul. Pelo menos no que diz respeito ao Faxinal, o Secretário da Infraestrutura, Luiz Fernando Vampiro, determinou que seja feito um levantamento a respeito de novas linhas de crédito disponíveis para que a obra possa ser concluída, já que uma empresa portuguesa que estava tocando a obra abandonou o projeto.

 

Vítima

Conhecido comerciante de nossa região teve seu estabelecimento assaltado. O ladrão, com arma em punho, rendeu dois funcionários e limpou o caixa, mediante ameaças. De acordo com ele, ninguém dos Direitos Humanos, ou de qualquer outra ONG, ou organização ligada à defesa do cidadão, entrou em contato para prestar solidariedade. “Por outro lado – disse ele – se tivéssemos desarmado o bandido, e dado uma coronhada nele, no outro dia ia estar cheio de gente aqui na porta protestando contra a agressividade imposta ao marginal”, completou. Sempre atento a política, o referido comerciante, que por motivos óbvios não quer ser identificado, completa: “É por isto que pessoas como o deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ) têm crescido nas pesquisas, com foco na disputa da Presidência da República. As pessoas de bem não estão mais aguentando tanta inversão de valor em nosso país”.

 

“Todo ser humano precisa ficar ciente que, mais cedo ou mais tarde, ele precisará sacrificar quem é, para passar a ser quem de fato gostaria de se tornar. Sem essa mutação, ele nasce e morre sem ser si mesmo”.

Charles Frédéric Dubois (1804/1867) – Naturalista belga

 


21/06/2017 00:40

Rolando Christian Coelho, 21/06/2017

STF está tentando livrar cara de Aécio Neves, ao mesmo tempo em que impede Moro de investigar Lula.


Vira e mexe e nada acontece

 

Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal adiou sessão que julgaria o pedido de prisão da Procuradoria Geral da República contra o senador Aécio Neves (PSDB), acusado da prática de corrupção ativa. De lambuja, a irmã e o primo de Aécio, que estavam encarcerados por envolvimento com os mesmos atos, vão cumprir prisão domiciliar. Como nem só de afago aos tucanos vive o STF, o ministro Edson Fachin, Eleitor-Mor de Dilma Rousseff (PT), retirou do juiz Sérgio Moro todas as ações que este possuía contra o ex-presidente Lula e o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), ligadas a Odebrecht. Ironicamente, em meio a estes dois fatos que marcaram a política nacional no dia de ontem, a justiça da França condenou o deputado federal Paulo Maluf (PP/SP) à três anos de prisão por lavagem de dinheiro.

No resumo da ópera, nada de novo. Nos países civilizados continua a luta pela condenação dos políticos mal feitores, enquanto no Terceiro Mundo convivemos com os esforços inequívocos, do próprio Estado, para que tudo termine em pizza.

A tradição brasileira em querer por panos quentes em tudo, aliás, é histórica. Por aqui não há ruptura, mesmo porque, não há com o que romper. Os detentores do poder são meramente as duas faces da mesma moeda, estejam eles na situação, ou na oposição.

A falta da tradição da ruptura nos leva a situações como esta. Como reflexo, ao invés de darmos um passo adiante frente a nossa própria história, ficamos sambando em cima de nossa própria sombra, esperando o tempo passar, enquanto o tempo passa por cima de nós.

A grande verdade é que o Brasil não quer ser passado a limpo. Não quer se enfrentar. É por isto que se fala, se fala, e nada de fato acontece. Como consequência disto, nada muda e, pelo andar da carruagem, não mudará tão cedo. É que quando se recorre a última instância, para que algo de fato seja decidido, simplesmente não se decide. Tudo vira retórica, papel e discursos baseados no juridiquês. O povo cá embaixo que engula, e se não quiser engolir, que deixe o país, como tantos já fizeram, em grande parte, por desilusão com nossa triste e enfadonha realidade.

Pelo andar da carruagem, é muito provável que tudo o que está acontecendo em nosso país não nos sirva para nada, ou, que nos sirva para muito pouco. Servirá , por exemplo, para que os políticos tenham mais cuidado com o que falam, pois poderão estar sendo gravados. Talvez também sirva para que não se utilizem mais doleiros para lavar o dinheiro da corrupção, afinal de contas eles foram delatores vorazes durante a Lava Jato. Não sei se servirá para mais alguma coisa, mas, com certeza, para moralizar o Brasil é que não servirá.

 

Merecido

Correio do Sul está preparando uma série de reportagens sobre a vida do expedicionário Iraci Luchina, único militar de nossa região morto durante a Segunda Guerra Mundial. Homenagem mais do que merecida, até porque, com exceção do nome de uma rua e de um busto em Araranguá, Iraci Luchina tem sido relegado ao ostracismo em nossa região desde sua trágica morte pelos nazistas, na localidade de Abetaia, na Itália, em 1944. O material que vem sendo produzido pelo Correio do Sul, aliás, trará imagens inéditas e vídeos do local onde o expedicionário foi morto, assim como do local onde ele foi sepultado na Itália, no município de Pistóia, antes de ter seus restos mortais transladados para o aterro do Botafogo, no Rio de Janeiro.

 

Inviável

Prefeito de São João do Sul, Moacir Teixeira (PSD), ficou assustado com o valor apontado por agentes terceirizados do Governo do Estado, para se resolver o problema de alagamento da SC que liga a BR 101 a seu município, na localidade de Piritú. A cada chuva mais intensa a pista da rodovia fica totalmente alagada naquele ponto, causando uma série de transtornos para os moradores de São João e Praia Grande. “O problema é que o projeto apontou a necessidade de se investir R$ 5,9 milhões para que o problema seja resolvido. A gente sabe que este é um valor astronômico, que nunca vai ser liberado por parte do governo para um problema tão pontual”, ressalta o prefeito. Agora, o pessoal da engenharia da prefeitura está tentando viabilizar um projeto alternativo, com custo bem inferior. “Temos que achar uma medida paliativa, que fique na casa de R$ 1 milhão, senão nunca resolveremos o problema”, comenta Moacir.

 

Sem estratégia

PP de Sombrio deveria rever suas estratégias com vistas ao próximo pleito municipal. Vereador Peri Soares, que é o líder da bancada da sigla na Câmara Municipal, não se cansa de criticar a Secretaria Municipal de Saúde, comandada pelo PR da vice-prefeita Gislaine Dias da Cunha. Mesmo PR que está repleto de ex-aliados do PP, como o suplente de vereador César Luchina, e que, portanto, seria o partido mais fácil de ser cooptado pelos progressistas em uma coligação municipal futura. Não à toa o PP tem tido dificuldades em ampliar seu leque de alianças em Sombrio. Com o pluralismo político reinante no Brasil, pouco adianta um partido ser forte, se este não possuir bons aliados. Para possuí-los, no entanto, é preciso cultivá-los.

 

Mais dinheiro

Deve ser votado hoje à tarde, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Projeto de Lei que visa a implantação do Orçamento Regionalizado Impositivo no Estado. Na prática, caso o PL seja aprovado, cada uma das 36 microrregiões do Estado passaria a receber do governo catarinense recursos adicionais, todos os anos, na ordem de 3% da receita líquida do ano anterior. Aqui em nossa região, este percentual representaria um incremento de R$ 26 milhões todos os anos, que teriam que ser investidos nos 15 municípios do Extremo Sul. Em princípio, os parlamentares catarinenses têm se mostrado francamente favoráveis ao projeto, que é de autoria do deputado estadual Marcos Vieira (PSDB). A descentralização forçada não é vista com muitos bons olhos pelo Palácio Santa Catarina, mas há uma forte pressão dos prefeitos na Assembleia para que o projeto seja aprovado.

 


20/06/2017 00:03

Rolando Christian Coelho, 20/06/2017

Para líder progressista, aliança com Raimundo Colombo (PSD) já está praticamente fechada, com vistas a 2018.


Leodegar prevê PP com PSD e PSB em 2018

 

Secretário Executivo da Habitação de Santa Catarina, e um dos caciques do PP do Estado, ex-deputado federal Leodegar Tiscoski acredita que aproximação de seu partido com o PSD do governador Raimundo Colombo, e com o PSB da família Bornhausen, é algo irreversível em 2018. De acordo com ele, “as tratativas internas no PP dão todos os indicativos que está tríplice aliança já está formada, faltando, agora, definir a ordem dos fatores”.

A ordem a que Leodegar se refere, por óbvio, diz respeito especialmente a composição majoritária desta aliança. Em princípio, o apoio a um candidato a governador indicado pelo PSD soa quase que de forma natural. Os últimos desdobramentos políticos, no entanto, que atingiram diretamente figuras da sigla, como o deputado estadual Gelson Merísio, e o próprio governador Colombo, acabaram por abrir outras possibilidades. Neste sentido, o PP também sonha em poder ser apoiado na cabeça de chapa pelo PSD e PSB. “Esta é uma possibilidade e, se existe, não custa tentar viabilizá-la”, comenta Tiscoski.

A participação do PSDB nesta aliança ainda é uma incógnita. O partido está dividido em três alas. Uma que quer se aliar ao PSD, outra que almeja uma candidatura própria ao governo, e uma terceira que vislumbra uma aliança com o PMDB. Esta é a que mais tem ganhado força, por conta, principalmente, da aproximação cada vez maior de tucanos e peemedebistas em Brasília.

Para Leodegar a aliança com o PSDB não pode ser descartada. Em sua visão, o cenário político nacional ainda está totalmente aberto, o que faz com que os desdobramentos no Estado também não possam ser previstos. “De repente, PSDB, PSD, PP e PSB estarão no mesmo palanque em nível nacional. Então isto desobrigaria o PSDB de nosso Estado de se aliar ao PMDB, mesmo que estes dois partidos também estejam unidos em nível nacional. Diante de tantas nuances, tudo é possível”, comenta.

Pelo atual quadro, no entanto, o que se percebe é que tudo se encaminha para a edição de uma dobradinha entre PSD e PP ano que vem, o que lembra os velhos tempos de PFL e PDS, não necessariamente nesta ordem. Isto porque, é muito provável que de fato o PMDB e o PSDB de Santa Catarina acabem fechando uma aliança para disputar o governo em 2018. Ainda que setores do PSDB relutem a esta ideia, isto será algo imposto pela cúpula nacional do partido como uma contrapartida dos tucanos ao apoio que o PMDB deverá dar a sigla na disputa presidencial.

Tudo parece bem alinhavado. O problema são os tais desdobramentos externos, que nos últimos meses têm colocado o cenário político de todo o país de cabeça para baixo.

 

 

Sem planos

Ex-deputado federal Leodegar Tiscoski (PP) diz que não tem nenhuma pretensão eleitoral diante do pleito estadual do ano que vem. De acordo com ele, seus planos se restringem unicamente a fomentar o bom desempenho de seu partido na eleição vindoura. “O cenário político está totalmente desnorteado. Enquanto não houver uma reforma política no país, de minha parte não tenho disposição em retomar as disputas eleitorais”, comenta. Conforme ele, o meio político precisará se reinventar, e o melhor caminho para isto é através de uma reforma que vá ao encontro dos reais anseios da sociedade. “O problema é que os que os responsáveis por promover isto são os mesmos que não querem perder seus privilégios. Privilégios que fatalmente seriam pedidos através da proposição de uma reforma”,comenta.

 

Reanimado

Deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB) parece ter se reanimado com a disputa de 2018, depois que PSDB anunciou, oficialmente, apoio ao governo de Michel Temer (PMDB). O parlamentar, que já ventilava a possibilidade de não concorrer à reeleição, passou a afirmar que “2018 será sua última disputa à Câmara Federal”. A mudança de postura, claro, está ligada ao fato da possibilidade de aliança entre o PMDB e o PSDB em nosso Estado, o que ajudaria em muito a chapa proporcional dos peemedebistas. Ainda assim, dentro do PMDB de Criciúma, permanece o clima de sobreaviso. Neste sentido, parece tudo acertado para que o deputado licenciado, e atual Secretário de Infraestrutura, Luiz Fernando Vampiro, substitua Benedet na disputa à Câmara Federal, caso este de fato abra mão da reeleição. Em princípio, e como sempre, o PMDB de Criciúma não parece muito preocupado com o desejo do deputado estadual Manoel Mota (PMDB) de também disputar uma cadeira no Congresso Nacional.

 

Quase lá

Está publicado na edição de hoje do Diário Oficial do Estado a relação das 15 empresas que estarão aptas a continuar no processo licitatório que visa a reforma e ampliação do Colégio Catulo da Paixão Cearense, de Sombrio. A primeira etapa da licitação foi constituída pela entrega de documentos que comprovassem a capacidade técnica das empresas. No total, 18 entraram na disputa, mas três acabaram não conseguindo reunir os requisitos necessários. Agora vem a segunda parte da licitação, que é quando as empresas remanescentes terão suas propostas financeiras avaliadas pela Comissão de Licitações da Agência do Desenvolvimento Regional. Antes disto, no entanto, cabe recurso por parte das empresas desclassificadas, ou mesmo por parte das que permanecem no certame, contra outras. É ai que mora o perigo de um novo entrave.

 

Tudo errado

Presidente da Câmara Municipal de Sombrio, Nego Gomes (PMDB), está articulando a realização de uma audiência pública com representantes do Dnit, órgão responsável pela manutenção das rodovias federais em todo o país. Ocorre que depois da duplicação da BR 101, o trecho da rodovia que compreende Sombrio, da divisa com Santa Rosa do Sul, até a dívida com Araranguá, acabou apresentando vários problemas de trafegabilidade para os moradores do município. Quem está no centro da cidade, por exemplo, precisa trafegar quase um quilômetro pela marginal Santelmo Borba até adentrar na pista da 101. O bairro Furnas também ficou sem acesso de entrada pela BR. Outro problema diz respeito ao trevo do bairro Januária, cujas preferencias são mal sinalizadas e, por conta disto, não são respeitadas, causando constante congestionamento. “Fizeram tanta coisa errada que não da nem de acreditar. Vamos pressionar para que o Dnit reveja estes erros”, diz o presidente do legislativo.

 

 


19/06/2017 00:00

Rolando Christian Coelho, 19/06/2017

Não investimos em turismo, cultura e esportes. Por conta disto não recebemos investimentos. Acabamos sendo vítimas de nossos próprios atos.


Estamos longe de merecermos mais

 

Dias destes o Secretário de Turismo, Cultura e Esporte de nosso Estado, Leonel Pavan, se reuniu com a imprensa de nossa região para falar dos investimentos do governo catarinense aqui no Extremo Sul. Orquestrado pelo Palácio Santa Catarina, Pavan não se restringiu a se referir as atividades de sua pasta. Por conta disto, acabou falando de tudo, o que englobou obras no setor de infraestrutura, de saúde, educação, e, por óbvio, falou também sobre investimentos no turismo, cultura e esporte. Lá pelas tantas, alguém lhe questionou sobre o porquê de outras regiões do Estado receberem mais recursos, de sua Secretaria, do que nossa região. De modo franco, e talvez mais franco do que devesse ser, Pavan emendou: “Porque em outras regiões são promovidos grandes eventos. Aqui vocês não promovem grandes eventos. Qual é o maior evento de vocês? A Corrida de Caminhões de Arroio do Silva?”.

Ainda que tenha sido um balde de água fria nos ânimos dos sempre intrépidos jornalistas que participaram da coletiva, Pavan tem razão. Nossa região não promove grandes eventos. Aliás, não só o Extremo Sul. Todo o Sul do Estado é norteado pela mesmice, quando o assunto é turismo, cultura e esporte.

Nesta semana, ainda, estava lendo uma matéria sobre os trabalhos de recuperação que a Prefeitura de Orleans está fazendo no paredão de pedras onde estão esculpidas obras do artista José Fernandes, o popular Zé Diado, o mesmo que pinto todo o interior da Igreja Matriz de Sombrio. Em Orleans, rata-se de um conjunto de esculturas magníficas, que há anos estão encobertas pelo mato. O que era para ser um grande atrativo turístico e cultural do Sul Catarinense foi simplesmente relegado ao ostracismo, jogado de lado.

Em corroboração a esta afirmativa, me deparo com uma experiência pessoal. Neste final de semana estava caminhando pelo calçadão da beira mar em Balneário Gaivota. Andando pelas passarelas, fiquei impressionado com a quantidade de lixo jogado sobre as dunas. Garrafas d’água, papel de picolé, copos plásticos, e uma infinidade de porcariada, que em nada fazem juz a beleza do município. A realidade não é diferente em Araranguá, Arroio do Silva ou Passo de Torres, nossos outros municípios litorâneos.

A bem da verdade, não cuidamos nem mesmo daquilo que é trivial, daquilo que poderia ser nossa diferença. Não à toa, não nos credenciamos a algo maior, afinal de contas, se não sabemos nem o b, a, ba, o que se dirá de algo de fato significativo, como é uma Oktoberfest, uma Festa do Pinhão, uma Marejada ou uma filial do Balé Bolshoi.

A Secretaria de Pavan tem razão em ficar nos mandando trinta, cinquenta ou cem mil reais para apoiar nossos eventos. Estamos longe de merecermos um milhão.

 

Ferrados

Estive em Criciúma no final de semana e voltei para nossa região pela SC 445, que liga aquele município a BR 101, passando por Içara. Pois a dita rodovia tem mais buraco que a lua. Meia dúzia de trabalhadores, em um caminhão cheio de asfalto frio, tentavam remendar a pista, que tem cerca de 15 quilômetros. Lastimei pelos criciumenses e içarenses, mas lastimei ainda mais pelos habitantes de nossa região. Se na terra do vice-governador Eduardo Moreira (PMDB) uma rodovia estadual merece aquela atenção, imagine o que se dirá da atenção a ser dispensada às nossas rodovias. Por aqui, pelo visto, só mesmo depois que um caminhão for engolido por um buraco de uma rodovia, como a que liga Sombrio a Jacinto, é que o governo tomará providências.

 

Sem moral

Joesley Batista, da JBS, afirmando que Michel Temer é chefe da maior máfia que existe no Brasil chega a parecer piada. O dito empresário quebrou metade dos frigoríficos do país se utilizando de dinheiro do BNDS, conseguido nos governos do PT, e ainda se acha com moral para chamar alguém de mafioso. Nos últimos anos, fiscais do Ministério da Agricultura não se cansaram de bater nas portas de frigoríficos e abatedouros de pequeno e médio porte em todo o país, que invariavelmente eram multados em verdadeiras fortunas. Atrás vinha a JBS comprando ou arrendando tudo, com recursos conseguidos junto ao Governo Federal. Já ouvi dezenas e dezenas destes relatos, até aqui mesmo em nossa região. Diga-se de passagem, tudo feito dentro da lei. Aliás, nenhuma máfia é mais perigosa do que aquela que se utiliza da legalidade para seus feitos. Mesma lei que livrou Joesley de dois mil anos de prisão e o mandou para os Estados Unidos de férias com a família, em troca de algumas gravações.

 

Grave

Ex-prefeito de Jacinto Machado, Aldoir Bristot, que administrou o município pelo PMDB entre 1993 e 1996, sofreu uma parada cardíaca e foi transportado em estado considerado gravíssimo para o hospital São João Batista, em Criciúma, na sexta-feira. De acordo com os profissionais que o atenderam, foram necessários 40 minutos de trabalhos médicos para que o ex-prefeito pudesse ser reanimado. Encaminhado para a UTI em Criciúma, Aldoir mantém o mesmo quadro clínico desde a internação. De acordo com sua filha, Danusa Bristot, a boa notícia é que seu estado de saúde não piorou, ainda que seu quadro clínico seja grave. Os primeiros socorros a ele foram prestados no Hospital São Roque, de Jacinto.

 

Sombra alheia

Pelo andar da carruagem, deputado estadual Manoel Mota (PMDB) deverá mesmo disputar a reeleição sem adversário interno aqui no Extremo Sul. Todos os peemedebistas de maior relevância, com quem tenho conversado, têm descartado a possibilidade de uma disputa a Assembleia ano que vem. Em compensação, as forças externas do PMDB nunca estiveram tão presentes em nossa região. A deputada licenciada Ada de Luca (PMDB), que ocupa a Secretaria de Justiça e Cidadania, praticamente dobrou sua base de apoio em nossa região nos últimos dois anos e meio. O deputado licenciado Luiz Fernando Vampiro (PMDB), que ocupa a Secretaria de Infraestrutura, tem se aproximado cada vez mais de aliados de Mota, assim como daqueles que já não fecham mais com o deputado. Com tantos ‘estrangeiros’ entrando na região, não é de se admirar que nenhum dos caciques peemedebista aqui do Extremo Sul esteja querendo bancar uma candidatura ao parlamento catarinense em 2018.

 

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