Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Coelho

Rolando Christian Sant' Helena Coelho é bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo. Também é bacharel em Psicologia e bacharelando em Ciências Políticas. Tem MBA em Jornalismo Digital e em Administração e Marketing. Em 1990 fundou o Jornal Correio do Sul, assim como foi um dos fundadores da Rádio 93 FM em 2010. Atua também como produtor cultural e escritor.

24 de agosto de 2017 00:24

Rolando Christian Coelho, 24/08/2017

O impacto econômico para Morro Grande será desastroso. Queda na receita do ICMS deverá ser, no mínimo, de R$ 250 mil mensais.


JBS fechará em Morro Grande em Outubro

 

Empresa ligada ao agronegócio, a JBS Alimentos anunciou o fechamento de sua unidade localizada no município de Morro Grande, fato previsto para ocorrer no próximo dia 31 de outubro. A empresa já vinha operando há vários meses em apenas um turno, o que já havia sido motivo para a dispensa de cerca de 750 tralhadores. Com o anúncio do fechamento definitivo, pelo menos outros 740 serão demitidos, 400 dos quais moradores de Morro Grande, município aqui do Extremo Sul Catarinense que fica localizado à 12 quilômetros de Meleiro.

O impacto econômico para Morro Grande será desastroso. De acordo com o prefeito Valdo Rocha (PSD), a queda na receita do ICMS deverá ser, no mínimo, de R$ 250 mil mensais. “Só até o final do meu mandato a prefeitura deverá deixar de arrecadar quase R$ 10 milhões”, comenta o chefe do executivo. Não à toa, Valdo está tentando construir uma solução para o problema. Na próxima sexta-feira pela manhã, por exemplo, deverá acontecer uma reunião extraordinária da Amesc, a Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense, da qual Valdo é o presidente, para discutir o assunto.

Vale lembrar que, ainda que esteja sediada em Morro Grande, esta unidade da JBS mantinha ligações com municípios de toda região, tanto através da manutenção direta de postos de trabalho, como da compra de frangos criados por avicultores de praticamente todos os municípios do Extremo Sul. Um levantamento feito no primeiro semestre deste ano deu conta de que pelo menos 120 famílias de avicultores vinham produzindo exclusivamente para a JBS em nossa região, o que sugere um envolvimento direto, e indireto, de pelo menos outras 1.200 pessoas.

Ainda que toda a região seja prejudicada com o fechando da unidade da empresa, não há dúvidas de que os maiores impactos serão sentidos em Morro Grande, onde 400 funcionários que moram no município perderão seus empregos. “São todas pessoas que moram em Morro Grande. Pessoas que nasceram aqui ou que vieram morar aqui por causa da empresa. Gente que construiu casa, comprou caro, grande parte financiados, e que agora não sabe sequer qual o caminho a seguir”, comenta o prefeito, que tem um filho entre os futuros desempregados.

A ideia inicial é a de convencer a JBS a encontrar alguma outra empresa que possa assumir a unidade de Morro Grande, o que, diga-se de passagem, não será nada fácil. É que as grandes indústrias do agronegócio nacional tiveram quedas bruscas de produção depois da chamada Operação Carne Fraca, que expôs uma série de irregularidades no manufaturamento de carnes do país. Vale lembrar que no caso específico da JBS, há também o fechamento das portas do BNDES para a empresa, que durante anos bancou o financiamento de projetos dos irmãos Wesley e Joesley Batista, agora delatores da Lava Jato.

 

Tanto faz

Diante da falta de entendimento, deputado estadual Manoel Mota (PMDB) tem dito que, para ele, tanto faz, como tanto fez, o que será ou não aprovado no Congresso Nacional no que diz respeito à Reforma Política. “Vai acabar se elegendo quem o povo quiser que se eleja. Em qualquer situação, será preciso ter votos. É claro que esse negócio de coligar dez partidos para alguém se eleger com baixa votação não é justo, mas se o jogo for este, vamos à luta”, comenta o parlamentar, que foi um dos prejudicados em 2014 pelo sistema de votação proporcional. Se o chamado distritão estivesse em vigor naquela ocasião, Mota teria sido eleito e ainda sobrariam cerca de mil votos. Pelo sistema proporcional, que é o que estava em vigor, lhe faltaram mais de quatro mil, o que fez com que amargasse a terceira suplência de sua coligação.

 

 

Políticagem

Fechamento da JBS em Morro Grande mostra uma face pouco conhecida da política nacional, que é aquela que envolve o beneficiamento de grandes grupos empresariais em detrimento dos interesses da população. Nos governos Lula e Dilma, ambos do PT, a JBS encheu as burras de dinheiro via BNDES. Com o dinheiro, saiu comprando frigoríficos em todo o país. Quanto mais comprava, mais crescia, ganhando por economia de escala. Com isto, acabou baixando seus custos de produção, praticamente obrigando os médios e pequenos negócios do setor a abandonarem suas atividades. A grande maioria vendeu suas unidades para a própria JBS, como foi o caso da Tramonto Alimentos, de Morro Grande. No fim da história, os pequenos fecharam, os médios fecharam, e agora os grandes começam a fechar. E tudo isto só aconteceu por alguns precisavam de dinheiro em seu caixa 2 para bancar campanhas eleitorais.

 

Especulação

Corre à boca miúda em Florianópolis que PSD e PP estariam acertados para oferecer a vaga de candidato a vice-governador ao PSDB ano que vem. Neste contexto, Gelson Merísio (PSD) concorreria ao governo, Paulo Bauer (PSDB) ou Leonel Pavan (PSDB) concorreria à vice, e o PP indicaria um candidato ao Senado, para fazer dobradinha na campanha com Raimundo Colombo (PSD). O nome ventilado é o do futuro presidente do PP, deputado estadual Silvio Dreveck. Em princípio, ninguém parece estar levando em conta o projeto do ex-deputado federal Paulinho Bornhausen (PSB), que almeja concorrer pela terceira vez como candidato a senador. A especulação, no entanto, demonstra claramente com PSD e PP receiam que o PSDB se una ao PMDB no primeiro turno da eleição estadual, o que poderia complicar a vida de Merísio.

 

Insistindo

Deputado federal João Rodrigues (PSD), que tem vários correligionários de peso em nossa região, lançou nota polêmica sobre o leque de alianças de seu partido, com vistas a 2018. De acordo com o parlamentar, sua posição pessoal é a de não participar de qualquer coligação que tenha como partidos integrantes PT e PCdoB. Na via inversa, ele ressalta que não tem nenhuma restrição a siglas como PP, PSDB, DEM, PR, PMDB. De quebra, o parlamentar já adiantou que tem simpatia pelos tucanos Geraldo Alckmin e João Dória Júnior no que diz respeito à disputa presidencial. Pela declaração, notadamente Rodrigues ainda sonha em conseguir uma vaga na majoritária ano que vem. Seu projeto, dizem, é o de encaixar como candidato a vice do PMDB. A crítica a PT e PCdoB estaria se dando porque estes dois partidos, no segundo turno, tendem a se aliar ao deputado estadual Gelson Merísio, que postula uma candidatura ao governo estadual pelo PSD.

 

FRASE 

“Meus filhos nunca foram criados no luxo e na ostentação. Sempre impus a eles uma vida digna, mas modesta. Por outro lado, nunca economizei na educação deles. Esta é a principal herança que vou lhes deixar”.

Antônio Ermírio de Morais (1928/2014) – Mega empresário brasileiro

 

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