Especial     5 de Fevereiro de 2018 16:00
Autor: Aline Bauer
São João do Sul

Jovem artesão inova e fabrica facas


O artesanato é o dom de transformar algo bruto, rígido, seco, em uma obra bela, funcional, cativante. Pode envolver tinta, tecido, natureza, mas no caso do jovem Luiz Henrique Alexandre, envolve metal. Ele tem só dezoito anos, mas possui um hobby difícil de encontrar. Na garagem onde o pai mexe com peças de madeira, atrás da casa onde vive no interior de São João do Sul, o rapaz fabrica facas. Não são lâminas normais, são peças de artesanato cheias de detalhe. “Surgiu de uma besteira. Comecei a olhar na internet e queria fazer uma para pescar, algo mais tático. Fiz uma e me interessei, fabriquei uma maior. Depois fiz uma pra mãe, meu avô também se interessou”, conta ele. E assim a produção foi aumentando. Um vizinho soube, um amigo contou a um parente, e logo as encomendas começaram.

Claro que as ideias do rapaz também foram amadurecendo, e ele começou então a fabricar as lâminas com discos de arado, equipamento para preparar a terra para o plantio. “Essas comecei em 2017, já tinha alguma noção. Passei a buscar novas ideias e estou nessas. A intenção é continuar e aumentar”, diz.

Faz uns quatro anos que Luiz Henrique começou a produzir as facas, e o dom de criar belas obras já vem de família. Os avós de Luiz Henrique já eram artesãos, o pai também trabalha com madeira e através de pesquisa, o rapaz se tornou um artista das lâminas. “Os pedidos quase sempre são para cozinha e churrasco. No geral são desses estilos. Algumas são para colecionar também, se as pessoas pedirem”, explica. Os preços variam de acordo com o pedido da pessoa, da quantidade, do tamanho, e são das mais variadas formas. Tem faca com lima de afiar, mola de fusca, serra-fita. Durante o dia, Luiz consegue fazer umas duas facas, e com madeira antiga, o trabalho fica ainda mais lindo. Material para trabalhar, ele diz que nunca falta. “Algum material as pessoas me dão, como resto de serraria, já que eles me conhecem e sabem que eu faço. Às vezes as pessoas vêm fazer encomenda e já trazem metal”, conta. Mas a pergunta que não quer calar é: como um rapaz tão jovem se interessou por uma arte tão diferente? “Na verdade, as facas são um hobby. Meus amigos acham interessante, acham que é algo bruto e quando veem, percebem a qualidade. Para mim é normal, gosto de outras coisas, bicho, moto… Eu gosto de tudo”, diz ele, sempre tranquilo, de fala mansa. Porém, o artista não esconde o apreço pelas suas obras. “Cada uma que eu termino, fico um tempo namorando, apreciando a beleza delas”, declara. Mesmo sendo jovem, Luiz faz exatamente o que um grande artesão faz. Pega um produto bruto, e transforma em obra de arte.

 

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