Polícia     24 de julho de 2015 10:30
Autor: Djonatha Geremias
Araranguá

Rapaz compra game e recebe arroz

Mãe de adolescente deu dinheiro para comprar outro Playstation, e delegado alerta população para ficar atenta quanto a golpes


O presente de aniversário viria dois meses mais cedo para um adolescente de 16 anos, em Araranguá. No mês passado, a mãe dele, que é professora, deu autonomia para o rapaz comprar o desejado Playstation 4 pela internet. Porém, após pagar R$ 1,5 mil em dinheiro, recebeu pelo Correio apenas um saco de arroz.
O garoto comprou o videogame pelo site OLX, de um vendedor supostamente chamado Reginaldo. O preço era quase 25% mais barato do que as lojas virtuais mais conhecidas pediam. O contato entre o vendedor e o adolescente era pelo aplicativo de mensagens de celular WhatsApp, pelo qual Reginaldo contou que trabalhava com importação direta e que, por isso, cobrava menos.
O que parecia ser um bom negócio se mostrou um golpe inusitado. O envio do produto foi por Sedex a cobrar, ou seja, o adolescente também pagou a remessa ao retirar a encomenda na agência. Ao pegar a caixa do Playstation pesando aproximadamente o mesmo que o aparelho, não desconfiou. Pagou e foi embora. Ao chegar em casa, o susto.
O saco de cinco quilos de arroz veio dentro da caixa do videogame, ao lado de um rolo de papel. A mãe estava viajando quando ficou sabendo da chegada do produto, e mal pode acreditar. “Achei que meu filho estivesse brincando quando me mandou a foto do arroz pelo celular”, contou ela ao Correio do Sul, estranhando o fato de o falso vendedor ter emitido até mesmo nota fiscal.
“No começo, achei que fosse produto roubado, por causa do preço baixo, mas o vendedor emitiu nota fiscal com endereço e logomarca da empresa, tudo aparentemente certinho e, como explicou que trabalhava com importação, achei que fosse normal esse tipo de redução de preço”, comentou a professora, que nunca imaginou que pudesse receber um saco de arroz.

Golpista desaparece
No mesmo dia da entrega, o número do contato no WhatsApp do vendedor ficou desativado, incomunicável, e o perfil dele no site OLX foi excluído. No dia seguinte, a família procurou os Correios, advogados, o Procon e a delegacia. O delegado da 1º Delegacia de Polícia Civil (1ª DP), Diego Archer de Haro, ficou admirado com a fraude. “Na internet, é preciso desconfiar de preços que sejam muito abaixo dos valores comuns das grandes lojas. Às vezes, é muito mais vantajoso pagar mais, porém com garantias, com parcelas, nota fiscal certificada, tanto em lojas físicas quanto virtuais, desde que sejam seguras”, recomendou o delegado. Para ele, se certificar de todos os detalhes para uma compra segura on-line não é mera desconfiança, é o mínimo que se deve fazer.
Agora, as investigações da polícia vão seguir o rastro deixado pela transação, por meio da quebra do sigilo postal, que teve origem no Paraná, de onde também é a empresa que produz a marca do arroz enviado. Não é um trabalho fácil, segundo o delegado, mas é possível descobrir quem recebeu o dinheiro da transação.
Para a mãe do adolescente, poderia ter sido pior. “Acredito que, ao menos, isso serviu de lição para nós, porque perdemos R$ 1,5 mil, mas ficaremos mais espertos nas próximas compras, e esse golpe pode ter nos protegido talvez de outras fraudes maiores no futuro”, ponderou a vítima.
Na semana passada, ela e o filho voltaram a comprar outro Playstation pela internet, agora no site Mercado Livre, de natureza semelhante. Dessa vez, eles se certificaram da veracidade da oferta, conferiram o histórico do vendedor e compraram o videogame por R$ 2 mil – e ele chegou.

Fraudes aumentam em Araranguá

O delegado Diego comenta que as fraudes têm aumentado no município. De dois a três encaminhamentos que fazia por semana, agora ele encara praticamente o dobro. “Trata-se de uma constatação visual no dia a dia do meu trabalho em Araranguá, e percebo que, na maioria dos casos, as vítimas poderiam ter se precavido”, alerta.
Nada justifica o crime que a vítima sofre, mas, segundo Diego, a prevenção pode ser mais efetiva. “Se o bandido arromba a janela do carro, a culpa é do bandido, claro, mas a vítima não precisava ter deixado a bolsa exposta sobre o banco no interior do veículo”, exemplifica. Da mesma forma, portas de casa apenas encostadas ou entreabertas, janelas destrancadas, chaves nas ignições dos carros são outros exemplos.
Os furtos e roubos são os exemplos mais frequentes de dano, ao lado dos estelionatos e das apropriações indébitas. Cheques mal preenchidos que podem ser facilmente adulterados e cartões de crédito usados indevidamente são casos muito frequentes que poderiam ser facilmente evitados se as vítimas tomassem um pouco mais de cuidado. Especialmente em compras on-line, os dados do cartão bancário podem vazar se forem colocados em um site inseguro, e bandidos usarem para fazer diversas compras não autorizadas.

Delegado Diego de Haro Golpe arroz

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