Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharel em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

11 de dezembro de 2017 12:17

Rolando Christian Coelho, 11/12/2017

Lista de pré-candidatos ao Senador Federal em nosso Estado já é maior do que aqueles que se dispõe a disputar o Governo.


Tem candidato saindo pela culatra

Santa Catarina nunca teve tantos nomes de peso, ao mesmo tempo, postulando uma vaga no Senado Federal. Governador Raimundo Colombo (PSD) e o ex-governador e atual deputado federal Esperidião Amin (PP) são os mais expressivos, seguidos do vice-governador Eduardo Moreira (PMDB), que também não esconde sua pretensão neste sentido. Há de se levar em conta de que o jogo eleitoral em Santa Catarina, com vistas à 2018, ainda está totalmente aberto, e, neste sentido, não se deve descartar a candidatura à reeleição do senador Paulo Bauer (PSDB), que aparece como um dos líderes nas pesquisas de intenção de votos para o governo catarinense.

Se o prestígio de Bauer é grande para o governo, não será diferente no que diz respeito a uma nova candidatura sua ao Senado, caso, por exemplo, o PSDB opte por lançar outro nome a governador, ou se contente em compor como vice do PP, PSD ou PMDB, utilizando-se, do mesmo modo, de outro líder tucano para esta amarra executiva.

Há de se levar em conta, ainda, o calibre político de Paulinho Bornhausen (PSB), que por duas ocasiões disputou o Senado, não sendo eleito, em grande parte, por ter feito uma campanha muito regionalizada, meramente focada em sua base eleitoral, no que diz respeito ao corpo a corpo com o eleitor.

A fora estes, há um rosário de outros postulantes que também estão de olho no Senado Federal, como o presidente da Assembleia Legislativa, e futuro presidente do PP, deputado estadual Silvio Dreveck. Vale lembrar que Dalírio Beber (PSDB) é senador da República, e também pode postular uma candidatura à reeleição, ainda que, como suplente, tenha assumido a Câmara Alta por decorrência do falecimento do ex-senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), em maio de 2015, e seja uma figura apática no cenário estadual.

No próprio PMDB, há uma fila quase que interminável de pré-candidatos ao Senado, que passa por nomes como os ex-governadores Casildo Maldaner e Paulo Afonso Vieira, pelos deputados federais Valdir Colatto, Rogério Mendonça Peninha e Mauro Mariani, que é pré-candidato ao governo, mas que poderá sucumbir diante do prefeito de Joinville, Udo Döhler, nesta pretensão. Naufragado seu projeto principal, Mariani não irá querer disputar a Câmara Federal novamente, até porque outros peemedebistas já têm carcomido suas bases eleitorais neste sentido, como o deputado estadual Carlos Chiodini.

O lançamento desta ou daquela candidatura passa, inevitavelmente, pelas composições majoritárias que vêm sendo construídas. A bem da verdade, ninguém tem vontade própria neste jogo, nem mesmo o governador Colombo, que tem a faca e o queijo nas mãos. Sua candidatura ao Senado, por exemplo, passa necessariamente por uma renúncia que pode afastar um aliado importantíssimo como o PP. Se Colombo jogar meramente para si, poderá colocar todo seu partido a perder. Se nem aquele que detém o comando do governo possui poder de autodeterminação diante deste tabuleiro, o que se dirá de todos os demais nomes.

 

Jogada de Mestre

Base do PP no Sul do Estado tem se irmanado cada vez mais a idéia de compor como vice do PSDB na disputa governamental do ano que vem. Os caciques regionais do partido, no entanto, ainda estão receosos em relação a esta possibilidade, com exceção, por óbvio, do deputado federal Jorge Boeira (PP), que tem sido citado como provável candidato a vice-governador de Paulo Bauer (PSDB). A tendência, porém, é que a aludida presença de Boeira na majoritária acabe quebrando as barreiras ainda impostas pelos líderes sulistas do ninho progressista. Neste sentido, há de se tirar o chapéu para o ex-governador e atual deputado federal Esperidião Amin (PP), que foi quem criou a dupla Bauer/Boeira. Tivesse indicado um líder progressista de fora da região Sul para compor com o PSDB, seu projeto teria morrido na casca. Há de se lembrar que está no Sul catarinense a maior base de apoio do PP no Estado.

 

Na carne

Prefeito de Sombrio, Zênio Cardoso (PMDB), parece mesmo disposto a cortar da própria carne para fechar as contas deste ano, de sua gestão, no azul. Desde o início do mês Zênio vem promovendo uma série de demissões de cargos comissionados, o que acometeu, também, o assessor de imprensa da prefeitura, Fabrício Espíndola, um de seus colaboradores mais diretos. Hoje é o último dia de trabalho de Fabrício, que foi o responsável pela assessoria de imprensa do então candidato a prefeito, em 2012, e um dos principais nomes da equipe de marketing de Zênio em seu projeto de reeleição em 2016. Mesmo com todas as demissões que vêm sendo feitas, o prefeito diz que só mesmo no decorrer desta semana é que se saberá ao certo se a folha de pagamento de novembro e a segunda parte do 13º salário conseguirão ser pagos integralmente. “A partir de agora estamos nas mãos dos repasses feitos pelo governo estadual e federal”, comenta o chefe do executivo.

 

Pau em Lula

Eleito presidente nacional do PSDB no final de semana, governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não mediu palavras para desqualificar o ex-presidente Lula da Silva, provável candidato do PT à Presidência ano que vem. Em que pese o julgamento de Lula, por corrupção, em segunda instância, o que poderá levar a sua inelegibilidade, Alckmin preferiu tratar o petista como um adversário direto nas urnas. Uma das novidades é que o governador paulista inaugurou um discurso tipicamente liberal, defendendo o enxugamento da máquina do Estado, a desoneração tributária, a desburocratização do governo e a valorização da iniciativa privada, praticamente tudo aquilo com que o PT confronta diretamente. Na prática, se Alckmin mantiver esta postura, o que pode-se afirmar é que ele será uma espécie de Bolsonaro um pouco mais ao centro, sem as chamadas defesas de teses extremistas, como a pena de morte.

 

Mesma lógica

PT encomendou estudo para saber o porquê da popularidade de Jair Bolsonaro (PSC/RJ), que se consolidou como o vice-líder nas pesquisas de intenção de votos no que diz respeito à disputa pela Presidência da República. No fim da história, o partido de Lula ficou sabendo que os fatores da popularidade de Bolsonaro são praticamente os mesmos que levarão o líder petista a ser reverenciado em todo o país nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000. Basicamente, os simpatizantes de Bolsonaro o têm em conta porque não aguentam mais corrupção, estão de saco cheio com o pessoal de Brasília, não suportam mais desperdício de dinheiro público, querem mais qualidade de vida e não suportam mais as mesmas caras. Neste sentido, exatamente como faziam os cativos a Lula, os bolsonaristas não se custam nem mesmo a tirar dinheiro do próprio bolso para propalar seu nome. No fim, o modus operand do povo é o mesmo, só mudou o candidato por questões que dispensam explicação.

 

FRASE

“A democracia é o bem mais preciso de qualquer sociedade. Ela não é perfeita, não soluciona tudo, e tampouco é o início e o fim em si própria. Ainda assim, ela é a única chance de se dar as mesmas oportunidades a um milionário e um mendigo em um país”.

Barack Obama (1961) – Ex-presidente dos EUA

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